Se dúvidas houvessem...
... deixaram de haver.
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Isto acerca da tão badalada imparcialidade do nosso estimado Presidente da República, ficaram claramente esclarecidas depois da intervenção desta noite. Um presidente que não diz nada e quando diz, opta por atirar areia para os olhos de quem o ouve e, no fundo, continua sem dizer nada.
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E aquilo que despoletou esta situação, mantem-se: afinal há escutas ou não há? Se as há, porque não dizer que as há? Se não as há, porque não dizer que não as há? E já agora, o que dizer acerca do afastamento do seu acessor? Falou pelo presidente, como ele deixou sub entendido na sua declaração (e foi afastado por isso) ou não fez nada de mal (e foi afastado apenas por uma questão de estilo)?
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Perguntas que se mantém sem resposta. Bom, mas dúvidas já não há... Cavaco Silva ficou com uma enorme azia pela vitória do PS. É caso pa dizer "Toma e embrulha..."
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PS.: Venha o Manuel Alegre, e rapidamente!
Habemus Primeirum Ministrum
Mas a grande dúvida que impera, e fonte de inúmeras apostas em locais próprias: por quanto tempo mais é que iremos ter este primeiro ministro?
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Certo é que até ao final do ano será o Sócrates o Primeiro Ministro. E durante uns tempos, será obvio que os partidos da oposição vão "amochar" uma beca. Vão fazer barulho, mas nenhum dos partidos da oposição nem o partido que deverá formar governo vão alinhar numa qualquer dissolução da assemleia.
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Como tal, penso que até às presidenciais, pelo menos, vamos ter PS, sozinho, no governo..
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Após uma noite eleitoral que sou deu enganos nas projecções, não tenho dúvidas que há coisas que não mudam na política. E uma delas é a "cara podre" que todos, infelizmente com poucas excepções, os políticos tém para valorizar uma realidade que não tem nava a ver com a verdadeira realidade. E após as eleições, são claros estes sinais.
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Ora bem... Sócrates ganha as eleições numa posição demasiado desconfortável, isto porque para estabilizar um governo, só à direita (ou com PSD ou com CDS) poderia criar um pacto de coligação estável. O que, por si só, é instável, uma vez que um e outro, num ambiente de coligação, não passariam de umas sanguessugas, à espera da melhor altura para largarem o barco. À esquerda a coisa era mais facil. Só que, numa coligação à esquerda, o PS teria de fazer acordos com BE e CDU. E se com um deles já seria dificil, com os dois é manifestamente impossível, porque não estou a ver Bloquistas, Comunistas e Socialistas a coabitarem dentro das mesmas linhas. Com tudo isto, a vitória do PS foi tudo menos "espectacular", como o Sócrates quis vender. A vitória do PS era expectável, havendo algumas pessoas (como eu) que anteviam uma vitória do PSD mas uma maioria da esquerda. Agora nunca a maioria absoluta do PS seria conseguida, depois dos dissabores de 4 anos de governo, atropelados por uma profunda crise mundial.
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O que nos leva ao PSD. Que assume, como de resto todos os partidos da oposição, uma "vitória" o facto do PS não ter ganho com maioria absoluta. Eu quanto a isto sou claro: o PS não ganhar com maioria absoluta é o mesmo que comparar uma final da liga dos campeões entre um Leixões e um Manchester United... é obvio que o Leixões não vai ganhar. Era obvio que o PS não ia ganhar com maioria absoluta, e não tem nada a ver com o trabalho da oposição. Portanto, este facto nunca pode ser assobrado como uma vitória para nenhum dos partidos. Logo, é claro que o grande derrotado, na minha opinião, foi o PSD. Que tudo tinha para dar uma abada ao PS, mas não foi capaz. E não foi capaz porque, apesar dos erros do passado, voltaram à carga com as mesmas caras com que perderam em 2005. Além disso, foi um partido que, em campanha, sempre se manifestou como um partido de oposição, e nunca como um partido de governo. E os seus tons de "oposição" foram tão estremos, que ainda se dignaram a contradizer-se dúzias de vezes, nos seus programas e nas suas bandeiras. PSD, claramente, sai derrotado numas eleições em que, normalmente, saíria vencedor... não o consegue por incapacidade de se desprender do passado e dos tachos partidários.
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Depois veio o grande vencedor da noite: Sr. Paulo Portas. Ganhou-o às custas da malta que, não queria votar PSD (o "medo" Ferreira Leite) e não iria votar PS (ganas de lhes dar um tabefe). Ganhou-o às custas de um discurso fácil em tempos de crise. Um discurso indissociável da realidade, mas parco em propostas claras e efectivas. "Vamos lutar contra a segurança"... "Vamos lutar contra o rendimento mínimo"... "Vamos lutar contra o desrespeito dos professores"... "vamos lutar a favor de pensões e regalias para os reformados"... Faltava o "como?", ou, em muitas situações, um "como?" plausível e concreto. Foram um partido com ideias nobres mas falsas, representando tudo o que, para mim, está errado na política... como diriam os outros, eles falam, falam, mas não dizem nada que as pessoas já não saibam. Que é preciso mudar e alterar muita coisa, já todos nós sabemos... queriamos (ou pelo menos deveriamos querer) era saber como o vão fazer.
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O Bloco esquerda consegue uma subida para o dobro dos deputados. Poder-se-ia considerar este facto suficiente para se cantar uma "grande vitória". Mas o Bloco "morreu na praia" isto porque não teve o números suficientes para ter "voto na matéria" no que confere a decisões do governo. Só terá se, juntmente com a CDU, for orientada uma linearidade em alguns aspectos. E se não se entenderem, então o governo não terá outra chance senão se virar para a direita para ver aprovadas muitas situações. O Bloco Esquerda, cujos ideais se centram para mobilizar políticas de esquerda, porque "morreu" na praia, vai motivar que o governo se descole mais para a direita do que para a esquerda... Portanto, quanto a mim, apesar de ter melhorado os seus resultados, não deixou de ser "o Primeiro dos últimos".
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E a CDU... Em termos comparativos, manteve-se com praticamente o mesmo resultado que nas últimas legislativas. Teve alguns milhares de votos a mais e, em termos de assembleia, ganhou 1 deputado a mais. Numas eleições em que os outros "pequenos partidos" (CDS e BE) cresceram às custas do PS, na CDU nõa houve aproveitamento. Cresceram miseravelmente, o que me leva a considerar que, cada vez mais, a CDU, mais concretamente o PCP, são um movimento/partido com bases claras e pouco afável ao expansionismo e desenvolvimento político. Não ata nem desata. Não cresce (os novos eleitores de esquerda, que não sejam PS, são mais adeptos do Bloco de Esquerda) e não decresce (a tradição ainda é o que era). Se continuarem de olhos fechados para o futuro, não terão hipoteses de saír da cepa torta.
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E com isto tudo, vamos ter um govero PS a tentar governar, sempre limitado na esquerda, que tem maioria mas que não se entende, com alguma abertura na direita, tambem limitado mas "mais à vontade". Vamos ter um governo virado para a direita, até a direita querer. Haverá, daqui a cerca de um ano e meio, umas eleições presidenciais. Até lá, o PSD não permitirá que o governo caia. E poderá não votar a favor de muita coisa, mas vai-se abster em muitas outras. Depois, nas presidenciais, duas coisas vão acontecer, consoante as mobilizações das "massas" em redor dos candidatos: direita por Cavaco e esquerda por Manuel Alegre. E se o Cavaco ganhar, o PSD fará o governo caír, para aproveitar o "animo"... se for ao contrário, estou bem desconfiado que será o próprio PS a forçar a queda, com uma moção de confiança. E aí, das duas uma: ou o governo cai ou então durante pelo menos mais um ano (perfilando 3 anos) o governo durará.
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E pronto, a meu ver, claramente o PSD perdeu uma enorme oportunidade de derrotar o PS e de criar nova hegemonia. É que, com tudo isto, o PS será o partido no governo da "retoma" da crise. E, se o PS souber aguentar a crítica e se souber arrumar com políticas acertadas e de conserto social (mexer na justiça, na saúde e na educação com ideias claras e aprumadas de consenso entre os visados e entre os vários partidos), então acredito que conseguirá reforçar uma hegemonia. Mas o mundo dá muitas voltas... vamos ver que volta se vai dar agora.
2010 - Habemus Papa!!
Só para dizer que para ao ano, eu VOU ESTAR EM COIMBRA, NO DIA 2 DE OUTUBRO, PARA VER OS MAIORES DO MUNDO, neste país à beira mar plantado!!
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E, provavelmente, vou estar tambem em Sevilha, no dia 29 de Setembro, para ver OS MAIORES DO MUNDO, no país de Nuestros Hermanos.
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E para tal, tenho de descansar/trabalhar, para estar em forma/empregado e com dinheiro fresco para gastar nesta nova epopeia... como tal faço votos para que, no dia 13 de Maio não vá a Fátima nem acompanhe pela televisão a visita do Papa a Portugal.
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Porque, já que me vão dar música, prefiro que seja música dos U2 à do Santo Padre da majestosa e empírica Igreja Católica.
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Tenho dito!!
Golo Anulado
A imprensa está à escuta e aguarda ansiosamente que seja marcado o primeiro golo. Digo o primeiro golo, porque, mais do que saber quem ganha as próximas eleições, a imprensa aguarda a noticia, o nome e a idade daquela pessoa que será a primeira vítima mortal de H1N1. Isto porque, a euforia para lançar notícias sobre a gripe, atingiu um cúmulo da estupides. Primeiro eram os "casos de gripe A em Portugal", que nunca terminavam. O gajo que apanhou gripe A em Abril, chegado a Setembro, segundo as estatístiacs vendidas pela imprensa, continuava com gripe. E então, já eramos uns quantos milhares, para gáudio da imprensa maravilhosamente independente.
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Hoje de manhã, os jornais eram unanimes a dar a notícia em primeira mão. Até o site da Bola a dava. A euforia nos jornais desportivos parecia a vivida numa qualquer casa do Benfica, quando o Benfica marca golo e toda a gente se levanta e grita euforicamente. E depois, quando o golo é em fora de jogo, num lance polémico, que ninguem ouse dizer que o golo não foi limpo.
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Então isto foram os jornais desportivos esta manhã. estamparam euforicamente a noticia da primeira morte por Gripe A, de homem que tinha transplantado um rim à uns 8 ou 9 anos, tinha o corpo absolutamente em rejeição e que estava doente à um par de semanas (sem gripe A ainda).
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Ao que parece, o homem morreu por infecções bacterianas e, apesar de estar portador do virus H1N1, não estava com Gripe, ou melhor, o virus ainda não tinha dado sinal.
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Ao que parece, isso não importa nada. Apesar de ter sido em fora de jogo, com a mão, e de a bola não ter sequer ultrapassado a linha de golo, a verdade é que os jornais não ousam, com o mesmo destaque, dizer que não foi golo... ou melhor, que a pessoa não morreu por causa da gripe, mas sim por causa de outros problemas de saúde.
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Depois de tantas bolas ao poste, com aqueles que estiveram "quase quase, mesmo quase" a desfalecer com a gripe A, mas que depois se safaram, é bom um título bombástico, daqueles que mexe com toda a gente, com uma noticia que quase quase quase acertava.
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Bem pessoal... agora que o tiro de (falsa) partida foi dado, a ver se começam aí a caír que nem lampadas, para aqueles como o Correio da Manhã, o 24 horas, a TVI, entre outros, possam por em marcha as suas hostes a descrever as hecatombes. Sim, porque no país em que vivemos, o que interessa é notícias onde haja sangue, mortes, violações, porrada, futebol (de preferencia focando não a modalidade mas aquilo que orbita à sua volta, como os casos de arbitragem ou as "guerras" entre dirigentes), política (tambem focando apenas o que "está mal" ou focando aqueles que dizem "está mal". E uma "gripe mortal" como está a ser esta gripe (que até ver, matou menos gente, no mundo inteiro, que as gripes sazonais habituais), é claramente um "poço de petróleo" no que diz respeito a noticias e a fabricação de notícias.
Verdadeira Asfixia Democrática...
É quando há um escandalo em que uma fonte ligada à presidencia da república lança um "boato" à boleia de um jornal "anti sócrates" (jornal que, para as "más linguas que me chamam socialista, é aquele que mais dinheiro dou a ganhar), boato esse que não é nem confirmado nem desmentido pelo presidente da república (dono da casa de onde saíu o tal boato), o que permite que muitos pudessem criar o enredo no qual os tiranos do governo até o presidente se atrevem a espiar, que por sua vez motiva a um ganho de coragem por parte de outros que se atrevem, que nem paladinos da verdade, a falar abertamente de uma suposta "asfixia democrática", e que, no final, a uma semana de uma singular eleição legislativa, despede o alegado autor do boato, sem dizer nem ai nem ui.
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Temos o pior presidente da história Portuguesa do pós 25 de Abril. Um presidente que ganhou uma eleição porque o partido que estava em alta não soube apoiar o candidato certo. E com isso, Portugal fica a perder. Um presidente que se lançou nessas eleições sem uma ideia que se lhe ouvisse, uma opinião que se sentisse. Foi claramente um presidente que apareceu nos debates, nas televisões, e calava-se. Para mim, Cavaco Silva será o presidente do "não posso comentar... não devo falar... só falo quando..." etc, etc, etc...
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Cavaco Silva tomou uma decisão agora, talvez por perceber que a "casa da presidencia" estava a ser posta em causa, no que concerne à questão do eticamente correcto. Não a confirma nem a desmente. Uma coisa faz, que é (finalmente) tomar uma decisão quanto ao sucedido. E esta demissão vem tentar mostrar ao "povo" que afinal, o presidente até nem gosta de ser "usado".
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Mas o silencio do Exmo Presidente já tinha tombado por vincar uma posição clara, a de estar em guerra com o governo. Por um lado, se era verdade que estava a ser espiado, tinha a obrigação de chamar a atenção do povo portugues e das autoridades competentes. Se era falsa a informação, tinha a obrigação de dizer, alto e bom som, que era falsa a informação. Fosse qual fosse a verdade, o presidente não podia ficar indiferente a uma situação daquelas. Mas o nosso presidente quis mostrar-se indiferente. E a única explicação que eu encontro para essa "indiferença" a motivação clara para, em mais um golpe sujo, desgastar, em tempo de eleições, a imagem de um governo que é de ideologias contrárias às suas e, patrocinar assim, argumentos para a oposição.
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Agora, o feitiço virou-se contra o feiticeiro. Cavaco Silva surge, e bem, debaixo de fogo de todos os lados. Provavelmente até julgou, na altura, que a fonte seria um jornalista com boa imaginação, e aqueles boatos até lhe davam jeito, na guerra de "popularidade" entre um governo liberal e uma presidencia conservadora. Mas depois, quando se percebe, ou melhor, quando se confirma, que a origem do "boato" era a casa do presidente, Cavaco ainda teve tempo para uma tirada "à cavaco", em que nega comentários e lança "outras preocupações mais importantes"... e depois, despede o acessor, origem da fonte, numa tentativa vã de se ilibar do que tinha feito.
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A asfixia democrática com que somos diariamente invadidos, não é culpa do governo... é sim dos lobys. Sejam eles o SL Benfica, o Presidente da Republica, o bota abaixo do governo, o paradigma do "perigoso" H1N1, os Casos Madies ou Esmeralda deste país. Vivemos numa realidade alternadeira, carregada de verdades forjadas e moldadas, consoante os desejos e ansejos de quem por ela paga. Vivemos, como já disse várias vezes, reféns e no meio desta liberdade, não conseguimos efectivamente estar livres... e o mais idiota é que nos convencemos que estamos.
Mês e Meio em Asfixia Perguiçosa
Foi o período de ausencia de qualquer tipo de actualização deste blog. Mês e meio em que se passou muita coisa e muita ficou por se passar. As campanhas passaram a correr, nalguns sítios, a rastejar, noutros.
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Falou-se muito em asfixia democrática, nos TGVs, na segurança social, na justiça, no problema do desemprego, na crise, no Sócrates, na Ferreira Leite... enfim, uma parafernália de assuntos, de verdades, de falsas verdades e de meias verdades.
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E com tudo isto, passamos as férias dos partidos, a pré campanha eleitoral e a expressiva campanha propriamente dita (ainda alguem me há de explicar as diferenças entre "pré campanha" e "campanha").
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Muita coisa teria de ser dita, mas eu acho especialmente interessante as discussões sobre o termo "asfixia democrática" e a sua definição.
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Pois bem, a Srª Manuela Ferreira Leite considera que há uma grave "asfixia democrática" no continente e nos açores... desconsidera que o mesmo se passe na Madeira. Define que, a grande diferença é que, na Madeira, o Alberto João ganha eleições, com maiorias significativamente absolutas, à imensos anos repetidamente e cá, o Sr Sócrates consegue uma maioria e depois não há de conseguir mais nenhuma. Eu relembro à Srª Manuela que, o Sadam Hussein ganhava eleições com 98% dos votos do seu povo, inclusivé conseguia ter mais votos que a população votante do seu país. Concretamente, há uma questão fundamental: muitos votavam Saddam, com receio de, eventualmente votando contra, perdessem regalias, como a própria vida.
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Na Madeira, ninguem tem dúvidas: o povo vota no João Jardim, e poucos se atrevem a votar contra. E quanto a isto, experimenta-se uma real democracia. Mas, há argumentos que a própria manuela procura asfixiar quando são lançados. Nomeadamente aquele que diz que não sobrevive um jornal independente na madeira, não são adjudicados negócios ou apoios (muitos deles obrigatórios) a quaisqueres empresários com conotações contrárias à da linha PSD, se alguem mostra apoio a um partido da oposição, não sendo discriminado na sociedade madeirense, é-o pelo governo regional e, digno de ser categoricamente como um "exemplo de democracia", a assembleia regional conseguiu impedir (e impunemente) que um deputado DEMOCRATICAMENTE eleito pela sociedade, pelo povo madeirense, exercesse as suas funções.
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Há realmente uma "asfixia democrática" no continente. Ela não ocorre por imposição do partido do governo, mas sim por deferimento de pessoas, no governo, na oposição, na tv, na radio e nos jornais, que, como a Srª Manuela Ferreira Leite, procuram atirar areia aos olhos das pessoas que as escutam e observam, procurando cativar votos, apoios ou afinidades camuflando as verdades e as realidades, para defender o que não é defensável ou atacar o que não é atacável.
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Luxo ou pura roubalheira?
Tenho estado afastado, porque tinha mais em que pensar, mas vou tentar agora, como os gato, esmiuçar algumas coisas sobre o "estado da nação" e sobre a campanha.
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Hoje venho falar de uma coisa que já falei várias vezes neste blog, deixando a discussão mais ou menos clarificada.
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Em primeiro lugar, reconheço uma coisa: não há dinheiro para ter tudo. Não se podem ter estradas, hospitais, escolas, pontes, tgvs, aeroportos, carros, roupa, sapatos ou comida sem dinheiro. Bom, de certa forma há uma coisa que é o crédito, que em muitas coisas substitui isso do dinheiro. Mas volta-se ao mesmo e quando deixa de haver dinheiro para pagar o crédito, temos uma crise como a que estamos a passar.
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Mas vou falar exclusivamente das Auto Estradas. São como uma "praga" neste país. Uma praga, no bom sentido mas, tambem, e cada vez mais, no mau sentido.
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As Auto Estradas são uma grande forma de o estado e as concessionárias ganharem dinheiro. O estado fá-las. Depois trespassa-as às concessionárias, mas salvaguarda que, os prejuízos ou as necessidades de intervenção, serão sempre tratadas e assumidas pelo estado. Não é à toa que um dos ministros que concebeu esta ideologia (construír e depois partilhar a exploração daquilo que foi encomendado e financiado pelo estado) seja agora um dos administradores (pasme-se) de uma dessas empresas concessionárias. As empresas concessionárias exploram a sua circulação automóvel nas autoestradas, a seu belo prazer (claro está com uma lista de artigos legais feitos à sua medida).
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Mas adiante, essas mesmas concessionárias trespassam espaços (vulgarmente denominadas como "áreas de serviço"), às gasolineiras (GALP, BP, REPSOL), que por sua vez exploram outros serviços, como fornecimento de combustivel, géneros alimentares, revistas e jornais, souvenirs, etc... Os "concessionários recebem publicidade (colocada em alguns troços), recebem das áreas de serviço e recebem das portagens.
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Acabamos por pagar portagens, pagar os serviços nas áreas de serviço (sim, porque produtos lá adquiridos - incluindo a gasolina e o gasóleo - tem valor acrescentado) supostamente (este é o argumento fundamental para fazer crer às pessoas deste meio de interacção) para fonecer um "fundo de maneio" a quem tem a tarefa de zelar pela manutenção das auto estradas Portuguesas e, ao mesmo tempo, pagar e contribuír para amortizar o valor total gasto na construção das mesmas, garantindo, tambem, que haverá verba para efectuar obras de requalificação ou alargamento.
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A grande questão é que aquilo que supostamente deveria ser usado para requalificação ou manutenção, está a ser usado para encher o bolso de alguns, porque alguem no estado achou por bem "privatizar" um serviço público. Não sou contra as privatizações, mas o estado deve garantir alternativas ao privado. Nomeadamente, se eu quero ir para Lisboa, devo ter acessos que me permitam ir sem pagar portagem, ou seja acessos, digamos, públicos, como são as estradas nacionais ou os IPs. Para entrar em Lisboa, como venho do outro lado do rio, tenho de pagar portagem ou na 25 de Abril, ou na Vasco da Gama. A alternativa é fazer cento e tal kms e ir a Vila Franca.
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Já não critico o facto da A1 ser portajada, ou a A2. Se quiser ir para o Algarve, tenho alternativa em ir sem pagar (por dois sítios até). O mesmo se passa para ir ao Porto, a Évora, etc.
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Não sou contra as portagens. Sou sim contra uma roubalheira. E em lisboa é claro que há uma roubalheira ostensiva para com os automobilistas que habitam na Margem Sul. Tudo porque o estado acha, por bem, beneficiar uma qualquer Lusoponte ou Brisa, relativamente ao interesse realmente público.
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Pego no exemplo das auto estradas, mas tenho de estrapolar para o resto, nomeadamente para a saúde e educação. Felizmente, a nível da saúde e da educação, o estado é um concorrente de peso aos privados, mas há fontes que procuram, claramente, desestabilizar esse equilíbrio. Agora, como tambem querem fazer, privatizar a distribuição de água, como fizeram com os combustiveis?
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Aliás, há quem considere os combustiveis um "luxo", pelo que deve ser pago... é verdade que, para muitos, o combustivel é um luxo. Mas para outros, é uma necessidade real. Agora, relativamente à água ainda não ouvi sequer um argumento ou um ponto de vista que possa levar alguem a considerar, sim senhor, que a água é um bem que valerá a pena ver privatizado.
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Para concluír, sim aos luxos, não às roubalheiras. Quem quiser demorar 2h a ir do Barreiro ao Algarve, que pague por isso... quem não quiser, que tenha a opção de não o fazer. Quem quiser ir para Lisboa no conforto do transito regulado e confortável, que pague para isso e vá pela Vasco da Gama... quem não quer, que tenha a hipótese de passar 40 minutos nas horas de fila da Ponte 25 de Abril, mas que consiga passar a margem do rio sem pagar mais por isso.