Golo Anulado
A imprensa está à escuta e aguarda ansiosamente que seja marcado o primeiro golo. Digo o primeiro golo, porque, mais do que saber quem ganha as próximas eleições, a imprensa aguarda a noticia, o nome e a idade daquela pessoa que será a primeira vítima mortal de H1N1. Isto porque, a euforia para lançar notícias sobre a gripe, atingiu um cúmulo da estupides. Primeiro eram os "casos de gripe A em Portugal", que nunca terminavam. O gajo que apanhou gripe A em Abril, chegado a Setembro, segundo as estatístiacs vendidas pela imprensa, continuava com gripe. E então, já eramos uns quantos milhares, para gáudio da imprensa maravilhosamente independente..
Hoje de manhã, os jornais eram unanimes a dar a notícia em primeira mão. Até o site da Bola a dava. A euforia nos jornais desportivos parecia a vivida numa qualquer casa do Benfica, quando o Benfica marca golo e toda a gente se levanta e grita euforicamente. E depois, quando o golo é em fora de jogo, num lance polémico, que ninguem ouse dizer que o golo não foi limpo.
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Então isto foram os jornais desportivos esta manhã. estamparam euforicamente a noticia da primeira morte por Gripe A, de homem que tinha transplantado um rim à uns 8 ou 9 anos, tinha o corpo absolutamente em rejeição e que estava doente à um par de semanas (sem gripe A ainda).
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Ao que parece, o homem morreu por infecções bacterianas e, apesar de estar portador do virus H1N1, não estava com Gripe, ou melhor, o virus ainda não tinha dado sinal.
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Ao que parece, isso não importa nada. Apesar de ter sido em fora de jogo, com a mão, e de a bola não ter sequer ultrapassado a linha de golo, a verdade é que os jornais não ousam, com o mesmo destaque, dizer que não foi golo... ou melhor, que a pessoa não morreu por causa da gripe, mas sim por causa de outros problemas de saúde.
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Depois de tantas bolas ao poste, com aqueles que estiveram "quase quase, mesmo quase" a desfalecer com a gripe A, mas que depois se safaram, é bom um título bombástico, daqueles que mexe com toda a gente, com uma noticia que quase quase quase acertava.
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Bem pessoal... agora que o tiro de (falsa) partida foi dado, a ver se começam aí a caír que nem lampadas, para aqueles como o Correio da Manhã, o 24 horas, a TVI, entre outros, possam por em marcha as suas hostes a descrever as hecatombes. Sim, porque no país em que vivemos, o que interessa é notícias onde haja sangue, mortes, violações, porrada, futebol (de preferencia focando não a modalidade mas aquilo que orbita à sua volta, como os casos de arbitragem ou as "guerras" entre dirigentes), política (tambem focando apenas o que "está mal" ou focando aqueles que dizem "está mal". E uma "gripe mortal" como está a ser esta gripe (que até ver, matou menos gente, no mundo inteiro, que as gripes sazonais habituais), é claramente um "poço de petróleo" no que diz respeito a noticias e a fabricação de notícias.

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