terça-feira, setembro 29, 2009

Habemus Primeirum Ministrum

Mas a grande dúvida que impera, e fonte de inúmeras apostas em locais próprias: por quanto tempo mais é que iremos ter este primeiro ministro?
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Certo é que até ao final do ano será o Sócrates o Primeiro Ministro. E durante uns tempos, será obvio que os partidos da oposição vão "amochar" uma beca. Vão fazer barulho, mas nenhum dos partidos da oposição nem o partido que deverá formar governo vão alinhar numa qualquer dissolução da assemleia.
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Como tal, penso que até às presidenciais, pelo menos, vamos ter PS, sozinho, no governo..
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Após uma noite eleitoral que sou deu enganos nas projecções, não tenho dúvidas que há coisas que não mudam na política. E uma delas é a "cara podre" que todos, infelizmente com poucas excepções, os políticos tém para valorizar uma realidade que não tem nava a ver com a verdadeira realidade. E após as eleições, são claros estes sinais.
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Ora bem... Sócrates ganha as eleições numa posição demasiado desconfortável, isto porque para estabilizar um governo, só à direita (ou com PSD ou com CDS) poderia criar um pacto de coligação estável. O que, por si só, é instável, uma vez que um e outro, num ambiente de coligação, não passariam de umas sanguessugas, à espera da melhor altura para largarem o barco. À esquerda a coisa era mais facil. Só que, numa coligação à esquerda, o PS teria de fazer acordos com BE e CDU. E se com um deles já seria dificil, com os dois é manifestamente impossível, porque não estou a ver Bloquistas, Comunistas e Socialistas a coabitarem dentro das mesmas linhas. Com tudo isto, a vitória do PS foi tudo menos "espectacular", como o Sócrates quis vender. A vitória do PS era expectável, havendo algumas pessoas (como eu) que anteviam uma vitória do PSD mas uma maioria da esquerda. Agora nunca a maioria absoluta do PS seria conseguida, depois dos dissabores de 4 anos de governo, atropelados por uma profunda crise mundial.
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O que nos leva ao PSD. Que assume, como de resto todos os partidos da oposição, uma "vitória" o facto do PS não ter ganho com maioria absoluta. Eu quanto a isto sou claro: o PS não ganhar com maioria absoluta é o mesmo que comparar uma final da liga dos campeões entre um Leixões e um Manchester United... é obvio que o Leixões não vai ganhar. Era obvio que o PS não ia ganhar com maioria absoluta, e não tem nada a ver com o trabalho da oposição. Portanto, este facto nunca pode ser assobrado como uma vitória para nenhum dos partidos. Logo, é claro que o grande derrotado, na minha opinião, foi o PSD. Que tudo tinha para dar uma abada ao PS, mas não foi capaz. E não foi capaz porque, apesar dos erros do passado, voltaram à carga com as mesmas caras com que perderam em 2005. Além disso, foi um partido que, em campanha, sempre se manifestou como um partido de oposição, e nunca como um partido de governo. E os seus tons de "oposição" foram tão estremos, que ainda se dignaram a contradizer-se dúzias de vezes, nos seus programas e nas suas bandeiras. PSD, claramente, sai derrotado numas eleições em que, normalmente, saíria vencedor... não o consegue por incapacidade de se desprender do passado e dos tachos partidários.
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Depois veio o grande vencedor da noite: Sr. Paulo Portas. Ganhou-o às custas da malta que, não queria votar PSD (o "medo" Ferreira Leite) e não iria votar PS (ganas de lhes dar um tabefe). Ganhou-o às custas de um discurso fácil em tempos de crise. Um discurso indissociável da realidade, mas parco em propostas claras e efectivas. "Vamos lutar contra a segurança"... "Vamos lutar contra o rendimento mínimo"... "Vamos lutar contra o desrespeito dos professores"... "vamos lutar a favor de pensões e regalias para os reformados"... Faltava o "como?", ou, em muitas situações, um "como?" plausível e concreto. Foram um partido com ideias nobres mas falsas, representando tudo o que, para mim, está errado na política... como diriam os outros, eles falam, falam, mas não dizem nada que as pessoas já não saibam. Que é preciso mudar e alterar muita coisa, já todos nós sabemos... queriamos (ou pelo menos deveriamos querer) era saber como o vão fazer.
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O Bloco esquerda consegue uma subida para o dobro dos deputados. Poder-se-ia considerar este facto suficiente para se cantar uma "grande vitória". Mas o Bloco "morreu na praia" isto porque não teve o números suficientes para ter "voto na matéria" no que confere a decisões do governo. Só terá se, juntmente com a CDU, for orientada uma linearidade em alguns aspectos. E se não se entenderem, então o governo não terá outra chance senão se virar para a direita para ver aprovadas muitas situações. O Bloco Esquerda, cujos ideais se centram para mobilizar políticas de esquerda, porque "morreu" na praia, vai motivar que o governo se descole mais para a direita do que para a esquerda... Portanto, quanto a mim, apesar de ter melhorado os seus resultados, não deixou de ser "o Primeiro dos últimos".
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E a CDU... Em termos comparativos, manteve-se com praticamente o mesmo resultado que nas últimas legislativas. Teve alguns milhares de votos a mais e, em termos de assembleia, ganhou 1 deputado a mais. Numas eleições em que os outros "pequenos partidos" (CDS e BE) cresceram às custas do PS, na CDU nõa houve aproveitamento. Cresceram miseravelmente, o que me leva a considerar que, cada vez mais, a CDU, mais concretamente o PCP, são um movimento/partido com bases claras e pouco afável ao expansionismo e desenvolvimento político. Não ata nem desata. Não cresce (os novos eleitores de esquerda, que não sejam PS, são mais adeptos do Bloco de Esquerda) e não decresce (a tradição ainda é o que era). Se continuarem de olhos fechados para o futuro, não terão hipoteses de saír da cepa torta.
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E com isto tudo, vamos ter um govero PS a tentar governar, sempre limitado na esquerda, que tem maioria mas que não se entende, com alguma abertura na direita, tambem limitado mas "mais à vontade". Vamos ter um governo virado para a direita, até a direita querer. Haverá, daqui a cerca de um ano e meio, umas eleições presidenciais. Até lá, o PSD não permitirá que o governo caia. E poderá não votar a favor de muita coisa, mas vai-se abster em muitas outras. Depois, nas presidenciais, duas coisas vão acontecer, consoante as mobilizações das "massas" em redor dos candidatos: direita por Cavaco e esquerda por Manuel Alegre. E se o Cavaco ganhar, o PSD fará o governo caír, para aproveitar o "animo"... se for ao contrário, estou bem desconfiado que será o próprio PS a forçar a queda, com uma moção de confiança. E aí, das duas uma: ou o governo cai ou então durante pelo menos mais um ano (perfilando 3 anos) o governo durará.
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E pronto, a meu ver, claramente o PSD perdeu uma enorme oportunidade de derrotar o PS e de criar nova hegemonia. É que, com tudo isto, o PS será o partido no governo da "retoma" da crise. E, se o PS souber aguentar a crítica e se souber arrumar com políticas acertadas e de conserto social (mexer na justiça, na saúde e na educação com ideias claras e aprumadas de consenso entre os visados e entre os vários partidos), então acredito que conseguirá reforçar uma hegemonia. Mas o mundo dá muitas voltas... vamos ver que volta se vai dar agora.