domingo, julho 31, 2005

A Sinceridade

Uma das coisas que mais é valorizado eticamente e moralmente na nossa sociedade é a sinceridade e frontalidade de cada um, em dizer o que acha sem falsidades ou mentiras. Mas o que é certo é que muitos poucos são os que regem a sua vida com sinceridade absoluta. Há sempre alguma coisa que não dizem, alguma opinião que reservam ou um comentário que fica solto em pensamento, mas não se liberta em voz. E outra certeza é que muitas pessoas, apesar de defenderem frontalidade para elas, não são capazes de aguentar algo que é exposto frontalmente... e reagem negativamente à sinceridade dos outros...
.
Há sempre algo que nós guardamos para nós. Será que estamos a ser sinceros, quando estamos a conversar com uma rapariga, bem boa... quando fazemos um esforço doido para nos concentrarmos na conversa em si, e deixarmos as tentações da carne para outra altura... será que não deveríamos, por via da sinceridade, dizer-lhe abertamente "olha, desculpa mas és mesmo boa... e estou a fazer um esforço para ligar ao que estás a dizer, mas é bem complicado, por isso fala mais devagar, por favor!!"... acho que não!! Há quem se diga defensor da sinceridade, mas sinceramente não acredito que a rapariga não se sentisse um tanto ofendida e chateada, e não virasse as costas (também depende da relação que se tinha com ela)...
.
E isto é um facto. Quanto mais a confiança que se tem com uma pessoa, mais à vontade estamos para ser sérios frontais. Quando não conhecemos nem confiamos em alguem, muitas vezes abstemo-nos de ser totalmente frontais e verdadeiros. Será que estamos a ser sinceros, quando o nosso patrão, que nós só conhecemos de vista, nos fala e liberta um odor da boca insuportável? Não acredito que seja muito boa ideia dizer que o homem cheira mal da boca, mas nunca se sabe...
.
Quase sempre, há contenção quanto ao ser absolutamente sincero e frontal. Podemos considerar apenas a sinceridade como o acto de não mentir. Mas será que a ocultação de "verdades" e opinões nossas não influencia aquilo que os outros vêem em nós próprios? Não estaremos a "mentir" sobre a nossa verdadeira realidade, sobre aquilo que verdadeiramente pensamos? Mas é uma das formas de sermos aceites na sociedade, e torna-se um bem assumido por toda a gente. sermos sinceros, mas não verdadeiros, pelo menos não totalmente verdadeiros. haverá sempre alguma coisa que deve ser contida.
.
E os políticos dão o exemplo... São "sinceros", mas super falsos. São capazes de ter esta ou aquela opinião, mas por motivos e estratégias políticas, tém alturas próprias para a divulgar. Outras vezes, as suas frases são de tal maneira subtis, que podem ter tres ou quatro significados, que os defendem de qualquer eventualidade. E a quantidade de vezes que eles se abstém de exprimir uma opinião ou responder a uma pergunta. A sinceridade torna-se estratégica. Ser-se sincero, quando convém... ser-se enigmatico noutras alturas... ser-se falso a toda a hora.
.
Portanto, é lógico pensar-se que a ideia de moral e a etica, que "exigem" que o pessoal seja sério, sincero e frontal, é muito gira... Mas não é prática numa sociedade como a nossa, em que as mentalidades ainda são mesquinhas e tragicamente falsas.
.

sábado, julho 23, 2005

Mas será que anda tudo à noia ou que??

Estamos em 2005... eu nasci em 1982... entre 1982 e 1990 tenho poucas recordações acerca disso, mas lembro-me bem de que desde 1990 todos os verões há histórias de incendios. Até me recordo de ir para Santarém e o meu divertimento no velhinho Cinca (automóvel que o meu pai tinha na altura), quando não estava a contar os carros FIAT ou FORD ou RENAULT que passavam por nós, estava a ver se descobria algum sinal de incendio (um fumo preto). E lembro-me bem de estar a passar de carro por uma estrada que cruzava mesmo um incendio, ou melhor tinha cruzado, mas naquela fase do fogo, já não. De um lado ainda ardia, e lá estavam os carros dos bombeiros, mas do outro já não havia nada... e nós a passarmos na estrada (que já não estava cortada) e a vermos as chamas lá em cima da encosta.
Mas o que é real é que ano após ano, há histórias de fogos e incendios nas matas portuguesas... e ano após ano as pessoas se queixam da falta de meios. E depois queixam-se também que há seca, e que está calor, e isto e aquilo... Este ano, para agravar ainda mais isto tudo, estamos a viver uma seca que eu, com a minha curta idade, nunca me recordo de ter passado. Situação que poderia ser menos gravosa se, mais uma vez, tivessem avançado com alguns planos de criação de barragens e bacias, em zonas do Algarve, do Alentejo, planos estes que estão criados, mas que esperam por avalo político para poderem avançar no terreno... e agora, finalmente, sente-se a falta que fazem.
Mas descansem os mais "relaxados". Em 4 anos, criaram-se 10 novos estádios. O Porto já tem a "Casa da Música". Lisboa vai ter um Casino. Vamos ter um novo aeroporto. Vamos ter uma ligação TGV com Espanha. E portanto, vamos estar aparentemente "mais desenvolvidos".
Continuamos em crise e não há dinheiro para melhorar os meios de combate aos incendios, para criar formas de combater a seca, que se advinha cada vez mais regular ao longo dos próximos anos, para desenvolver as condições nos hospitais, nas escolas, etc, etc, etc... mas descansem que já temos novos estadios para ver a bola (nem que seja para ver o Figo a jogar contra os seus amigos), vamos ter um novo aeroporto e vamos ter uma ligação TGV até Espanha (numa altura em que se fala em fazer o avio em Espanha, mesmo bom ter um TGV para nos ajudar no caminho)...
Mas eu já estou a perceber tudo isto... quando não houver mais mato para arder e quando não existir mais campo para cultivar, quando a água dos rios deixar de correr, temos um novo aeroporto e um TGV, já para não falar das boas autoestradas que já existem, para podermos saír deste inferno, de uma forma mais rápida e confortável.
E ainda falam em crise... onde é que ela está?

quarta-feira, julho 20, 2005

Ora aqui vai mais um

Estou angustiado... não sei que dizer, mas estou angustiado e por isso, peço desculpa pelo silencio que assolou a minha alma nas últimas duas semanas. Estive desanimado, preocupado e muito mas mesmo muito discrente sobre a vida que levo e que procuro levar, sobre os valores que eu considero fulcrais para mim, e pelos quais me rejo, mas que vejo que outros ignoram e dispensam e para os quais se estão pura e simplesmente a cagar.
Muitas pessoas gostam de dar nas vistas, gostam de ser notados... é algo natural e instintivo. As crianças, se notarem bem, quando estão a conversar ou a falar em grupo, o som das suas vozes começa a crescer de uma forma regular. Após cada intervenção, procuram falar mais alto, até ao ponto em que incomoda e alguem diz "falem mais baixo". Outras crianças, para darem nas vistas, gostam de fazer porcaria, outras de fazer rir, etc, etc. Outras há que são mais tímidas e que por isso, apesar de quererem ser notadas. É algo natural e instintivo de cada um de nós.
Nos adultos, este instinto mantém-se. Talvez a única diferença esteja nos métodos de executar a mesma acção. Um dos métodos preferidos é o da conversa, o da história. Não entendo porque (porque é parte indiscritível na mente humana, a sua vontade de querer saber mais, querer saber coisas que mais ninguem sabe). Uma pessoa com muitas histórias para contar, faz-se notada, é um centro de atenções. O ego está lá. Para além das histórias, outra forma de alguem se fazer notada, é queixar-se... A sopa não está morna o suficiente, o bife não está bem passado, o professor não sabe ensinar... e no fim disto tudo, mostrar-se indignado. Uma pessoa indignada, é um centro de atenções. E à volta dela outras pessoas que procuram associar-se às indignações "é verdade!! a minha sopa estava fria também!!" e com este sentimento, algo relaciona sujeitos e os torna mais unos: um motivo para se indinarem;
Qualquer bom artista tem algo que desperta a sua criatividade... pode ser um beijo de uma pessoa que amam, uma boquilla, pode ser um relampago, pode ser uma simples folha que cai de uma árvore, mas há sempre um acontecimento, simples ou complexo, que vai despertar um sem número de sensações que permitem a construção de arte. Da mesma forma, há pessoas que procuram também a faísca para dar início ao "filme" e à história que precisam para conseguirem dar largas à "indignação" (também à imaginação) e serem o centro de atenção...
Ora, é com a falsa indignação de outros que se constroem mundos como os que temos hoje: um mundo falso. Quando alguem se queixa dos outros que aumentaram impostos e que mergulharam um país num sem número de medidas de conteção, e mostra uma indignação clara perante isso, mas que na primeira oportunidade que tem para mostrar o que sabe fazer, repete os actos fonte de indignação, isto diz tudo sobre tudo... Não há grande volta a dar.
Mas nem falo em relação aos governos, porque já o disse anteriormente, estou descrente em relação à política e por isso, não tenho muita pachorra para comentar isso... mas não me inibo de um dia voltar a falar de algum assunto político... mas nesta altura, não é de política que tenho de falar. Falo de um dos maiores defeitos que esta sociedade tem: o mal dizer. Admito que eu próprio várias vezes, quando me sinto tocado e "indignado" procuro exprimir de várias formas essa indignação. Por exemplo, com este post.
Falo da grande facilidade que a sociedade tem para exprimir indignações que nada tém de verdadeiro. Fazer as chamadas tempestades num copo de água. E com essas tempestades, conseguir danificar a imagem de outras pessoas, sem razões para tal. Mas o embustre é algo que também faz outra pessoa ser notada. O ser responsável pela "culpabilização" de outra pessoa, é um motivo de regozijo e de afirmação pessoal...
NÃO, NÃO É!! MAS QUE MERDA DE SOCIEDADE É ESTA??
Muitos pensam assim ingénuamente. Muitos julgam que a melhor maneira de darem nas vistas é falarem mal, é criticarem isto ou aquilo, é insultarem, não com asneiras, mas com suposições e ideias, é criarem o boato, é o serem o centro de associação de movimentos de discórdia ou de maldizer. Mas o problema é que esta não é a sociedade que nós queremos!! Eu pelo menos não quero.
Aceito que se critiquem os erros que cada um comete, aceito que se culpabilizem terceiros pelas falhas que foram cometidas. Aceito tudo isso, e nunca aceitarei ser desresponsabilizado de algo que fiz e que, de consciencia, sei ter errado. Mas nunca aceitarei que o boato seja uma forma de me penalizar sobre o que quer que seja. Nunca serei um peão nos dedos de alguem que, de cima de um pedestral, procure sujar a minha alma com a água que usuou para limpar a dele próprio.
E o parvinho está aqui no seu cantinho, quieto e caladinho... à espera que venham e tentem espezinha-lo... Mas a alma está limpa, e preparada para os alpicos de sujidade que lhe quiserem atirar. Mas tentem, se calhar vale a pena e será "divertido" e alguns terão os 5 min de fama que tanto apreciam, mas atenção não vá o feitiço virar-se para o feiticeiro...
Beijos e abraços!! e muitos filmes para todos!! eheheh