domingo, janeiro 30, 2011

A ditadura democrática

O que todos nós, no ímpeto sabiamos ser mais provável, aconteceu: Cavaco foi eleito à primeira volta. Eu confesso que estava à espera que as alternativas fossem capazes de roubar essa eleição à primeira volta do Cavaco, mas estava enganado... ou melhor, no fundo tambem sabia que essa hipótese era algo remota, mas acreditava ser possível.
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E nada mais há a dizer... vamos continuar com o sujeito que durante mais tempo permaneceu em lugar de poder, no nosso país. Foi 10 anos primeiro ministro e prepara-se para ser 10 anos presidente da república. Nada mais a para dizer.
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Cavaco foi sempre um oportunista, aliando sorte e saber. Aproveitou uma moção de censura, em 1987 para fazer caír o seu governo minoritário e para ser reeleito com maioria absoluta, permitindo-lhe governar com uma liberdade então única na jovem democracia portuguesa.
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Foi ele que criou o IRS e o IRC. Foi ele que começou a privatizar as várias empresas públicas. Gostaria que se verificasse, que empresas compraram que empresas, e que pessoas faziam de "testa de ferro" dessas tambem empresas. Liberalizou-se a Comunicação Social (nasceu a SIC, imaginem lá, de um tal Francisco Pinto Balsemão). Reformas nas leis laborais e agrárias. Entrou muito dinheiro da então CEE e começou tambem a entrar mais dinheiro, fruto de cada vez mais impostos e cada vez mais taxas e contribuições dos contribuintes, o que permitiu empreender dar início a grandes projectos de obras públicas. Centro Cultural de Belem, com uma derrapagem de quase o dobro do custo inicial, é um claro exemplo. Ponte Vasco da Gama, com outra "derrapagem" enorme (embora aí, responsabilidades partilhadas com governo PS), Linhas férreas nas áreas metropolitanas de lisboa e porto e melhoramento das ligações longo curso, Auto estradas com fartura, entre outras coisas. Coisas boas, coisas más, coisas boas para os amigos.
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Do ponto de vista das coisas boas, houve muitas que ainda bem que se fizeram. A ponte vasco da Gama e a requalificação na zona oriental de lisboa, foi muito bom. A requalificações das grandes vias de comunicação. Uma televisão privada. Entre outras coisas, foram boas medidas, boas opções. O que é certo é que, apesar da certeza de se terem tratado de boas opções, é clara a forma como se aproveitaram tais acertos para encher o bolso a amigos, "vendendo-lhes" parte dos trabalhos e acabando por pagar mais caro, permitindo-se assim as chamadas "derrapagens" nada subtis, extraviando verbas que tanta falta nos fazem agora. Muitas vezes, quando se podia pagar 20, chegava-se a pagar 60... e começou aí (não acabou) a doença que aflige, actualmente, o nosso país. O esbanjamento das contas públicas.
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E o problema reside exactamente nesse problema que é o facto de que o seu governo ter "estreado" os nomes de políticos que lucaram bastante com a própria política. Alguns só pelo facto de terem sido nomeados para uma qualquer função de chefia numa associação, fundação ou mesmo empresa do estado, ganhavam o direito de reforma. E são muitos, nesta altura, sobretudo antigos e correntes membros/amigos do PSD, que se aproveitaram desse facto e agora podem descansar com 2 ou 3 pensões de reforma milionárias. Facto é que sujeitos como o Pedro Santana Lopes, tachista de profissão, só começaram a surgir depois da maioria absoluta PSD/Cavaco Silva, e agora não são poucos os que, aos 50 anos, já gozam na plenitude de uma reforma dourada... outros nem depois de reformados, aos 65, podem parar de trabalhar...
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Os hábitos criaram-se nessa altura e como uma verdadeira doença, disseminaram-se pela sociedade portuguesa. E veio o governo PS, e a coisa manteve-se... voltou um governo PSD, e manteve-se... e agora colhemos os efeitos a longo prazo que, a natureza humana, egoísta como é, se recusa a mudar. Pudera, quem pode mudar esse estado de coisas, é quem está ou vai estar beneficiado por elas. Então, os outros que cortem os seus ordenados, os outros que paguem impostos, os outros que se fodam... Vivemos numa ditadura democrática. Ditadura porque, apesar de contraditório numa democracia, as águas e os ventos de mudança estão parados, sem sítio para correr. Vivemos parados no tempo durante uns necessários 40 anos. E estamos tambem parados no tempo há já 20 anos, e continuaremos enquanto um povo não voltar a perceber que, como antes do 25 de abril, continua a ser um peão nas mãos de meia dúzia de sujeitos.
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Esta não é certamente a democracia badalada, mas talvez seja aquela que nós, portugueses, merecemos ter... como mais uma vez demonstramos, elegendo para o seu último mandato e cargo político, Hanibal Cavaco Silva, o símbolo desta democracia que gangrenou no momento em que se lhe assegurou a primeira maioria absoluta no parlamento.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

O que vai mal na política em Portugal?

E eu diria até, no mundo todo... a política é uma ficção, um enredo, um filme com argumento e os políticos são claros actores, que defendem não ideias nem ideais, mas sim bolsas, bolsos, tachos e tachismos. Falta realismo, falta moralismo e falta, sobretudo, liberalismo.
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Estamos em plena Campanha Eleitoral. Nenhum dos candidatos se mostra audaz o suficiente para se comportar sem seguir, à risca, um qualquer cadernos de "bons costumes" e de "bons dizeres". Só o cúmulo de verificarmos as mesmas frases, ditas e repetidas sempre com o mesmo enfase, de manhã, à tarde, ainda à tarde, para uma RTP, uma SIC ou uma TVI, uma TSF, uma Antena 1, etc, etc... São autenticas cassetes.
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Há pouco estava a ouvir o discurso do Manuel Alegre, feito ontem num comício... hoje, a ser entrevistado em directo para a RTP, repete tim tim por tim tim as mesmas palavras, as mesmas frases que ontem lhe valeram aplausos no mesmo comício. Isto reforça que os políticos grandes, não tém cabeça própria, seguem um guião. Foi um exemplo claro do que não se quer na política.
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O que está mal na política em Portugal, são as cassetes, que tiram credibilidade aos políticos. É o oportunismo onde quando cai uma pedra em cima de alguem, logo surge outro a dizer que a culpa é de alguem (que não ele). Portugal está como está, porque os políticos não se preocupam com o país onde vivem. Preocupam-se com cotas, com lobys e com interesses partidários, interesses esses que camuflam sim senhor os interesses de algumas (demasiado poucas) pessoas, mas com capacidade para influenciar outros. Seja com Acções de uma empresa criada para usurpar dinheiro de cidadãos, com casas no Algarve, com negócios no Qatar, na Venezuela ou em Angola, negócios da China, mesmo em Portugal (SCUTS e auto-estradas desnecessárias, Cais de Contentores em Alcantara, etc).
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São as mensagens vãs de campanha eleitoral, de ameaços ilusórios que diz ser possível as coisas piorarem se não for eleito um candidato à primeira volta. São as acusações gratuitas e infundadas que se fazem livremente sem consequencias. São as refutações infundadas às acusações com argumento, que se fazem de forma livre de pudor e de ética.
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Resumindo, o que está mal na política em Portugal é a fórmula barata e gratuita de transformar verdade em mentira, mentira em verdade, o bom em mau, o mau em bom, o certo no errado e o errado no certo. Não há políticos sérios em Portugal, porque em Portugal, quem é sério, não pode ser político...

quinta-feira, janeiro 13, 2011

O Fim da Macacada...

... só vai ser daqui a dez dias, quando forem as eleições presidenciais. Até lá, vamos ter um presidente em campanha, tomando uma posição agora contra o governo, que não foi capaz de tomar em tempo útil. E fá-lo agora, porque acha que pode ganhar votos com isso. A grande verdade é que quando Cavaco Silva diz, por entrelinhas para poder dizer que não disse, que até pode dissolver o parlamento e convocar eleições, a verdade é que tambem o poderia ter feito quando ainda não estava em campanha.
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Fá-lo agora, como o faz toda a oposição... o país está mal, foram tomadas medidas que nos afectam a todos. O grande mal do país não está nas medidas que foram tomadas. Está no estado a que o próprio país chegou para se terem de tomar essas medidas. O governo tem culpa, porque teve uma maioria absoluta e não soube resolver os despesismos que deveria ter resolvido. E dificilmente o conseguirá fazer com uma maioria relativa. Teve muita culpa porque tomou decisões despesistas, que vieram ajudar apenas uma franja de empresas, como por exemplo no caso das SCUT, em que foi criado um sistema que é uma "mina de ouro" para quem gere as estradas (ascendis, Brisas, etc, etc...). Teve muita culpa porque, demasiadas vezes, beneficiou negócios que trariam mais benefícios a algumas grandes empresas (e seus administradores e CEOs) e poucos para a população.
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De uma vez por todas, é nisto que quem faz oposição se deve aprontar. É chato não haver dinheiro e ter-se de ir à procura dos centimos nos ordenados do final do mês, nos impostos e em tudo o mais. Mas quando não há dinheiro, é o que se tem de fazer. Agora, a oposição em vez de atacar e ser contra estas medidas, deve é lutar para acabar com os despesismos do estado, A COMEÇAR COM AQUELES QUE BENEFICIAM OS DEPUTADOS, OS APOIOS AOS PARTIDOS POLÍTICOS, A TODOS AQUELES QUE, POR 4 ANOS DE MANDATO NUM CARGO PÚBLICO QUALQUER, GANHAM DIREITO DE SE REFORMAR COM BRUTAS PENSÕES, E ÀQUELES QUE DE TACHOS EM TACHOS, DA ESQUERDA à DIREITA, CONSEGUEM SER REFORMADOS AOS QUARENTA ANOS, COM AS MESMAS BRUTAS PENSÕES.
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Devem, acima de tudo, não permitir que, na política, um agente reformado possa conciliar pensões de reforma com um vencimento qualquer num cargo público. E exemplos desses não faltam, em qualquer partido com assento na assembleia.
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E o querido presidente, Cavaco Silva, é um caso desses, que aurefere as tais brutas pensões de reforma com vencimento enquanto presidente. É um dos que contribuíu à grande para esta crise que nós temos. Ele então, não tem moral nenhuma para vir, agora, dizer que não terá medo de criar uma crise política... mas o que é certo é que já teve. Ou melhor, não teve... só que, na altura, não convinha muito aos seus amigos no PSD. E aqui está o cerne da questão. Certo ou errado, a verdade é que Cavaco Silva, se tinha intensões de demitir o governo, que o fizesse, não quando convinha ao seu partido, não quando convinha à sua eleição, mas sim quando ele verificasse ser conveniente para o seu país. Na minha opinião, não se justificava então e não se justifica agora. E isso é o que o Presidente deveria dizer em campanha, que mais do que dar mostras ao mundo de um portugam dividido, dar sinais sim de que todos os quadrantes políticos estão unidos para darem a volta ao rumo das coisas.
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Que o real fim da macacada seja dado sempre, e não em dias de eleições

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Vamos todos comer palha

Portugal importa mais de 60% da carne que os cerca de 10 milhões que cá existem consomem. Este número não é surpreendente... no entanto surpreende o seguinte. Nos últimos dez anos, o défice da nossa balança comercial alimentar disparou 23,7 por cento.
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Cada vez mais estamos dependentes do estrangeiro para os nossos comes e bebes. Há várias razões para isso. Há produtos que, de outra forma, não poderíamos consumir, por não se darem em Portugal. Mas sobretudo, há produtos que, vindos de fora, são mais baratos que os nacionais. Depois há a velha questão das limitações impostas pela União Europeia, para que não sejam produzidos determinados produtos, incentivando que, em contrapartida, se produzam outros.
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Na prática é assim: Portugal só pode produzir, imaginemos, 50 tomates. Em Portugal havia infraestruturas para produzir 60. É dado um subsídio para compensar o facto de não se poder produzir esse extra de 10. Por outro lado, abre-se uma porta. Podem produzir os 60 beterrabas.
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Ora, muitos agarraram-se aos subsídios e não se expandiram. Compraram bons carros, melhoraram as casas, etc, etc... investiram nas suas "personas". Outros, poucos, intestiram para produzir as tais 60 beterrabas. Mas como não conseguiram chegar às 60 beterrabas, não conseguem vender a um preço "competitivo". Ficam mais caros, não vendem tão facilmente. O produto estrangeiro é mais barato e vende-se melhor. Incapazes de vender a um preço que lhes dê o lucro que eles querem, alguns preferem deitar fora o produto. Outros, vendem ao preço que lhes pedem, baixam as margens de lucro.
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Ora, tudo está mal quando se criam limitações, num mesmo mercado, à produção de produtos alimentares... Se há coisa que as pessoas precisam é de comer. Dar subsídios para não se produzir, é um princípio erradíssimo. Conseguem assim controlar, de alguma forma, os preços de determinados produtos mas, como se verifica agora, levantam o interesse em produzir e permitem-se ser ultrapassados por outros mercados, que ao mesmo tempo, se tornam mais competitivos.
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Há dois efeitos contrários, que se começaram a sentir anos mais tarde deste tipo de acontecimentos: Não só deixamos de produzir, como tambem nos hipotecamos quando ficamos dependentes dos outros para comer. É o que se está a passar agora. Há um aumento generalizado os preços dos alimentos, no mercado internacional. Este ano, não basta o aumento do IVA, vamos ter tambem um aumento nas matérias primas e nos produtos alimentares. Tudo vai ficar bem mais caro.
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Se quanto aos combustiveis, infelizmente Portugal não produz petroleo, quanto aos alimentos, confesso que será difícil Portugal ser completamente autosuficiente, ou seja, conseguir produzir o suficiente para não ter de importar nada. A grande verdade é que nunca o foi capaz de fazer, em toda a sua história. Mas uma coisa é precisarmos de importar 20% ou 30% para sobrevivermos... outra é estarmos dependentes em 60%.
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Assegurar monopolios é um risco grande. A industria do petróleo e dos combustiveis já funciona dessa forma. Apesar de várias empresas em concorrencia, a verdade é que a ocupação de determinados espaços é o que determina, aí 60% das vezes, onde é que cada um vai abastecer. Logo, não há necessidade de criar discrepancias muito grandes entre preços... não há concorrencia, na verdade. Infelizmente, o governo não toma medidas para evitar a roubalheira que todos os dias os portugueses sofrem pelas empresas gasolineiras. Agora, permitir que o mesmo se passe no açucar, no cereal e nos diversos produtos alimentares, é encomendar, a longo prazo, uma crise social muito mais drástica e uma consequente revolução.
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Ah, já agora, quem permitiu, inicialmente, que a industria de produção alimentar entrasse por este caminho descendente, foi o nosso actual presidente da república, quando foi primeiro ministro... Começou com ele, com medidas por ele tomadas, para permitir outras coisas, a queda e a mudança de rumo de muitos dos nossos produtores agrículas, piscículas e pecuárias. Um país essencialmente agrícola, em dez anos Cavaco perdeu essa sua força, sobretudo porque se entendeu não valorizar a evolução dessa industria, optando-se pura e simplesmente pelo seu abandono...

domingo, janeiro 09, 2011

Oportunismo... lá em baixo

Dei o mote ontem, falando um pouco por alto de oportunismo, oportunistas, oportunidades e oportúnios. Não quero que voces que são uns bacanos entendam o texto de ontem como uma crítica exclusiva ao Cavaco Silva. Não, nada disso. Acuso-o directamente de ser e de ter sido um oportunista, de ter criado variadíssimos tipos de oportunidades para diversos oportunistas e por se dar ao luxo de se manter apetecível para os oportunistas que dele procuram (ainda) depender. Mas frisei ontem e hoje repito: não é caso único.
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Este termo está intrínseco na nossa sociedade. É uma doença que nos está a levar para um sítio que ninguem sabe bem como é. No entanto, os efeitos a curo prazo estão já à vista.
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Ora bem, tudo começa com as oportunidades que os diversos governos vão dando a muita gente. E dessas oportunidades, muitos são os oportunistas que se apoderam de uma certa "boa vontade" e que acabam por danificar os bons efeitos de algumas medidas. E esses oportunistas não são sujeitos de fato e gravata e pastas de couro preto e botões de punho em ouro em ouro e relogios de pulso topo de gama. Não, os primeiros oportunistas que aparecem e que estragam o que é correcto, são aqueles que procuram explorar o estado com os rendimentos sociais de inserção, com as baixas fraudulentas, com os abonos de família, etc, etc, etc...
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Acho bem que o estado apoie quem tem pouco e quem não consegue muito. Acho mal que muitos simulem ter pouco e não conseguir muito, para poderem receber esses apoios que o estado dá. Acho bem que, em caso de doença, um trabalhador possa ficar sem trabalhar e o estado possa apoiar esse trabalhador. Acho mal que alguns trabalhadores se metam de baixa com a maior das facilidades e, grande parte das vezes, com saúde suficiente para não o fazer. Acho bem que as crianças de famílias mais carenciadas tenham acesso a abonos de família e apoios de educação, acho mal que muitas famílias simulem ser carenciadas para receberem esses abonos e esses apoios. Acho bem que um desempregado receba um subsídio de desemprego por algum período de tempo que lhe permita arranjar outro emprego. Acho mal que muitos se aproveitem ao máximo desse subsídio sem procurar emprego próprio. Acho bem que, nas autoestradas e vias rápidas exista uma via de segurança, para circularem veículos em marcha de urgencia. Acho mal que essas mesmas vias sejam usadas, muitas vezes, por oportunistas que querem ser mais espertos que os outros para chegar uns minutos mais à frente dos outros que estão nas filas.
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O Oportunismo está intrínseco na maioria dos indivíduos da nossa sociedade. E está nos elementos das camadas mais baixas. O socialismo segrega oportunidades, mas é corrumpido pelo elevado número de oportunistas que delas se monopolizam. É claro que quem tem pouco merece um pouco mais, pela sua dignidade. Mas o indivíduo deve tambem ele lutar pela sua dignidade e não viver às custas dos outros. O comunismo não funciona porque há sempre quem se esforça mais que outros, e esses merecem, claro está, ter mais. E esse é o engano do socialismo: esqueceu-se de valorizar o esforço. E esse é tambem o principal problema de Portugal.

sábado, janeiro 08, 2011

Negociatas "perfeitamente normais"

Antes de mais, vou ser directo: Sou absolutamente "anti" Cavaco Silva. Foi um péssimo primeiro ministro, está a ser um mau presidente e sempre me convenci de que foi um oportunista e aprovou as oportunidades e o oportunismo dos "yes men" seus amigos oportunistas. Quanto a este último assunto, é certo que este oportunismo está intrínseco em todos os governos.

Foi mau primeiro ministro porque permitiu que, após a entrada na então CEE, parte dos fundos europeus fossem utilizados para luxos e bolsos de e com conivencia de compadres seus, entre outras coisas...

Foi um mau presidente porque calou-se quando não se devia ter calado e falou quando menos devia. Não me esqueço de 3 episódios: 1) interrompeu as suas férias para tomar uma posição contra um tal assunto com os Açores, que contradizia a opinião vingente e tomada certa na Assembleia da República, num dos raros momentos de unanimidade; 2) tomou uma posição nas legislativas, procurando um caso de escutas em que se demonstrou ser uma embrulhada autentica e uma falsa realidade, ou seja, uma autentica mentira; 3) Não interrompeu as suas férias para prestar a sua homenagem ao único prémio nobel da literatura, personagem que o seu governo censurou, no início dos anos 90.

Quanto à questão dos oportunismos e das oportunidades, como disse, é intrínseco que surja com malta que está nos governos. E parece-me lógico que tal aconteça. Um sujeito que deixa de ser ministro, precisa de trabalhar para sobreviver. O que não me parece tão correcto é que, por exemplo, o gajo que permitiu um aumento brusco de portagens na Ponte 25 de Abril, provocando os desacatos que provocou, ganhe um "lugar cativo" no conselho de administração da LUSOPONTE, anos depois disto. Mais parece um prémio por "bom comportamento" do que outra coisa. Para mostrar uma parte da minha isenção, falo tambem do Jorge Coelho... Ministro das Obras Públicas e, mais tarde, CEO do grupo Mota Engil. Outro prémio por "bom comportamento".

Obviamente que se algum destes se candidatar ao que quer que seja, não contaria com o meu voto. Um pouco disto se passa com o Cavaco. Para além do demérito transformado em mérito por parte de uma colecção de gente, mas que em mim está intrinsecamente guardado, sempre para memória futura/presente (ao contrário de muita gente que tem memória curta), há tambem as velhas questões do BPN.

E o BPN não é uma falta questão... Comecemos do fim para o princípio. Ora, Oliveira e Costa, um antigo braço direito de Cavaco Silva, foi constituído arguido e delineado como um dos principais responsáveis pela gestão danosa do banco. Ora, no início do milénio, Oliveira e Costa vendeu, por um valor abaixo do valor real das acções, umas acções ao messias Cavaco Silva. Mais tarde, essas mesmas acções foram compradas pela SLN, averbando um lucro de 140% ao Cavaco Silva. Um chamado "negócio da china".

Curiosamente, os próprios já assumiram que os valores conseguidos neste negócio seguiram para o orçamento de campanha para as presidencias de 2006.

Resumindo... Foi feita uma "doação" à revelia do correcto, por parte de sujeitos que, possivelmente, queriam tomar parte (no lugar de outros, claro está), dos tachos, das oportunidades e dos oportunismos inerentes a qualquer função de estado. E é claríssimo que houve uma tentativa de beneficiar o antigo mestre, num negócio pouco claro, para futuro aproveitamento, fosse ele qual fosse.

Concluo para chamar a atenção do que é correcto. Esta não é uma situação única. Acontece ciclicamente com agentes PSD ou PS, em legislativas, em presidenciais ou em autárquicas. E a política só sobrevive com estes lobys, lobys esses que já ultrapassam a própria política (vide o que se passa ao nível do desporto). E cada vez mais a nossa sociedade vive deste tipo de relações, destas oportunidades e oportunismos de pessoas que se encostam, que apoiam, que permitem, com um objectivo de ter, curto, medio ou longo prazo, uma qualquer contrapartida pouco clara.

Se alguem quer ser presidente da república ou primeiro ministro tem de ter a decencia de não estar envolvido nestas relações pouco claras. Ou pelo menos, ter a decencia de as manter ocultas do domínio público. E disso, o Cavaco já não se livra...

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Regresso com "mira"

Pois é! Voltaram os posts ao blog da Ginja. Já perdi a vez às quantidades de vezes que o blog faz um regresso. O último post foi em 10 de Março de 2010, pelo que, já lá vai um belo período de tempo sem nada escrito.

Ora, regresso hoje e, vamos a ver, tá na forja um novo post, mais adensado para hoje ou, mais tardar, para amanhã.

Não sei o que vai ser deste regresso, se será efémero como foram os anteriores, ou se vai ser mais continuado. Mas tambem isso não interessa para nada.

A todos vocês que até seguiam esta coisa, até já!!

PS.: Vou ser claro: o meu candidato é o Manuel Alegre...