terça-feira, outubro 20, 2009

A Porcalhona (Parte 1)

Deu-me um "clic" para escrever este post, quando vinha para o trabalho e ouvi, no autocarro 1 dos TCB, em direcção aos barcos da Soflusa. Esse Clic surgiu na forma de um quase imperceptível "traque". Imperseptível para os mais distantes, os mais ensonados e os mais stressados, mas não para mim. Inicialmente, o traque foi ouvido com alguma dúvida, alguma confusão digamos... Pensei para mim "mas que raio? queres ver que acabaste de te peidar e nem deste por isso?" Mas não... não tinha sido eu, e por momentos, sujeitei tambem a dúvida de que pudesse ter sido algo semelhante. O leve odor a "traque", em contraste com os perfumes que de manhã emanam das pessoas, dos seus shampoos, dos seus gel de duches e das suas colónias, depressa chegou às minhas narinas e, logo aí, me apercebi: Foi mesmo um peido"Que raio, este não igual aos meus... foi outra pessoa".
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Pensei imediatamente na pessoa que estava ao meu lado. Uma daquelas moçoilas que nós quando vemos no barco, ou no autocarro, ou em qualquer outro lugar em que temos de nos submeter à monotonia de uma espera, as imagens que nos preenchem a cabeça (numa óptica simples de fazer o tempo passar de forma mais agradável e menos pesada) são de cenas que envolvem o lugar, nós próprios e essa pessoa agachada ou então deitada de barriga sobre um dos bancos, ou bancadas, ou chão, sempre à nossa frente... mas adiante. Aquela era uma dessas moçoilas. Bonita e bem feita. Pensei para mim, citando o ditado (ou que pelo menos deveria ser) "gaja que é boa, não se peida à toa".
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Então olhei sorrateiramente para o Totó que estava à frente e conferi, só de olhar para ele, mil e muitas razões para ter sido o gajo a dar o traque. Usava óculinhos, estava penteado à frente e aos lados, mas um remoínho imbecil na parte de cima da cabeça. Calças de fato de treino com sapatos nos pés e um pullover roxo, a descombinar com as calças verdes... ahh, e dentes à bugs bunny. Resumindo, um típico cromo.
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Estereotipei o sujeito e só lamentava aquele enorme abuso. E eis que, passado um pouco, veio novamente um cheiro a traque. Não foi audível, talvez porque tenha sido libertado no momento da travagem do autocarro na paragem e o som desses travões teriam abafado o som do peido. Mas o cheiro lá estava e a moçoila estremeceu um pouco. Pensei para mim "coitada, tambem já lhe chegou o cheiro..." e juntei ao pensamento uma quantidade infindável de impropérios contra o cromo sentado à frente.
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E durante esses impropérios mentais, ouve-se um novo traque, com um som seco mas robusto. Simultaneamente, a moçoiça esboça um tossir tambem ele seco e um breve abanico ou tremeilcar do corpo, parecendo tentar "camuflar" o que tinha acontecido. Mas não dava que enganar... a moçoila que, momentos anos, tinha ido ao céu na minha mente perversa, tinha dado um traque e não fora capaz de evitar que o mesmo saísse com som, num autocarro, na altura, repleto de gente. Sorte a sua que, poucos o tivessem ouvido e nenhuma pessoa, frontalmente, a contraíu para a sua desavergonhada acção.
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Como é óbvio, fiquei estarrecido e pasmado com a situação. A porcalhona na minha mente, virava realidade mas não com a "porcalhice" que eu pretendia. E bom, caí em mim. Percebi e esclareci-me com um auto que poucos parecem crer: As gajas tambem se peidam. E mesmo uma gaja boa, personagem principal de uma singela fantasia "quebra monotonia" sexual que nós estejamos a desenvolver, é capaz de estragar tudo com um subtil peido. Foi o que aconteceu. Esta sim, uma autentica porcalhona.