quarta-feira, setembro 16, 2009

Luxo ou pura roubalheira?

Tenho estado afastado, porque tinha mais em que pensar, mas vou tentar agora, como os gato, esmiuçar algumas coisas sobre o "estado da nação" e sobre a campanha.
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Hoje venho falar de uma coisa que já falei várias vezes neste blog, deixando a discussão mais ou menos clarificada.
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Em primeiro lugar, reconheço uma coisa: não há dinheiro para ter tudo. Não se podem ter estradas, hospitais, escolas, pontes, tgvs, aeroportos, carros, roupa, sapatos ou comida sem dinheiro. Bom, de certa forma há uma coisa que é o crédito, que em muitas coisas substitui isso do dinheiro. Mas volta-se ao mesmo e quando deixa de haver dinheiro para pagar o crédito, temos uma crise como a que estamos a passar.
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Mas vou falar exclusivamente das Auto Estradas. São como uma "praga" neste país. Uma praga, no bom sentido mas, tambem, e cada vez mais, no mau sentido.
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As Auto Estradas são uma grande forma de o estado e as concessionárias ganharem dinheiro. O estado fá-las. Depois trespassa-as às concessionárias, mas salvaguarda que, os prejuízos ou as necessidades de intervenção, serão sempre tratadas e assumidas pelo estado. Não é à toa que um dos ministros que concebeu esta ideologia (construír e depois partilhar a exploração daquilo que foi encomendado e financiado pelo estado) seja agora um dos administradores (pasme-se) de uma dessas empresas concessionárias. As empresas concessionárias exploram a sua circulação automóvel nas autoestradas, a seu belo prazer (claro está com uma lista de artigos legais feitos à sua medida).
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Mas adiante, essas mesmas concessionárias trespassam espaços (vulgarmente denominadas como "áreas de serviço"), às gasolineiras (GALP, BP, REPSOL), que por sua vez exploram outros serviços, como fornecimento de combustivel, géneros alimentares, revistas e jornais, souvenirs, etc... Os "concessionários recebem publicidade (colocada em alguns troços), recebem das áreas de serviço e recebem das portagens.
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Acabamos por pagar portagens, pagar os serviços nas áreas de serviço (sim, porque produtos lá adquiridos - incluindo a gasolina e o gasóleo - tem valor acrescentado) supostamente (este é o argumento fundamental para fazer crer às pessoas deste meio de interacção) para fonecer um "fundo de maneio" a quem tem a tarefa de zelar pela manutenção das auto estradas Portuguesas e, ao mesmo tempo, pagar e contribuír para amortizar o valor total gasto na construção das mesmas, garantindo, tambem, que haverá verba para efectuar obras de requalificação ou alargamento.
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A grande questão é que aquilo que supostamente deveria ser usado para requalificação ou manutenção, está a ser usado para encher o bolso de alguns, porque alguem no estado achou por bem "privatizar" um serviço público. Não sou contra as privatizações, mas o estado deve garantir alternativas ao privado. Nomeadamente, se eu quero ir para Lisboa, devo ter acessos que me permitam ir sem pagar portagem, ou seja acessos, digamos, públicos, como são as estradas nacionais ou os IPs. Para entrar em Lisboa, como venho do outro lado do rio, tenho de pagar portagem ou na 25 de Abril, ou na Vasco da Gama. A alternativa é fazer cento e tal kms e ir a Vila Franca.
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Já não critico o facto da A1 ser portajada, ou a A2. Se quiser ir para o Algarve, tenho alternativa em ir sem pagar (por dois sítios até). O mesmo se passa para ir ao Porto, a Évora, etc.
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Não sou contra as portagens. Sou sim contra uma roubalheira. E em lisboa é claro que há uma roubalheira ostensiva para com os automobilistas que habitam na Margem Sul. Tudo porque o estado acha, por bem, beneficiar uma qualquer Lusoponte ou Brisa, relativamente ao interesse realmente público.
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Pego no exemplo das auto estradas, mas tenho de estrapolar para o resto, nomeadamente para a saúde e educação. Felizmente, a nível da saúde e da educação, o estado é um concorrente de peso aos privados, mas há fontes que procuram, claramente, desestabilizar esse equilíbrio. Agora, como tambem querem fazer, privatizar a distribuição de água, como fizeram com os combustiveis?
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Aliás, há quem considere os combustiveis um "luxo", pelo que deve ser pago... é verdade que, para muitos, o combustivel é um luxo. Mas para outros, é uma necessidade real. Agora, relativamente à água ainda não ouvi sequer um argumento ou um ponto de vista que possa levar alguem a considerar, sim senhor, que a água é um bem que valerá a pena ver privatizado.
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Para concluír, sim aos luxos, não às roubalheiras. Quem quiser demorar 2h a ir do Barreiro ao Algarve, que pague por isso... quem não quiser, que tenha a opção de não o fazer. Quem quiser ir para Lisboa no conforto do transito regulado e confortável, que pague para isso e vá pela Vasco da Gama... quem não quer, que tenha a hipótese de passar 40 minutos nas horas de fila da Ponte 25 de Abril, mas que consiga passar a margem do rio sem pagar mais por isso.