domingo, abril 19, 2009

Road to Dublin - Stay (faraway, so close)

Melodia espectacular. É uma daquelas músicas que são mágicas quando se ouvem ao vivo, com interpretações que caracterizam o modo de ser dos U2 em concertos. Na mesma tournee, uma música é cantada de uma forma num dia e, no dia a seguir, já toma outra forma. O que é bom pois torna os concertos diferentes... são poucos os artistas que tem essa audácia.
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Mas falando da Stay (Faraway, so close). É a faixa número 5 do Zooropa. A melodia dos versos foi criada durante as sessões para o Achtung Baby, mas só a terminaram mais tarde. A ideia da música foi inspirada pela música de Frank Sinatra, sendo que o nome inicialmente pensado seria mesmo "Sinatra". Ficaria terminada durante o tour Zoo TV. Aliás, a primeira vez que foi ouvida ao vivo, foi num concerto em Berlim, na mesma semana em a música era terminada. Adam Clayton e Larry Mullen saíram do palco e Edge e Bono tocaram e cantaram a dita cuja. Mesmo assim, a melhor versão ao vivo da música, diz-se que foi uma tocada em Dublin, em 1993, já depois do Zooropa estar concluído. Essa versão não surge no youtube, mas tenho-a na minha biblioteca de música no pc.
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Para Bono, Stay (Faraway so close) é uma das suas músicas preferidas dos U2, sendo uma das menos valorizadas. Para mim, é uma espectacular melodia, que adoro ouvir e cantarolar, quando estou sozinho para não danificar o aparelho auditivo de inocentes. A versão original entra com baixo e com batuques de bateria, num ritmo simples e regular. Se a música original já é espectacular, as versões ao vivo são divinais. Em baixo podem ouvir e ver duas duas versões: a do teledisco e a versão ao vivo, num concerto em Boston, 2001. Não ponho letra, porque na versão do Teledisco está incorporada a letra da música original...
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Stay (Faraway so Close)



Não é inocente o facto de o video ter sido filmado em Berlim... Actung Baby e grande parte das músicas do Zooropa foram pensadas e criadas lá, numa altura em que os U2 fizeram uma pausa e passaram uma temporada naquela cidade, a pensar no futuro e nuo rumo que iriam tomar. Falava-se no fim do grupo, mas o que se passou foi que os U2 saíram fortalecidos, evoluídos e criaram aquele que é, para muitos o seu melhor album, Achtung Baby, seguidos do, talvez, segundo melhor, Zooropa.

Agora fica aqui tambem a versão "ao vivo", em Boston... uma versão acústica, que nem sequer é das melhores que eles fizeram. Mas sem dúvida que entra nesse role restrito

Stay (Faraway so close), Live at Boston - 2001

sexta-feira, abril 17, 2009

Road to Dublin - Numb

Para iniciar esta saga, escolhi a que é para mim a melhor música dos U2. Numb não era para ser a Numb que veio a ser. A versão inicial não chegou a ser editada pois não conseguiam enquadrar uma letra convenientemente à melodia que tinham já preparada. Por isso, ficou de fora do album Achtung Baby. Mais tarde, já nas gravações para o Zooropa, num determinado momento, The Edge amanhou-se e começou a pensar na letra daquela música. Durante um par de horas, afastou-se do grupo e escreveu, escreveu, escreveu e escreveu, até que conseguiu algo mais condizente com uma música merecedora de edição. E foi tambem graças às várias gravações que Edge foi fazendo para tentar apanhar a cantiga, que definiram tambem que seria o próprio Edge, e não Bono, a dar-lhe voz.
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Foi o primeiro single do album Zooropa. Eu tinha aí uns 11 anos. Na altura não ligava muito a música. Ouvia a música que o meu irmão ouvia, mas pouco ou nada sabia sobre quem cantava as ditas cujas (na mesma altura que ouvi, pela primeira vez, o Achtung Baby, numa k7 emprestada pelo meu primo Nuno ao meu irmão).
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O videoclip é o melhor que os U2 fizeram e, sem dúvida, um dos melhores da musica. Consiste simplesmente em estar um gajo (the Edge), sentado à frente de uma camara e, de forma contínua, a cantar a música enquanto lhe vão fazendo coisas. Está simples e genial. Na altura que o vi pela primeira vez, fiquei estupefacto com o gajo ali e pouca atenção dei à música. Só mais tarde, quando comecei a conhecer realmente quem eram os U2 e que música tinham, é que redescobri a Numb e esse videoclip. Não me farto de a ouvir, e a curiosidade é que não acho nenhuma das versões tocadas ao vivo melhores que a versão original, o que é raríssimo.
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E agora, Numb...
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Don't move, don't talk out of time
Don't think, don't worry, everything's just fine
Just fine

Don't grab, don't clutch, don't hope for too much
Don't breathe, don't achieve, or grieve without leave

Don't check, just balance on the fence
Don't answer, don't ask, don't try and make sense

Don't whisper, don't talk, don't run if you can walk
Don't cheat, compete. don't miss the one beat

Don't travel by train, don't eat, don't spill
Don't piss in the drain, don't make a will

Don't fill out any forms, don't compensate
Don't cower. don't crawl, don't come around late
Don't hover at the gate

Don't take it on board, don't fall on your sword
Just play another chord
If you feel you're getting bored

I feel numb. I feel numb
Too much is not enough
I feel numb

Don't change your brand, don't listen to the band
Don't gape. don't ape, dDon't change your shape
Have another grape

Gi'me some more,a peace of me, baby

Don't plead, don't bridle, don't shackle, don't grind
Don't curve, don't swerve, lie, die, serve

Don't theorize, realise, polarise
Chance, dance,dismiss, apologise

Don't spy, don't lie, don't try, imply
Detain, explain, start again

Don't triumph, don't coax
Don't cling, don't hoax
Don't freak, peak
Don't leak, don't speak

Don't project, don't connect, protect
Don't expect, suggest
Don't project, don't connect, protect
Don't expect, suggest

Don't struggle, don't jerk
Don't collar, don't work
Don't wish, don't fish
Don't teach, don't reach

Don't borrow, don't break
Don't fence, don't steal
Don't pass, don't press
Don't try, don't feel

Don't touch, don't dive
Don't suffer, don't rhyme
Don't fantasize, don't rise
Don't lie

Don't project, don't connect, protect
Don't expect, suggest

Don't project, don't connect, protect
Don't expect, suggest

I feel numb

quinta-feira, abril 16, 2009

To Ginja e U2

Ora bem...
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É notória e já foi calejada aqui no blog o gosto enorme que eu tenho pelos U2. São claramente a minha banda de música preferida. Sou daqueles que ouve o raio de um album e só passo em frente a duas ou tres músicas que me dizem pouco... mas mesmo essas, custam a passar pá frente. Sou claramente defensor de toda a música que eles fizeram e quando dizem "ah e tal, os gajos fizeram três albuns bons mas depois foi sempre a descer de qualidade" eu digo "olhe que não, olhe que não!".
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Como tudo na vida, tudo é efémero, tudo se transforma. E eu tive a sorte de observar in loco a metamorfose dos U2 de Achtung Baby (quando comecei a conhece-los, por influencia de uma cassete com o album deles, que o meu primo Nuno tinha e eu ouvia) até ao album mais recente "No line on the horizon", é notória mas concreta. Quando os acusam de se terem, em determinado momento, tornado demasiado "comerciais", a verdade é que eu não concordei. Acho sim que eles promovem bem as coisas que fazem, mas a qualidade da sua música em nada é sobrevalorizada pela promoção comercial, pelo menos na parte que me toca. Isso é fácil de se perceber quando compramos um album e as músicas que nos tocam mais são as músicas que não chegam a singles. As que chegam a singles ficam no ouvido, mas as que nos tocam ficam para sempre. Ou seja, para refutar a ideia do mito "demasiado comercial que são os U2", eu respondo com um facto: quem compra um album dos U2, não vai atráz de uma música apenas, mas sim de 14.
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É por isso que os U2 (e os Xutos e Pontapés e, agora menos, os Cranberries) são as únicas bandas que eu assumo o risco de comprar um album de originais, imediatamente quando saem. E nunca me arrependi.
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Voltando aos U2. É notória, como já disse, a transformação de Achtung Baby a No line on the horizon. Para mim é uma completa evolução. Os U2 de agora jamais seriam capazes de fazer um Achtung Baby de novo, mas tambem é verdade que os U2 de 1990 jamais seriam capazes de fazer um No line on the Horizon. São albuns e músicas que reflectem não uma época, mas uma forma de estar, uma vida e uma experiencia. E a grande verdade é que, apesar de distintas, são tambem indissociáveis. E o mérito deles é esse. Distinguem-se, mas jamais deixam de ter uma própria identidade. É por isso que adoro a música dos U2. Tão diferente e tão igual. Na música e nas letras.
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E depois há outra coisa. Os U2 ao vivo cantam as mesmas músicas de forma sempre diferente. Tenho no meu "stash" de música imensas versões das mesmíssimas músicas. E ouvir a Sunday Bloody Sunday no concerto de Boston, no concerto de Chicago, no concerto de Slane Castle, ou em Milão ou em Sidney, sendo a mesma música, sendo sempre a mesma letra, a mesma voz, é sempre tão diferente. E o mesmo para a Where the Streets have no name, ou a The Fly ou, uma das minhas preferidas, a Kite. E é por isso que um dos meus sonhos, que espero (ainda não está 100 por cento garantido) conseguir realizar em Julho, é, FINALMENTE, assistir "in loco" a um desses verdadeiros espectáculos. E ainda por cima EM DUBLIN.
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Por isso, decidi escrever aqui este artigo. E por isso tambem vou tentar, até ao dia 27 de Julho, fazer uma série em que exponho aqui as músicas (com vídeos do youtube) e letras das mesmas, juntamente com um comentário meu sobre a origem da música, significado, etc, etc... e são tantas que, estou desconfiado, se quero fazer uma coisa a séria, com todas as músicas dos U2 que eu não me canso de ouvir, vão ter de saír posts bi diários.
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Hoje foi um post generalizado, e como que a anunciar essa "saga", que vou chamar de "Road to Dublin 2009".

sábado, abril 04, 2009

Justiça

Há coisas que me fazem uma certa confusão. Ontem o Pinto da Costa foi absolvido da acusação mais grave que tinha em mãos e a única que o levou a ser arguido e a enfrentar o tribunal de Gaia nessa condição. Quer se acredite ou deixe de acreditar na inocencia ou na culpabilidade dele, uma coisa é certa: um tribunal deliberou.
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Os juízes são homens (e mulheres obvio). A lei que os guia foi feita por homens e mulheres tambem. Como tal, nem os juízes nem a lei que os rege estão imune aos erros. E diáriamente vemos casos em que sentimos inúmeras injustiças que são feitas, fruto de leis mal feitas ou leis que são feitas à medida de alguns. Não tenho dúvidas que isso acontece. Ora, só a título de curiosidade, foi votada e aprovada, pelos próprios deputados, uma resolução na Assembleia da República que ivoca alterações no seu regime de faltas/assiduidade. Nos termos do nº5 do Artigo 166 da Constituição, resulou-se, entre outras coisas, saliento o número 7, que é ilustrativo do que quero comentar: A palavra do Deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais. Quando for invocado o motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma semana.
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Os mesmos que determinaram que, à luz da lei, são pessoas sérias e incapazes de mentir, são parte do mesmo grupo que determina o que é ou não é necessário para responsabilizar alguem por corrupção ou não. E mais verdade é que essas leis, mais sérias e menos sérias, são as que determinam como um tribunal deve deliberar. E num tribunal, essa lei é igual para todos, seja rico, seja pobre, tenha o apoio do populismo ou o odio dele.
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Quando dizem que a justiça, efectivamente, não é igual para todos, talvez estejam certos. O dinheiro, por muito que se queira defender que não deve fazer a diferença, a verdade é que faz. Quanto mais dinheiro se tiver para gastar, melhor são as hipóteses de se comprar um bom computador, um bom televisor, um bom carro, etc, etc, etc. Quanto melhor nós, individualmente, formos no desenvolvimento de uma actividade, mais dinheiro vamos exigir a quem quer usufruír das nossas capacidades. Não haja dúvidas que, para alguem ter um bom advogado de defesa, um que saiba mais que os outros, tem mais probabilidades de o ter pagando bem. Portanto, é obvio que quem tem mais guita, consegue ter um melhor trabalho de defesa e, por isso, ter melhores hipóteses de se ver resoluto em tribunal. Conhecendo melhor as leis, é meio caminho andado para as contornar. Certo ou errado, esta é a verdadeira sociedade que nós temos. Da mesma forma que com mais dinheiro tivermos, melhor é o telemóvel que podemos comprar.
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Ontem ficou demonstrado uma coisa. Que não é por se ter toda a gente a dizer uma coisa, que essa coisa se torna verdade. Muitos virão dizer que, "ah e tal, não se fez justiça porque o Pinto da Costa devia estar preso, porque é corrupto". Não interessa se há provas ou não... não interessa se houve tentativa clara de linchamento ou não. É do senso comum, ou tentam fazer com que seja assim, que o gajo era culpado e, logo, todo o que se dissesse contra ele seria sempre verdade. A semi escritora Carolina Salgado pode, a seu belo prazer, instaurar mentiras e, consequentemente, juízos falsos sobre o Pinto da Costa. Chamo-lhe Semi escritora, porque parte do livro, nomeadamente a parte que diz respeito às aventuras alegadamente comuns entre o Pinto da Costa e ela nos meandros daquilo que iria ser investigado no Apito Dourado, foram definidas por alguem que, vá-se lá saber porquê, escreve para um jornal desportivo nacional, jornal esse que, fazendo fé no que lá se lê, é claramente regional, e é adepta de um clube rival.
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Ou seja, fosse culpado ou inocente, certo é que foi montada uma campanha com mentiras e injúrias contra o Pinto da Costa, patrocinada pelo Luís Filipe Vieira, presidente do SL Benfica, e outros agentes. É indesmentivel que muito do que se disse e redisse e se assumiu como verdade, era mentira. É INDESMENTIVEL E IRREFUTÁVEL QUE CAROLINA SALGADO MENTIU. E a categoria dos jornais e da comunicação social que patrocinou essa campanha é muito simplesmente assobiar para o lado, como se nada se tivesse passado. Depois de comprovado e assegurado que houve mentira nos testemunhos que levaram ao reatamento dos processos contra Pinto da Costa, testemunhos esses repetidos até à exaustão por Correio da Manhã, A Bola, Record e outros que mais, assumidos como verdades absolutas por diversas gentes nas galerias de opinião, difundidas por revistas, televisões ou rádios, agora, apesar de assegurada essa mentira, NENHUM as assume. Todos, repito, assobiam para o lado.
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Foi montada uma enorme campanha, patrocinada por dinheiros privados e, tambem, públicos para injuriar o Pinto da Costa. Essa campanha está à vista de toda a gente, mas ninguem responsável a assume. Ontem mostrou-se ao país que à luz do direito e da Justiça, por mais que se repita uma mentira, ela não se torna verdade... e por isso, estou satisfeito, efusivamente satisfeito. Fez-se, na verdade, justiça, mesmo contra a vontade de alguns que tudo fizeram para a deturpar.
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E agora, a pergunta que se faz é simples: o que irá acontecer com aqueles que tudo fizeram para fazer prevalecer a justiça na base da mentira e da injuria?
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PS.: Maior satisfação me dá ao visitar os sites de tantos jornais e ver que, afinal, a Absolvição do Pinto da Costa mais não é do que uma tirinha para tapar o branco do papel nas páginas principais. O contraste com as páginas em que anunciavam PINTO DA COSTA NO BANCO DOS RÉUS é obvio e revelador de quão pesada está a "justiça" de decisão nas redacções... vale mais a mentira do que vale a verdade. Foi-me dada razão, e por isso, mais uma vez, estou efusivamente satisfeito. E a todos os outros que não coadunam desta opinião, não abram os olhos e não se insurjam tambem contra o que está à vista de todos... deixem andar assim, e depois queixem-se de ficarmos outra vez fechados e perdidos no mundo.