Fim do meu culto Barreirense
Dia 23 de Agosto faz um ano que concluí a minha participação num culto que durante 15 anos da minha vida foi não só um paralelismo mas também, muitas vezes, o próprio caminho que optei seguir. Um culto que alimentava os meus sonhos e perspectivas e que motivou a que, durante todos esses anos anos, a minha dedidação fosse tal que me prejudiquei a mim próprio para dar mais a uma casa que adorei e ainda adoro… sem nunca, mesmo agora, o lamentar.
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Fará dia 23 um ano que entrei para dentro de uma sala e de lá saí afogado na mais profunda desilusão e arreliadora mágoa que podia sentir. Valores que julgava serem claros naquela casa dissiparam-se. Valores que aprendi ali a respeitar e a tomar como meus também, esvaneceram-se corrompidos por entre mentiras e falácias doseadas para mascarar a intenção real de me verem afastado e distante daquele mundo.
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Foram doze anos ligado ao clube, onde fui jogador, treinador, seccionista, estatístico, motorista, escrituário, árbitro, fiz cartazes, preparei torneios, fui “ama seca”, amigo e companheiro, filmei jogos, preparei e geri um site de minibasket, e, sobretudo, preocupei-me, empenhei-me, dediquei-me para que tudo o que fizesse, o fizesse com qualidade e competência, não por mim mas pelo clube e pelos miúdos que comigo trabalhavam. Dia 23 fará um ano em que me disseram que nada disso importava… E tudo porque fui eu próprio, porque me atrevi a batalhar pelo que acreditava lá dentro e de confrontar as pessoas em assuntos que considerava pertinentes. Falei e tomei posições, e saí do clube porque duas pessoas consideraram ser necessário castigar essa minha ousadia. Para essas pessoas, ficou clara a ideia de que não interessava ao clube ter pessoas como eu que se atreviam a ser, como eles próprios disseram, “teimosas” por defenderem convicções, mesmo que essas visassem a defesa de um bem maior do que o próprio umbigo.
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A desilusão foi enorme. Deles não houve sequer a coragem nem a decência real de me dizer frontalmente que não contavam comigo, revertendo-se para a ideia simples do quem está mal que se mude, tentando ao mesmo tempo que eu me sentisse mal o suficiente para me afastar… e foi exactamente isso que optei por fazer. Já não era querido ali e não me restava alternativa senão abandonar o barco e, de preferência, enquanto ele estivesse atracado, pois entendi a época que tinha passado e o que poderia vir numa nova: a de ter, dentro do clube, movimentação da parte dessas duas pessoas para sabotar e dificultar o trabalho que me aprontasse a executar. Foi, como disse, o que aconteceu numa época que havia terminado à pouco e, finalmente, entendia os porquês…
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Durante anos, vivi aquele culto (12 naquela casa e 3 numa mais abaixo), de autocarro, de bicicleta, a pé, de automóvel ou à boleia, o ir praticamente todos os dias ao Barreiro inicialmente para treinar e mais tarde para dar treino. As rotinas do subir aquelas escadinhas, cruzar as portas de ferro preto, ver aquelas caras conhecidas que, essas sim, explanavam uma real consideração pela minha dedicação. Estava determinado em não repetir aquelas rotinas, pelo menos enquanto sentisse a mágoa que sinto. E assim, dia 23 fará um ano desde a última vez que pisei o chão do velhinho ginásio sede do FC Barreirense.
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Aprendi duas coisas com tudo isto: a primeira, e mais importante, foi a abrir os olhos. Palavras simpáticas e palmadinhas nas costas escondem muitas vezes más intensões. Vai fazer um ano que duas pessoas que sempre disseram e sempre badalaram o respeito e a consideração que tinham por mim, confirmaram naquela reunião o desprezo que afinal nutriam. Sobretudo no após, quando nos dias, semanas e meses seguintes houve a tentativa clara de apagar a realidade e construir falsas verdades sobre a situação, mais condizentes para com eles… chegando ao ponto de atribuir palavras e actos a mim que mais não são do que ficção.
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Senti-me magoado e extremamente desiludido, é certo, mas reajo pura e simplesmente como sou e como me ensinaram a ser. Para mim agora mais não são do que duas personagens conhecidas, cujos índices de confiança são nulos. Como tal, nunca os deixei de cumprimentar nas vezes que com eles me cruzei… mas o trato rege-se por frieza e indiferença obvia, recusando tomar qualquer tipo de conversa de conveniência com essas pessoas.
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A segunda coisa que aprendi é que nós somos aquilo que a nossa vida percorre. Os doze anos que passei no FC Barreirense foram um tempo que já terminou mas que me fez ser o que sou hoje. Aquilo que fomos e que já ultrapassamos na vida é tudo o que nós somos no presente... Ao clube e às pessoas que por lá estão, que tão bem me receberam e que tão bem me trataram nesses 12 anos, tenho de deixar o meu obrigado… aos restantes que tudo fizeram para que eu não tivesse sucesso nem reconhecimento, também agradeço, mas respeito e consideração não guardo. Conseguiram, porque eu o permiti, que deixasse o culto… mas nunca deixarei de torcer por um clube que é parte de mim.
Coisas que me irritam profundamente (II)
Um dia destes, vinha a chegar do trabalho e deparo-me, ao fundo da minha rua, a uma azáfama de pessoas que rodeavam alguma coisa no chão… tentei espreitar e vi um pé virado para cima, indiciando que se trataria de uma pessoa ali caída. Estava rodeada de pessoas e apertavam-na ali naquele espaço. Parecia o Museu do Benfica, em que todos se esgueiram e atropelam para ver uma taça ou as velhas sapatilhas do Eusébio ou do Diamantino… toda a gente tinha de olhar pá mulher caída no chão e lançar o seu palpite: “Como é que ela está? Ai coitada… é a vida… já chamaram a ambulância? O que é que aconteceu?”. Depois há alguém que, normalmente, gosta de ser o centro das atenções e estas situações propiciam a sua afirmação “Eu vi tudo, ela sentiu-se mal e caiu ali mesmo onde está… pois acontece, deve ser da tensão ou da diabetes…”. E tem logo início uma conversa amena entre as pessoas que por lá andam “Ah pois, a minha cunhada coitada também tinha disso… tadinha, não podia ir sozinha para lado nenhum, que isto acontecia-lhe”… “Pois olhe, tenho uma prima, que é sobrinha da minha avó, que tinha um problema de tensão e de tempos a tempos também perdia as forças”… “Olhe ontem na novela, tava lá a Felícia que tomou uns comprimidos e não comeu nada e depois desmaiou na paragem do autocarro”… “Ah, pois era ontem que ia dar esse episódio… ela chegou a apanhar a camioneta”… “não, claro que não. Apareceu o Mário que a levou para casa e ela acabou por passar lá a noite”… “pois quem não vai gostar nada é o Gui… tá gira a novela”…
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Resumindo a desgraça alheia serve para atrair uma bombada de gente que se apronta naquela de poder-se afirmar socialmente junto dos demais. Fica uma história para contar, surgem condições para badalar outras histórias no próprio sítio e assim fomentar a necessidade que muitos tém de “ter atenção”… Tudo isto à custa de uma pessoa que, no meio da sua mágoa ainda tem de se prostar ali no chão, imóvel, a servir de utensílio para os cuscos.
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Detesto profundamente assistir à preocupação desenfreada de gentes que são atraídas à desgraça de uma pessoa que se sentiu mal ou se magoou na rua, apenas e só para alimentar mais paleio para a cusquice que vão ter, nos dias seguintes, com as vizinhas e com as amigas.
Ossétia vs Kosovo
Os EUA e a Europa regozijaram quando foi determinada a independência do Kosovo. Foram dos primeiros a reconhecer aquela região como um estado independente. Uma região que foi a base da formação do país do qual faziam parte: a Sérvia.
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O envolvimento dos EUA no assunto foi ao ponto de até se atrever a bombardeamentos sobre o território Sérvio e apoiar a sublevação dos Kosovares, composta maioritariamente por Albaneses. Albaneses no Kosovo pegaram em armas e difiniram-se a atacar os sérvios na zona… os sérvios foram para o território com o seu exercito e defenderam as suas populações dos ataques rebeldes. A Nato interviu e paralisou o exército Sérvio, impossibilitando-o de agir... Inocentes morreram, infraestruturas foram destruídas e muitas pessoas ficaram sem casa.
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E agora, surge um caso semelhante na Geórgia. Em todos os aspectos, a Geórgia para defender a sua integridade territorial lançou um ataque militar aos rebeldes da Ossétia do Sul. Os Russos interviram para defender os rebeldes da Ossetia do Sul. Interviram e paralisaram o exercito da Geórgia. Inocentes morreram, infraestruturas foram destruídas e muitas pessoas ficaram sem casa.
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Há diferenças entre o que se passa na Ossétia e o que se passou no Kosovo. Sobretudo do ponto de vista dos direitos reinvidicativos que os povos no Kosovo e na Ossetia teriam para poder exigir a sua independência. No Kosovo a reinvidicação foi motivada por uma maioria Albanesa que entendeu expropriar o Kosovo dos seus filhos sérvios… sim porque o Kosovo é tão só o berço da nacionalidade Sérvia. Foi ali que nasceu o país. Digamos que o Kosovo seria para os Sérvios o mesmo que os territórios entre o Mondego e o rio Minho, são para os portugueses… o berço da nacionalidade.
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Na Ossétia temos um povo que tem mais direito à autodeterminação do que teria o Kosovo, simplesmente no tempo da URSS gozavam de um estatato autónomo, semelhante ao que tinham a Geórgia ou a Ucrânia. Com o desmembramento da URSS, também na Ossétia houve definição de independência, rapidamente cortada por uma anexação por parte da Geórgia. Além disso, os Ossetes habitam aquelas paragens à alguns séculos. São um povo com identidade própria, bem mais conscientes e merecedores para usufruírem de uma independência…
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Se acho a acção dos Russos aceitável ou não? Acho que é tão legítima quanto foi a da Nato. Diferenças entre as duas formas de intervenção são obvias, mas divergem penso que exclusivamente no pormenor da tecnologia. A Nato lutou os Juguslavos à distancia e com precisão, enquanto os Russos entraram à bruta na Geórgia… ou seja, acho aceitável essa intervenção.
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Acho legítimo que a Nato ou a Rússia intervenham para proteger populações ou territórios de genocídios. Acho que a Nato e a Rússia e, agora, também a China tem a obrigação de proteger o Mundo dos Rwandas ou das Bósnias ou dos Darfurs... Infelizmente, a ideia que dá é que o argumento é uma justificação “publicitada”, mas raramente é aplicável. Não o foi no Kosovo e não o está a ser na Geórgia.
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Quando o foi, tantos uns como outros assobiaram para o lado… casos do Rwanda, casos da Bósnia Herzegovina, casos do Darfur e tantos outros casos por esse mundo fora.
Consequencias...
Com uma semana de intervalo, tivemos dois exemplos de polícia a disparar… ora, no primeiro, penso que pela primeira vez, não se ouviram demasiadas críticas contra a atitude da polícia de disparar para “imobilizar” os agressores, que no momento criavam uma situação clara de risco com os dois reféns que mantinham. A polícia disparou, matou um e deixou outro ferido. Foi uma decisão acertada e, claro está, com os seus riscos. Mas a mensagem passou, penso eu, para todos aqueles que se atrevam a fazer o mesmo.
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Sou a favor que a policia use, sem medos e sem rodeios, as suas armas de fogo em resposta a situações de perigo real e iminente para eles próprios ou para trauseantes. Isto implica que se um gajo vai de carro, é mandado parar pela polícia e em resposta decide acelerar e passar por cima do polícia, eles só tém de disparar. Há uns anos, morreram dois polícias no Algarve abalroados assim.
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Esta semana, se o que se diz é certo, a polícia cumpriu o seu dever, de usar as suas armas de fogo e dar assim um incremento de perigo e risco aos ocupantes perigosos daquele veículo. Mal sabiam eles que dentro da carrinha estava um miúdo que, porque estamos em Agosto e alguns pais não tem onde deixar os filhos quando vão trabalhar, acompanhava o pai no seu aparente emprego: roubar!
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Infelizmente perdeu-se uma vida… ainda por cima de uma criança. Mas eu sou daqueles que acredita e defende que a responsabilidade dessa morte tem de ser imputada ao pai e ao tio que não mediram as consequências do que estavam a fazer. Se um pai leva um miúdo que não sabe nadar para uma praia com bandeira vermelha, e o leva para dentro de água, não se queixe ao Correio da Manhã ou à TVI de que o miúdo se afogou porque não havia nadadores salvadores por perto. A mesma coisa se alguem se lembra de atravessar um sinal vermelho ou conduzir bebado... corre riscos e coloca outros em risco.
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Deve-se punir o pai daquele miúdo e ser ele acusado de negligencia. Quanto ao polícia que disparou, eu pessoalmente ilibo-o… a culpa deve recair totalmente no seu patrão, o Ministro da Administração Interna, que não acha necessário treinar os polícias a usar as suas armas de fogo em situação real. Os polícias não devem ter medo de usar a pistola quando tem de ser… mas depois tém uma completa obrigação de saber usar essa pistola. Não basta apontar e disparar, porque isso os bandidos tambem fazem... há a necessidade de ensinar e treinar esses polícias em situações concretas de acção na rua, como poe exemplo essas em os tentam atropelar.
O verdadeiro cry Baby
Antes de mais, o que é um cry baby? Bom, é um "bebé chorão"... há duas maneiras de definir os bebés chorões: 1) aqueles que fazem birra por que não terem o que querem e 2) os que fazem birra por não lhes darem atenção.
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Ontem, dia 31 de Julho, com toda a pompa e circunstancia foi noticiado que o nosso perspicaz presidente da republica, o senhoríssimo Haníbal Cavalo Silva, iria dirigir uma comunicação à nação "muito importante", pois só isso o faria deixar as férias no aconchego do Algarve para se deslocar a Lisboa.
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Viveram-se momentos de alguma especulação; o que iria ser comunicado? Será que, finalmente, o presidente da república iria tomar uma posição pública relativamente a um qualquer assunto realmente pertinente? iria falar da crise económica? iria demitir o governo? iria demitir-se a ele próprio? Nenhuma delas se comprovou...
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O nosso querido presidente veio à televisão falar dos açores e da inconstucionalidade do estatuto político administrativo da região autónoma dos Açores... não sei ao certo do que se trata, mas obviamente que compreendo pertinencia nesse assunto. O que não compreendo é porque raio é dado tamanha importancia a um assunto que ficaria bem resolvido nos parametros normais; o presidente anunciava o seu veto à coisa, a coisa voltava ao parlamento, a malta da política(açoreanos, governo, oposição, comentadores, etc) discutiria o assunto, as coisas passavam e tudo se resolveria.
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Ora, quis o presidente puxar assim as atenções de um verão parvo que temos por aí... a meu ver, procurando apenas uma "atenção" que poucos lhe dão. Porque raio é que sentiu o nosso estimado presidente necessidade de vir para a televisão anunciar o veto? Será que fez o mesmo noutras situações? Não!
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Por outro lado, vão haver eleições regionais dentro de pouco tempo... terá sido uma tomada de posição "partidária", na esperança de despoletar alguma resposta do PSD que lhe permitisse retirar um tipo qualquer de vantagem de visibilidade na campanha eleitoral que se avizinha na região?
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Eu acho sinceramente, o presidente procurou apenas chamar a atenção para si. Mostrando simplesmente arrogancia pura, no sentido claro de demonstrar uma simples "autoridade", que lhe foi efectivamente conferida nas últimas eleições presidenciais.
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Até ao momento tivemos um presidente sempre muito meticuloso nas palavras e nos assuntos que se lhe ouvia discutir. Aliás, o seu discurso tem sido sempre baseado no mesmo: salários altos dos altos quadros de várias empresas publicas, o desinteresse generalizado do pessoal na política e outras coisas, do meu ponto de vista, inócuas, pois ele próprio contribuíu para que as coisas estivessem neste ponto, por muita moral que apregoe.
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Esta declaração foi apenas e só uma chamada de atenção, num assunto que não tem assim tanta relevancia como que teria, por exemplo, um raspanete necessário ao senhor João Jardim pelos seus comentários pouco dignos para com a republica e para com o próprio presidente. Enfim, foi uma acção completamente despropositada. Ou talvez não, porque penso que irá sem sombra de dúvidas enviar faíscas que irão ser dolorosamente debatidas na campanha eleitoral, e sem dúvida que, serão aproveitadas para o PSD local ganhar algumas armas de discussão... ou seja, foi, para mim uma acção pouco relevante para os portugueses mas que revelou uma tomada de posição numas eleições regionais, às quais deveria o senhor presidente manter-se completamente isento.
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