quinta-feira, agosto 11, 2005

Férias!!

Sim... vou de férias!!

Posts, só a partir de dia 22

Fiquem bem e divirtam-se!!

sábado, agosto 06, 2005

Reflexão (continuação do Post Anterior)

Durante 50 anos, fez-se cingir a ideia de que a utilização das Bombas Atómicas foram absolutamente necessárias para que a guerra terminasse mais depressa, já que o Japão não tinha interesse em terminar a guerra com uma capitulação e estava preparado para lutar até ao fim. Mas nos últimos 10 anos, a ideia que se solta é bastante diferente. Consta que, durante o mês de Julho de 1945, Hirohito enviou emissários a propor à URSS que mediasse junto de americanos e ingleses, o fim das hostilidades. Foram também "soltas" ideias vagas de que o Japão queria encontrar uma solução para o fim da guerra. Verdade também que todos sabiam que o Japão não queria sofrer a vergonha de uma "derrota" nesta maldita guerra. Não há honra na rendição. Não há dignidade nem valor numa capitulação. Era isto que baseava a estrema vontade dos militares japoneses de lutarem pela sua nação, relegando as suas vidas para segundo lugar.
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Não quer dizer com isto que eles não quisessem a paz... Talvez não a procurassem com a definição pretendida pelos aliados, mas eles não suportavam mais esta guerra. Já não havia combustível para os aviões. Já não havia aviões. Já não havia barcos. As munições estavam esgotadas. Praticamente não tinham meios para continuar a combater. Como disse anteriomente, a única arma prática que restava aos japoneses era a determinação com que lutavam sem, rodeios, os americanos. Muitos japoneses morriam fruto de bombardeamentos dos aviões ameridanos. Mas a maior parte morria já de fome e de doença.
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Os japoneses eram uma nação moribunda. Apesar da determinação em querer lutar até ao fim, eles próprios sabiam que a derrota e uma capitulação eram inevitáveis. Poderia durar um dia, um mes, ou um ano. Mas sabiam que não havia chances de vitória. Hirohito sabia disto, e já preparava terreno para uma capitulação que fosse o mínimo humilhante possível. O próprio príncipe (filho do imperador) foi enviado para solicitar a Staline que mediasse o fim da guerra.
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Os americanos também sabiam que era uma questão de tempo até a guerra terminar e que era inevitável a sua vitória. O que queriam evitar a todo o custo era uma invasão do próprio Japão, pois sabiam que a resistencia interna seria quase insuportável e muito custosa, do ponto de vista de vidas humanas. Isto mobilizou Truman a procurar na Bomba Atómica uma solução menos custosa e mais rápida para acabar finalmente com a guerra... Mas terá sido apenas esta a razão?
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Como já disse, o próprio Hirohito estava a preparar terreno para a inevitável capitulação. Stalin comunicara aos outros chefes aliados, em Postdam, desta iniciativa japonesa... partida do próprio imperador, que enviara alguem da sua família. Era um sinal que a paz estava ao alcance, não de mais matança, mas de conversações. Os americanos estavam determinados a uma "rendição incondicional" por parte dos japoneses. Não tolerariam qualquer tipo de condições nessa capitulação.
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Mas o povo japones continuava na amargura e estava a morrer lentamente, sem comida com fracos meios de subsistencia, fruto de um "cerco" e bloqueio cerrado que os aliados elaboraram. Estimava-se que, mesmo sem invasão do Japão, este capitularia em meados de Outubro, por já não aguentar, por muita determinação que os mais obcecados tivessem.
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Claro, era uma estimativa... que não foi valorizada. A guerra tinha de terminar o mais rapidamente possível. E com uma arma daquele calibre, ela haveria mesmo de terminar. E havia outro motivo para usar a bomba. Todos sabiam, já naquela altura, que Stalin não era de confiança. Eram aliados, mas todos sabiam que os interesses de Stalin não se limitavam à "reconquista", mas também à "conquista", não apenas terras mas sobretudo de influencia e gestão. A 2ª Guerra Mundial terminou na Europa, os vitoriosos celebraram em conjunto, mas ficou no ar um sentimento de que a guerra poderia ter uma continuação. A qualquer momento, as tropas da URSS estavam prontas para entrarem em território sobre administração Britanica, francesa ou americana. E todos sabiam que os meios presentes na Europa eram claramente desiquilibrados para o lado da URSS. Caso esta quisesse, não haveria dúvidas que poderia continuar a sua marcha pelo resto da Alemanha, prolongando ou iniciando uma nova guerra. Tal não aconteceu, é certo, mas muitos temiam que tal pudesse acontecer.
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A bomba foi usada para duas razões: terminar a Guerra mais depressa e com "menos custos" para os aliados... e sobretudo para dar a conhecer à URSS e ao Mundo o verdadeiro poder desta nova arma... que não hesitariam a usar sem problemas contra os seus inimigos.
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Passados 60 anos, a discussão sobre a necessidade de usar esta arma sobre as duas cidades japonesas mantém-se. Muitos não tém dúvidas que era inevitável o uso da bomba. Outros acreditam veemente que foi desnecessário. Entretanto houve uma "guerra fria", em que as duas maiores potencias militares do mundo se intimidavam mutuamnte com o seu poder nuclear. Aquilo que evitou um desastre maior, foi a imagem de ver Hiroshima e Nagasaki renascidas em Nova York ou Moscovo, em Londres ou em São Petersburgo (na altura Leninegrado), em Paris ou em Kiev. Felizmente, Hiroshima e Nagasaki não se repetiram. O confronto entre as duas potencias não passou de uma "Guerra Fria". Mas o medo do nuclear perdura e cada vez mais, países desejosos de entrar no clube, vão procurando criar a sua primeira bomba.
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A memória de Hiroshima e Nagasaki nunca serão esquecidas... se foi algo inevitável ou não, já não tem interesse. Aconteceu e teve repercussões em todos os níveis... e isso é tudo o que nós, actualmente, temos a lamentar e, por irónico que pareça, agradecer...
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Foi há 60 anos... o dia em que a humanidade tomou consciencia de que tinha o poder divino de se extinguir... mas não o direito! Esperemos que todos os seres humanos tenham esta consciencia, para o bem de todos nós...

Chuva Negra

Começava uma manhã de verão, naquela cidade massacrada (como tantas outras) pelos anos de sofrimento que já havia atravessado, fruto de uma guerra imperialista que estupidamente os seus governantes, dotados de uma doentia vontade de ser maior à conta dos vizinhos infelizes, levaram a efeito. Ninguem adivinhava um final assim. Muitos foram os que o lamentaram, e continuam a lamentar... mas lamentavelmente, muitos foram os que o aplaudiram...
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Para falar de um fim, torna-se imprescindível contar como começou. Durante meados dos anos 30 (do século XX), o Império Japonês, dava início a uma política Imperialista de conquista e exploração dos territórios vizinhos. Nessa altura, os EUA, que eram uma potencia Militar, Industrial e comercial já fomentava alicerces naquela região (as Filipinas eram território dos EUA), seriam, não os únicos (China e Gra Bretanha mantinham interesses também), mas os principais opositores e aqueles com maior força para contrariar as iniciativas de expansão do Japão. Ora, com o objectivo de "rasteirar" a capacidade de reacção da Força Militar Naval dos EUA, os Japoneses fizeram um ataque surpresa à Base Naval de Pearl Harbour, no Hawai. Resultado foram cerca de 5000 baixas, entre mortos e feridos. A Marinha dos EUA no pacífico ficou coxa, mas não paralizada. O ataque não foi totalmente bem sucedido, mas permitiu algum "avanço" dos Japoneses na zona do pacífico Sul.
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Este ataque foi um ultrage e nos EUA clamou-se por vingança. A Segunda Grande Guerra, na altura disputada na Europa e Norte de África, dotava-se assim do epíteto de Guerra Mundial. Os EUA envolveram-se na Europa e tinham em mãos uma guerra também ela difícil no Pacífico.
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Em 1945, esta guerra chegava ao fim. Na Europa, em Maio, os alemães rendiam-se e os Americanos e Ingleses (que na altura tinham o maior Império do Mundo), podiam focar as suas atenções em derrotar o Japão, que estava já em situação de desgaste e queda. Nesta altura, a sua maior arma era a persistencia e dignidade. Render-se e perder a guerra estava fora de questão para os japoneses, mesmo que os meios disponíveis fossem amplamente inferiores aos dos opositores e a sua capacidade de desenvolvimento e produção estivesse a zero. No entanto, a persistencia fazia-os usar até as suas proprias vidas como arma. Os famosos Kamikaze, que davam a sua vida para embater os seus aviões em navios americanos.
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Iwo Kima e okinawa terão sido as duas primeiras parcelas de território natural do Japão, com cidadãos japoneses, a serem invadidas. Lá, os aliados tiveram um exemplo claro daquilo que os esperava no Japão. Mulheres e crianças, velhos doentes, todos eram "armas" contra os soldados americanos. Alguns armados apenas com bambu afiados, outros artilhados com explosivos, faziam-se rebentar. Outros preferiam simplesmente morrer a ter de se submeter à vergonha da derrota. No Japão, a população preparava-se já para a guerra que haveria de chegar ao seu país. Hirohito, o imperador do Japão, estava já num dilema: acabar de vez com o sofrimento do seu povo e aceitar humildemente a derrota ou continuar com os sacrifícios de milhares e prolongar ainda mais a dor e a tristeza da perda.
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No dia 16 de Julho, em Los Alamos, festejava-se o sucesso de uma experiencia efectuada: a maior arma alguma vez construída estava pronta a ser usada. Nessa altura, estavam em Postdam os líderes das potencias aliadas, que discutiam o que fazer com o Japão e o que fazer com a Europa, já a recuperar da guerra fatídica que teve de aguentar desde 1939. Truman, o presidente dos EUA, sabia que tinha em mãos a arma que acabaria de vez com a guerra... fosse de uma forma ou outra. Fosse com a rendição total dos japoneses, ou com a destruíção maciça das suas cidades e das suas gentes. E não precisava de entrar com nenhum soldado naquele país. Com isto, só tinha a ganhar, já que poderia terminar uma guerra sem o sacrifíco de mais vidas americanas.
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Foi enviado um ultimato ao Imperador, para que o Japão se rendesse incondicionalmente, sob a ameaça da destruíção total... O japão recusou...
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E então, no dia 6 de Agosto, um único avião voou sobre os mares e território japones. E sobre a antiga cidade de Hiroshima, soltou, em páraquedas, uma única bomba. Lá em baixo, as pessoas não sabiam o que era aquilo. Poucas se aperceberam sequer de que se passava alguma coisa. De repente, a 500 metros de altitude, um clarão de luz rompeu o céu e uma brutal explosão assolou a cidade. Imediatamente, cerca de 100 mil pessoas perdiam a vida... Outras mihares seriam afectadas pelos efeitos da explusão radioactiva. 80% dos edificios da cidade estavam destruídosAlguns momentos após a explosão da bomba, uma chuva negra, acída e radioactiva, começava a caír dos ceus. Estima-se que os efeitos da detonação tenha assolado cerca de 500 pessoas. Umas tiveram a sorte de morrer imediatamente. Outras, sofreram o lento desgaste de doenças provocadas pela radiação. Outras sofreram terríveis mutilações, também provocadas pela radioactividade. Só nesta cidade...
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Mas o governo japones continuava sem uma palavra acerca da rendição. Hirohito mantinha-se no meio de uma discussão dos seus conselheiros... uns que defendiam a rendição outros que mantinham a intrasigencia de lutar até à morte.
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Dia 9 de Agosto, seria novamente usada uma Bomba Atómica. Desta vez em Nagasaki. Efeitos identicos, mas uma cidade com menos gente. Mesmo assim, 300 mil pessoas sofreram directa ou indirectamente os efeitso da explosão atómica. Foi o que despoletou finalmente que Hirohito se levantasse do trono e tomasse ele a decisão de, honradamente, baixar as armas e render-se incondicionalmente.
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O Homem percebe e aceita, mas muitas vezes ignora, que corre o constante risco de ameça de Tsunamis, Terramotos, cometas, vulcões e que um dia, uma catastrofe natural poderá acabar com o mundo que nós temos... fez hoje 60 anos, que o Homem percebeu que a maior ameça que tem, vem dele próprio. A sua mente, que é capaz da mais pura e bela criatividade, tem sobretudo a capacidade de destruír. Aquilo que faz de nós diferentes do resto dos seres vivos neste planeta e que nos permitiu evoluír e sobreviver ao longo de 5 milhões de anos... o nosso principal meio de sobrevivencia, é também o motor que mais ameaça a nossa própria existencia...
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Fez hoje 60 anos que os habitantes de Hiroshima se tornaram os primeiros seres humanos a reconhecer esta trágica realidade.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Uma vida

Vidas que se abrem
Como livros poeirentos
Páginas sujas de palavras
Humidas de lagrimas, que brotam
Dos sentimentos que saltilham
Como andorinhas primaverís
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Penas cheias de vontade
Largam tinta sem cessar,
Sempre viva e cintilante,
Como uma estrela no ceu de agosto
Escorre em folhas cristalinas
Que urgem em ser páginas
De um livro poeirento.
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São vidas que se escrevem
Vidas que se lêem
Vidas que se dão
Vidas que se mostram
.
Vidas que se vivem
Numa vida
Num livro velho e poeirento
Molhado com palavras humidas
De quem escreveu num último sopro
A palavra fim