Velhos hábitos
Neste sábado tive uma maratona que começou de manhã e terminou ao final da tarde. Foram dois jogos seguidos Às 10h e às 11h450… depois, foi ir para o pinhalnovo, sem almoçar porque não havia tempo fui ser o treinador dos Iniciados em jogo…
Já me tinha esquecido de como adorava estar sentado no banco ou em pé junto à linha lateral, a bater palmas, a dar indicações, a intervir, a corrigir, a ajudar e a ensinar, por muito pouco que fosse… No jogo de Iniciados, não conhecia os miúdos, via-me aflito para acertar com os nomes deles. Nunca os tinha visto treinar muito menos ter dado treino aos coitados. Fui treinador deles ali naquele jogo, pura e simplesmente. Era notória a desconfiança deles e a minha insegurança.
E depois começou o jogo e tudo mudou. Intervi e senti que eles não só me ouviam como confiavam amplamente naquilo que lhes dizia para ajudar. E o que é certo é que aquilo que mais determinantemente eu lhes pedi para fazer, eles fizeram… inclusive os miúdos que estavam à duas semanas no basket. Consegui entrar nas cabeças deles e fazer com que compreendessem aquele pequeno aspecto no jogo. Perdemos por dois pontinhos, paciência… dei-lhes os parabéns. Não eram meus jogadores, nunca os treinei, mas senti orgulho em ter sido treinador deles naquele jogo. Tudo porque, bons ou maus todos mostraram um gosto e uma vontade para jogar e, sobretudo, para aprender. Só por isso, levaram os parabéns da minha parte.
Da parte da manhã, jornada dupla com os Juniores B, onde sou treinador adjunto. Um grupo espectacular que, lá está, adora trabalhar, sempre disponível para ouvir e aprender. Fizemos dois jogos de seguida, e foi espantoso ver a forma como os gajos, completamente arrebentados, todos rotos, quase a cair para o lado, continuaram a lutar e não entregaram de bandeja o 2º jogo ao adversário. Lutaram até quando puderam e, mesmo quando não podiam mais, continuavam dispostos a dar o que ainda tinham… é por miúdos daqueles que vale a pena um gajo meter-se nesta vida, com os sacrifícios adjacentes. Tinha saudades e já não me lembrava de como gostava desta coisa.
Quanto ao clube em si, depois destas semanas só tenho a dizer que tem aquilo que realmente todos os clubes devem ambicionar ter: pessoas que trabalham empenhadas, interessadas e, sobretudo, conscientes dos sacrifícios que cada um faz para poder dar um pouco mais àquela casa, todos remando para um mesmo rumo, para um mesmo sentido e para um mesmo objectivo… sobreviver e crescer.
PS.: Vi este sábado confirmada mais uma mentira das várias que me tentaram “vender” à um ano... em contrapartida hoje tive a prova cabaz de que realmente ainda há quem nos reconheça valor quando nós próprios duvidamos de que o temos.
PSS.: Revi este sábado amigos que não via à muito. Miúdos com quem partilhei horas naquele clube e que, alguns, já não via à mais de um ano. Só lhes desejo a melhor sorte do mundo para que consigam ter sucesso este ano. Mas sobretudo que consigam aprender e possam ser melhores amanhã do que são hoje… e com o grande Raminhos, isso é mais que garantido! Boa sorte, bom trabalho e felicidades!
Terça feira do camandro!!
Hoje e amanhã são dias de greves… para os enfermeiros e para a malta dos correios. Quanto aos últimos, felizmente temos a Internet, pelo que só vão chatear porque as facturas de final do mês vão demorar mais dois ou três dias a chegar a casa, isto para os que ainda não as recebem por email. Por outro lado, a greve dos enfermeiros é mais chata. Vai haver muita gente desiludida com os banhos de esponja. Outros ainda que vão ter mais uma desculpa para verem adiadas as operações para as quais já (des)esperam à anos.
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Por outro lado, mau mau é a crise financeira. Ontem foi dia de greve na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América. Chumbaram a proposta, praticamente assegurada como “aprovada” pelo grande Bush. Muitos dizem que é mau. Eu digo que o mal já foi feito antes e não são $700’000’000’000 que vão resolver a situação. O que vão fazer é adiar um problema que, eventualmente, vai voltar a atacar mais tarde. O que esta crise demonstra é “que quem tudo quer tudo perde”. É exactamente isso que está a acontecer, com a crise do mercado imobiliário Norte-americano e que ameaça vir cair também para nós.
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Ora, de uma forma sucinta. À uns anos, toda a gente podia pedir empréstimos maravilhosos para comprar uma casa, mobilá-la, comprar carro, bicicleta, ir às putas, comprar outro carro, etc, etc, etc… Pedia-se muito mais do que aquilo que precisavam, fruto também de uma especulação preparada no mercado imobiliário. Uma casa que valia na realidade X, era negociada a um valor muito superior… o empréstimo pedido chegava muitas vezes a ser superior ao dobro do valor real da casa. Muitos começaram a ter, passados estes anos todos, dificuldade em pagar as rendas aos bancos. Por outro lado, o valor das casas começou a cair abruptamente para os valores reais e não para os especulativos. Quando isto aconteceu, as pessoas com dificuldades não tinham sequer património de valor equivalente. E aqui surge o problema.
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Muitas hipotecaram a casa que não tinha o valor com que fora negociado inicialmente. Os bancos ficaram apertados, porque tinham emprestado X e não conseguiam recuperar o valor pretendido e então toca de apertar as dívidas existentes. Rendas aumentam, e são já mais de 5 milhões de pessoas nos Estados Unidos que perderam a casa por incapacidade de contrapor as dívidas que já tinham aos bancos.
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Ora, com os bancos a perderem dinheiro, o número de investimentos baixou abruptamente, o dinheiro movimentou-se menos e, naturalmente, o mercado em bolsa entra em queda, quase crash. O dólar sofre desvalorização face a outras moedas mais fortes, como o Euro. O petróleo entra também numa situação de implosão, fruto, também aí de uma especulação que serviu para muitos ganharem dinheiro. Atingindo valores insuportáveis, voltou a descer e agora anda num rodopio constante de sobe e desce.
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E chegamos à Europa onde se começam a sentir os efeitos de uma crise combinada por efeitos abusivos de especulação, servida apenas para encher os bolsos de alguns. Assistimos à tentativa desenfreada dos estados entrarem com dinheiro para salvarem determinadas empresas. No fundo, NACIONALIZAÇÃO, ou para muitos “a coisa cujo nome que não deve ser pronunciado”.
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O que a Casa dos Representantes fez ontem, foi simplesmente travar aquela “coisa cujo nome não deve ser pronunciado”, tentada pelo Grande Bush. Concordo, porque apesar de dura, se calhar até faz bem uma crise destas. A resolução do problema não se remete à “coisa cujo nome não deve ser pronunciado” das empresas em crise. Estas terão o rumo delas. Falência para umas, crescimento para outras. O certo é que se pretende fazer crer que a falência de alguns bancos pode levar à ruptura dos mercados financeiros no mundo. Provavelmente sim, isso vai acontecer. Mas acontecerá agora ou daqui a 5 anos, se a “coisa cujo nome não deve ser pronunciado” for avante como pretendem que vá. O problema não se resume à falta de dinheiro… o problema resume-se às regras, ou falta delas, no mercado.
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Em 1929, o crash da bolsa foi das feridas mais dolorosas que o mundo teve de suportar. Tanto aí como cá, as razões deveram-se a um espírito demasiado especulativo. Na altura eram as acções que eram vendidas e compradas longe do seu real valor. Chegou a uma altura que elas todas quiseram voltar aos seus valores normais, e tudo caiu a pique. Os investimentos especulativos tornaram-se desesperantes e puff… agora, passa-se um pouco o mesmo. Depois de 1029, atravessou-se um pouco o deserto. Mas recuperou-se, com força e equilíbrio. Se calhar é isso que o mundo precisa, actualmente. Dar uns passinhos para traz e recuperar rapidamente, com novas estratégias, novos modos e, quiçá, com a lição apreendida, para daqui a cem anos não estarmos a lamentar novamente os erros cometidos.
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PS.: John McCain entrou também em greve… em greve de intelectualidade. Decidiu acusar o seu rival, Barac Obama, de responsabilidades na coisa por lhe faltar “espírito de liderança”. Alguém que lembre ao velho que o presidente ainda se chama George W. Bush.
Devia haver petróleo no Beato!!
Mas não há… e como não há, e como também ainda estamos 70% dependentes do petróleo, vivemos à mercê dos caprixos e luxúrias das petrolíferas. E nestes últimos tempos, temos entendido que vale tudo para se ganhar dinheiro no petróleo, inclusivé argumentar descaradamente com inverdades ou excertos de verdade.
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O ponto prévio é este: o petróleo actualmente está a valer tanto como valia em Novembro do ano passado… a gasolina e o gasóleo estão a valer mais 10/15 centimos do que valiam em Novembro do ano passado.
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Razões para isto? Bom segundo o bacano da Galp, há vários argumentos. Um deles diz respeito ao facto de o comércio de combustível refinado (gasolina e gasóleo) depende de vários pontos e só um desses está relacionado com o preço do petróleo. É obvio que a refinação tem custos. Não basta ter o petróleo, é necessário submete-lo a um conjunto de processos que também tém custos. O que já não é tão obvio é entender e aceitar que a refinação do petróleo possa sofrer um encarecimento em um ano apenas. Ou seja, se os processos são os mesmos, os custos do processo mantém-se… o que varia é o custo do petróleo. Se este aumenta tudo bem, a refinação aumenta também. Se ele diminui, a refinação também terá de diminuir. Ora a explicação para este facto poderá estar numa possível aplicação de novo método de refinação. O que não se compreende é como se consegue falar em desenvolvimento industrial se para um mesmo resultado, se vai desenvolver um método que encareça o custo do produto final. Não faz sentido.
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Quanto ao preço de produção, estamos esclarecidos… é impossível argumentar que esse preço não possa estar interligado ao preço do petróleo, sendo esse o único valor variável.
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Entramos então noutro item. “ah e tal, o dólar valorizou-se em relação ao Euro, portanto esta «desvalorização» é um pouco falsa, pois não reflecte realmente os valores reais para nós”. Também aqui está descrita uma verdade. No entanto, o mesmo argumento volta-se contra eles quando viajamos ao passado recente, em que o Euro estava a 1,5 dólares. Ou seja, quando no passado eles sentiram necessidade de aumentar o preço dos combustíveis da forma fantasmagórica que o fizeram, não fizeram referencia ao facto de efectivamente o preço do petróleo, em euros, estar cotado abaixo dos valores de à um ano. Ou seja, 130 dolares por barril, equivaleria a 86 euros!! O que equivale dizer que o petróleo para nós e para aqueles que negoceiam a gasolina e o gasóleo em Euros, estava mais barato do que à um ano. Interessante não é? Esta “verdade” foi esquecida pela Galp, BPs e companhia, durante os meses de Maio e Junho.
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E chegamos agora a outro argumento usado “ah o gasóleo e a gasolina são produtos diferentes, logo tem regras de mercado diferentes”. No fundo diz, o que também é verdade… Eu não quero comprar petróleo… quero comprar gasóleo para o carro. Da mesma forma, se eu quiser comprar queijo, não vou comprar leite. Faz sentido, olhando para as coisas desta forma supérflua. Mas aqui o que eles dizem é que o preço deste produto varia com o mercado. Resumindo, são elas próprias que definem esse valor, consoante o mercado. Podem variar para aumentar vendas, para as limitar, é o mercado e a posição no mercado de determinada empresa que vai determinar o preço do combustível. Nada podia ser mais verdade! No fundo, o que as petrolíferas fazem é simplesmente argumentar e confirmar o que todos nós já sabíamos e o que, efectivamente, está errado.
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O mais ridículo é usarem todos esses argumentos para ofuscarem a realidade e rematarem constantemente com um “não podemos ser responsabilizados, porque estas alternâncias de preços vão depender sempre de coisas que estão para além do nosso controlo”. Assim, aquilo que compram por 5 batatas, vendem por quinze… mas a culpa é do mercado.
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PS.: Em termos relativos, 15 a 25 centimos é quanto custa, de um modo estimativo, produzir 1 litro de combustível. A venda do produto da refinaria é feita aí nuns 30 a 40 centimos… a revenda é feita a 1,30 euros (para o gasóleo). O lucro na revenda é notório. Nesse valor, descontando os impostos e taxas, assim como as despesas de transporte, vislumbram-se lucros superiores a 100%. Quando nos lembramos inclusive que algumas dessas empresas são produtoras, o que implicou investimentos muito grandes é certo, percebemos que a grande verdade, é que nos andam a mamar com uma pinta do car----!!
Maluquices...
Pois é... E se eu vos dissesse que ando a pensar escrever um livro? Chamavam-me maluco... e se vos dissesse que já o comecei e já vou em 72 páginas?? Mandavam-me consultar um psiquiatra, porque era mais grave do que pensavam... e se vos dissesse que são dois os que comecei a escrevinhar??? Não chamavam ninguem, levavam-me voces mesmos para o manicómio...
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São estas as minhas novas maluquices, os meus novos hobbies. Ando com uma necessidade e uma constante inspiração para criar, imaginar e escrever... pelo menos para começar, depois vamos ver o que isto dá. O que é certo é que o primeiro já tá com 72 paginas.
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Não espero que saia nada de jeito, porque para isso tenho de comer muita soupa ainda... mas que estou empenhado na coisa, isso estou!! E logo dois. Porquê dois ao mesmo tempo, perguntarão alguns? Uma boa pergunta, para a qual não sei explicar nem encontrar resposta... lá está, é provável que esteja mesmo a ficar maluco... ou então é o Jejum de Setembro.
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PS.: Continuarei a postar aqui com uma certa regularidade, sem desesperos.
Esta coisa de cultos…
À cerca de um mês celebrava um ano sobre o fim do meu culto Barreirense, com um post aqui. O culto do basket mantive de forma distinta, ao encetar uma ligação ao Quintajense e à sua equipa de Veteranos, que participou no campeonato do Inatel, numa espécie de campeonato regional da ABS e num torneio de Veteranos organizado pelo BAC.
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Ora este ano, para além de continuar com a ligação ao Quintajense, onde demonstro toda a minha classe e falta dela, todas as minhas capacidades e, sobretudo, incapacidades para jogar esta coisa linda que é o Basket, vou também dar o meu contributo a um companheiro de tantas batalhas, o Chato ou, se preferirem, Exmo Sr Pedro Oliveira, como seu adjunto na equipa de Juniores B do Feijó.
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É o meu regresso ao “Culto del Banquillo”, embora num “part-time” de alguma forma restrito. Espero poder ser útil, espero ser eficaz, espero ajudar aquele clube e aqueles miúdos no trabalho e nos objectivos que se vão propor e espero, sobretudo, poder aprender mais com esta nova experiência e que os restantes possam também aprender um mínimo que seja comigo.
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Espero que esta nova experiência e esta nova interacção possa ser enriquecedora para mim e para aqueles com quem vou trabalhar.
Segurança
Quando se fala do aumento da criminalidade violenta, hoje estou super protegido. Em Setúbal, anormalmente vêem-se polícias fardados em mota, em carros patrulha, em carrinhas de intervenção rápida, na estação de serviço de Palmela, na auto estrada, nos semáforos, nos barcos, em todo o lado. Depois, para além da protecção que se me aufere em termos de criminalidade, do ponto de vista da segurança no trabalho nunca me senti tão “à vontade”. Não há lixo, não há entulho, a estrada está desimpedida de carros mal estacionados, a estrada está limpa e, mais uma vez, polícia, neste caso GNR. Nunca tinha visto um polícia em patrulha com armamento de guerra.
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À primeira vista apraz-me dizer… esta coisa tornou-se realmente uma zona de guerra, mas fica-se satisfeito com a resposta da polícia que aparece em força nas ruas. Mas depois lembro-me que hoje Tróia vai ser visitada pelo Exmo Sr. Primeiro Ministro. Depois disso, voltará tudo ao mesmo estado.
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Aqui nesta obra, de tempos a tempos há um ou outro bacano que deixa de aparecer porque foi preso, ou que porque teve de fugir do país. Já tivemos até casos da polícia vir à própria obra prender os bacanos ou interrogar um gajo ou outro sobre alguma coisa pertinente. A grande e esmagadora maioria é gente de bem, mas tem-se muita desgraçado aqui nesta obra que não lembra ao diabo.
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Por outro lado, verdade seja dita que, apesar de apreensivo e desconfiado, tenho tido a sorte de não me ter acontecido ou assistido a nada de mau, felizmente… mas sei de coisas que já aconteceram, inclusive no barco. Seja como for, esta observação não é feita para dizer “ah e agora vem aí o maior criminoso deles todos…”. Era muito fácil e não, não é para isso que falo disto.
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O que chamo a atenção é que, nos 8 meses que tenho tido de trabalho lá em Tróia, as únicas vezes em que me senti verdadeiramente seguro seguríssimo, foi quando o Ministro dos transportes inaugurou os barcos, foi quando o Belmiro veio visitar as obras e deu um trambulhão à entrada do seu pequeno super mercado e é agora quando vamos ser visitados pelo Primeiro Ministro.
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Compreendo e aceito que tais dosses de policiamento se justifiquem porque o PM é um alto funcionário do estado, alvo de más intensões de muita gente e tem de ser protegido. O que saliento é que, os outros cidadãos também merecem algum tipo de segurança e bastaria ¼ daquilo que se disponibilizou para “proteger” o PM para que as ruas de Setúbal e, provavelmente, do resto do país, em especial das zonas mais críticas, experimentassem melhor segurança. Ou será que, assim como a saúde e a justiça, também a segurança é só para alguns?
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PS.: A malta das obras foi toda para casa mais cedo… ao que parece, a comitiva do PM tava assim preocupada que pudessem cair objectos da torre cá para baixo. Eu a pensar que ia tirar uma foto ao Sócrates, e o gajo manda-me pa casa mais cedo… assim não dá pah!!
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PSS.: O PM ficou em casa... em vez dele veio o shor Ministro Manel Pinho. Bahhh