Depois deste périplo fanatico sobre a melhor banda rock do planeta (os U2), é um retorno à calma. E agora, desligando as minhas atenções musicais e focando os meus sentidos na realidade em que estou inserido, dou por mim a ler jornais e a ficar demasiado apreensivo para com algo que é já apelidado por muitos de "Flagelo Nacional". . Estará o grande To Ginja a referir-se à Gripe H1N1?? Nepia, parece ser algo ainda mais a sério... Serão as eleições que aí vém e a crença na enorme bandalheira que está para chegar, e da qual já se sente o pestilento odor? Não, tambem não é isso... Bom então não sei o que será esse "flagelo nacional", dirão vocês. . Eu digo-vos que tambem não imaginava tal situação como sendo um "flagelo nacional", mas o gajo da ANAREC (Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis) acha... Segundo esse senhor, já são demasiados os casos de pessoas que abastecem combustiveis nos carros e vão-se embora sem pagar. E isso está-se a tornar um flagelo nacional, porque andam a roubar gasolina e gasóleo a gajos tão sérios como a Repsol, a Galp ou a BP, ou melhor, aos seus revendedores. Sim, porque, bem dita seja a verdade, esses não perdem nem ganham mais ou menos pois o que vendem aos revendedores não sofre quebras. Quem sofre efectivamente são os revendedores . Os mesmos que de vez em quando (vezes demais até) são encostados com a cabeça no chão com uma caçadeira apontada na fronha, que vezes demais acabam por levar um tiro ou umas boas cacetadas por gajos encapuçados que entram pelo cubículo onde estão para os assaltar. Mas aquilo que o presidente da ANAREC assume como sendo um "flagelo nacional" não é isso... é sim a afronta de haver cidadãos comuns, de cara descoberta, com as suas próprias viaturas, identificadas e legais, a "assaltarem" as bombas, enchendo depósitos e abalando sem pagar o que deveriam pagar. Esta é o Flagelo Nacional com o qual todos os portugueses se deviam preocupar. . Esqueçamos o facto da quantidade de dinheiro que as empresas gasolineiras e revendedoras roubaram aos portugueses praticando os preços que praticaram e continuam a praticar, na revenda dos combustiveis. Esqueçamos o facto de "ah o petroleo aumenta, temos de aumentar", em contraponto com o "ah, o petróleo diminui, temos de aguardar, porque é certo que daqui a uns tempos vai voltar a aumentar", para justificar as imediatas subidas de preços (acima do aumento do valor dos preços de petroleo) e as lentas descidas (abaixo da diminuição do valor dos preços de petróleo). O facto de estarmos a ser assumidamente roubados e explorados num bem que, infelizmente, é essencial para a nossa sociedade, não merece ser considerado como um flagelo nacional . Esqueçamos inclusivé o facto da roubalheira que é nós termos de entrar numa autoestrada, pagarmos a portagem e, se eventualmente quisermos abastecer o carro ou o estomago, termos de pagar preços inflacionados, apenas e só pelo facto de estarmos numa designada via, via essa que terá sido paga com dinheiro dos contribuintes e que, de momento, é explorada por empresas privadas que pagam renda e impostos ao estado de forma a terem o direito de explorar uma infraestrutura construída com dinheiros publicos. Não, isto tambem não é um flagelo nacional, nós estarmos a pagar uma coisa e depois termos de pagar ainda exurbitantemente para dela usufruír. . É triste haver quem perspective as coisas para crucificar quem rouba para comer e não quem rouba o comer a quem dele precisa...
Foram três os concertos protagonizados neste fim de semana em Dublin, um regresso a casa dos U2... eu só fui ver o terceiro, considerado por muitos como o melhor dos três. . Foi impressionante. Uma cidade inteira preparada para receber o grupo. Todos os pubs com tema relacionado com os U2, toda a música que se ouvia nas ruas a ser dos U2, muita gente com camisolas dos U2, etc, etc... O espectáculo começou às 18h30, hora certas, com a abertura feita pelos Bell X, um grupo irlandes que vai dando os primeiros passos. Interessantes, muito interessantes, e estremamente eufóricos com o facto de estarem a abrir um concerto dos U2. Como foram os primeiros a abrir, a coisa ainda não estava composta, com muito boa gente ainda a entrar no estádio ou, já lá dentro, a regar a espera com alguma cerveja nas plataformas de acesso às bancadas. . Depois dos Bell X, foi a vez dos Script. Tambem eles uma banda relativamente recente, mas na grande verdade um grupo que, por si só, seria capaz de encher aquele estádio. The Man who can't be moved é um grande exito, cá em Portugal e lá na Irlanda tambem. Deixo o video cá em baixo dessa música, porque foi espectacular tambem, e fez logo advinhar a euforia que aí vinha quando Bono, Edge, Larry Mullen e e Adam Clayton começassem a tocar. .
. (só para chamar a atenção... eu estava na bancada em frente do sítio de onde este bacano fez o video... e se olharem com atenção quando os gajos, no ecrã gigante, filmavam o baterista, apanhavam-me sempre) . Depois dos The Script deu-se uma pausa, de cerca 20 minutos, com os preparos para a entrada dos mais esperados. . As primeiras 4 músicas estava escrito quais seriam: Breathe, No Line on the Horizon, Magnificient e Get on your Boots. Depois foi a primeira mensagem à malta, com um reparo aos muitos estrangeiros que vinham de fora para assistir de propósito ao concerto. E realmente eramos muitos. Aliás, à minha volta tinha franceses, checos, holandeses, espanhois e brasileiros. E só mesmo num cantinho, encostado à bracadeira de protecção, lá estava um casal irlandes com um puto de aí uns 8 anos. . Beautiful day veio a seguir à série "No line on the horizon". E logo depois, uma estreia neste tour, uma das mais aclamadas e uma das que mais gosto, por ser daquelas que trás à baila o talento dos 4. Instrumentalmente é puxada é fenomenal ver a versatilidade de Edge no piano e na guitarra e ele sempre muito bem acompanhado por Adam Clayton e Larry Mullen. Bono quase que tem um papel secundário nesta música. Aqui fica a versão lá tocada. .
. E no seguimento, chegou a I Stil Haven't Found What i'm Looking For, e a partir daí foi sempre a arrebentar. Stay (Far away so close), só com Edge na guitarra e Bono a cantar, lado a lado, pelas plataformas. Chega a vez de Unknown Caller, The Unforgettable Fire, que já tem sido repetida (felizmente) nestes concertos e uma das que mais queria ouvir ao vivo. E depois a melhor sequencia. City Of Blinding Lights, com uma passagem espectacular para Vertigo e depois a versão remix de I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight, uma verdadeira loucura entre a multidão, que deixo estampada cá em baixo. .
. E eis que chega uma das mais esperadas: SUNDAY BLOODY SUNDAY, com imagens de fundo sobre a situação que atravessa o Irão e um desbotar da cor Verde, cores do Irão. Terminada esta, novo som do passado. Pride in the name of love, com um refrão gritado pelas 60000 pessoas que estavam no estádio em delirio. Seguiu-se MLK e Walk On, um dos temas mais fortes da noite. Durante a performance, os voluntários da Amnistia Internacional, que percorreram as ruas de Dublin e, próximo do concerto, os arredores do estádio, procurando donativos (que eu não dei, como é hábito... sou um tramboco), puseram as máscaras de Aung San Suu Kyi, o rosto da oposição à ditadura militar que aflige a liberdade do Myanmar, ou Birmania. . Era a fase da solidariedade. No seguimento de Walk on, falou o bispo sul africano Desmond Tutu, premio nobel da paz. Agradeceu a força de todo o mundo pela forma como conseguiu obrigar os a Africa do Sul a abraçar a democracia e a igualdade e refere tambem a importancia que tem continuar a luta para que o mesmo se passe na Birmania, no Irão e em todos os países em que tal é necessário. E era dado o pretexto para Where the Streets have no name. .
. E terminando o alinhamento normal do concerto, a "One Campaign", que começava com as luzes do estadio apagadas (ou menos intensas) e toda a malta a levantar os telemóveis e a mostrar a sua luz. Dá um efeito muito engraçado, como Bono lhe chamava "our own Milky Way", em português a nossa via láctea. E era dado o mote para a One, considerada por muitos uma das melhores músicas do século passado .
. Tocaram ainda uma versão linda de Bad e disseram adeus, para voltarem logo a seguir para um encore, quanto a mim fraquinho... mesmo assim, Ultra Violet, With or Without you e Moment of Surrender, com a qual fecharam o concerto. .
. Um grande concerto, que valeu a pena... fico à espera da sua vinda a Portugal, que GARANTO, vou ver!! Nem que tenha de fazer duas ou três directas à cata de bilhete... . E com este voto termino esta série Road to Dublin, naquele que foi, sem dúvida, o melhor concerto que eu já assisti, em toda a minha vida (e já foram alguns). Grandioso em tudo.
O Grande To Ginja, na Blogosfera!!!
Manifestos já eram, mas outras coisitas vão estar presentes agora neste espaço.
Aquela crítica pouco perspicáz e muito inócua, incentiva a que uma matracada de malta se complete como fã por todo o mundo e arredores... ou não!!!
Viva o Grande To Ginja!!!
PS.: Diz que na International Space Station, já fizeram zapping pelo blog... quem o diz não é pessoa muito séria nestas coisas, mas nunca se sabe e sempre pode trazer publicidade extra