Manifesto Português, By To Ginja, o Tuga
Portugal: delimitado a oeste e sul pelas águas do Oceano Atlântico e a norte e Oeste pela poderosa Liga Espanhola. Outrora, o longínquo Brasileirão fez também parte das terras Lusitanas, mas em meados do século XIX, os povos de Santos, Vasco da Gama, São Paulo, São Caetano entre outros tomaram a decisão, impulsionados por um infante da terra mãe (no famoso “Grito do Ipiranga”), deixar de estar ligados à FPF, criando eles próprios uma nação independente (CFB).
Portugal está dividido em 3 grandes grupos, denominados de “três grandes”. Depois há um 4º grupo, que é o “grupo dos pequenos”, onde se englobam vários outros povos (sadinos, académicos, Vimaranenses, Belenenses, Escalabitanos, etc, etc.). Não é raro acontecer que muitos dos que pertencem aos “pequenos” detenham afinidades com algum dos “3 grandes”. Historicamente, estes povos surgiram no início do séc. XX, altura que as grandes instituições que regem actualmente o dia a dia desse país que é Portugal, decidiram organizar-se, através do contributo dos chamados “sócios”, como que parlamentares dos grupos em questão. Na altura estava em voga um desporto novo chamado futebol, e esses grupos serviram-se exactamente desse futebol para cativar adeptos e novos sócios (não esquecer que cada sócio de cada clube paga determinada cota). Estavam criados os Clubes de Futebol. Ao longo dos anos, uns apareceram e desapareceram… outros existem mas ninguém ouviu nem ouve falar deles… e outros dotaram-se de importância estratégica para o país.
Geograficamente, o país está dividido em Norte, Centro, Sul e Ilhas. Nesta altura, o Centro é associado muitas vezes ao Sul… e as Ilhas são um grupo à parte, que ninguém dá muita atenção, a não ser quando algum dos “3 grandes” vai lá jogar. O povo do Sul é abundantemente preenchido pelos povos Lampião e Lagarto, que vivem em Harmonia ao longo de uma linha de fronteira, chamada Segunda Circular. Os clubes que definem o comportamento desses povos são o SL Benfica e o Sporting CP. No passado, as “turras” entre os dois eram frequentes, mas actualmente, há festejos conjuntos quando se derrota o “arqui-rival” do Norte, nomeadamente em campeonatos ou taças. Houve mesmo, no último campeonato ganho pelo Mário Jardel e os seus 16 penaltis (ambos vinculados ao Sporting da época 2001/02), Lampiões, em pleno estádio de Alvalade (já arrasado) a festejarem com pompa e circunstancia, a vitória dos Lagartos, algo que há não muitos anos atrás seria impensável.
Tudo porque há um povo que toda a gente detesta: os tripeiros, e nenhum dos outros povos aceita o êxito desses tripeiros. O FC Porto é o clube do Norte, que associa o povo dos “Tripeiros”. É o clube que mais êxito tem tido, nos últimos anos, algo completamente abominável aos olhos dos Lagartos e Lampiões, que não suportam os Tripeiros. Uma vitória do FC Porto é uma derrota para Lagartos e Lampiões… no entanto, uma derrota dos tripeiros é motivo de regozijo para os povos do Centro, Sul e Ilhas. Não interessa quem os derrota, apenas e só interessa o facto que foram derrotados, o que provoca festejos magnificentes por parte dos povos “não tripeiros”.
Politicamente este país é um pouco parecido com o sistema político dos EUA. Quem toma as decisões gerais é a Federação Portuguesa de Futebol, liderada pelo Dinossauro Gilberto Madaíl. No entanto, existe como que um senado, que é também decisivo num contexto de decisões que se podem tomar. Esse senado é a chamada Liga de Clubes, liderada pelo não menos polémico e forte Major Valentim Loureiro. Actualmente, um escândalo político abalou, por momentos, a vida política do sector, com o Major a ser implicado num caso de corrupção, com o nome de código Apito Dourado. Apesar de digno e honrado, Portugal não se livra de escândalos políticos, como este é um exemplo.
Mas cada povo tem o seu líder, cujo respeito e importância suplanta em larga maioria os líderes políticos de Portugal. Os Lagartos tem o ancião Dias da Cunha… do outro lado da segunda circular, habita o líder dos Lampiões: o Gran Chefe Luís Filipe Vieira, sempre coadjuvado pelo seu fiel escudeiro e conselheiro Menino Tonecas, ou o mago José Veiga, outrora responsável pela entrada e saída de grandes jogadores para Portugal (o Deco veio para o Benfica – ainda bem – pelas mãos de José Veiga). Mas no Porto habita o grande senhor de Portugal. Respeitado por poucos, venerado por muitos, temido por todos… este homem é o grande senhor dos Tripeiros. O Papa Pinto da Costa. Ele é responsável por tudo quanto de mal acontece no Mundo português… desde derrotas do Benfica, a vitórias do Porto em campeonatos ou taças. Quando ele partir, a sua falta será sentida no povo tripeiro, mas será aplaudida pelos restantes povos de Portugal.
Em Portugal, apesar de o Poder estar colocado nos ombros das entidades acima referidas, está na prática disperso. Na prática, cada povo tem a sua política e a sua maneira de viver. São os Lampiões o povo mais numeroso de Portugal, e grande parte da atenção da comunicação social prende-se muito com as suas movimentações. De certa forma, são eles os principais responsáveis pelo rumo que Portugal tem no presente. No entanto, a nível de relações exteriores, o grande interveniente é o povo Tripeiro. Talvez devido à sua proximidade com Castela, seja mais fácil deter posições no resto da Europa. Mas não se deve apenas a esta casualidade geográfica. A ambição do povo tripeiro levou-o a conquistar a Europa, por dois anos seguidos, o que prendeu a atenção dos Povos além fronteiras aos êxitos assegurados pelo FC Porto, e a dar atenção a Portugal. Para além destas conquistas, o povo tripeiro, através do seu FC Porto, ao longo dos anos, tem chamado assim a responsabilidade de conseguir mais planos de batalhas para os outros povos. Daí que, este ano, tenham podido estar presentes na Taça UEFA 5 clubes (Benfica, Sporting, Sp Braga, Nacional e Marítimo). Não se sabe se esta é uma tentativa de aproximação do FC Porto aos restantes povos nacionais, ou se foi apenas um acto involuntário, fruto da ambição de conquista presente no povo Tripeiro. O outro grande, ou Sporting, não tem grande intervenção na vida política Portuguesa. Julga-se que o Ancião Dias da Cunha chamou até si a responsabilidade de animar todos os povos portugueses… por isso, quase todas as semanas assistimos a episódios hilariantes, em que o ancião é protagonista. De algum modo, dá a entender que ele é como que o “bobo da corte” em Portugal, mas dá graça ver as suas conversas.
Resumindo, temos um país e vários povos, cada qual com o seu próprio rumo. Ora, qualquer pessoa no seu perfeito juízo percebe que este retrato não corresponde à realidade, mas tem o seu quê de verdade. Vamos a ver as coisas, e num país com a história que Portugal tem, com as responsabilidades que cada um tem numa sociedade, continuamos a dar atenção doentia a “clubites agudas”. Damos mais importância às bocas da namorada ou amante ou puta do Pinto da Costa (ainda não percebi que raio de coisa é aquela, mas enfim… no estádio da luz deu para ver a grande colecção de cromos, onde ela se apresentava, que estava amontoada lá no cubículo reservado para o povo tripeiro que quis assistir ao combate entre FC Porto e SL Benfica) ao Big Boss Luís Filipe Vieira, das provocações deste ao Papa Pinto, discussões do menino Tonecas entre o Papa e o lacaio do LFV, das birras de clubes e treinadores com os árbitros, dos erros dos árbitros que levaram a que uma equipa que falha 7 e 8 oportunidades flagrantes de golo a perder ou a empatar o jogo, das novelas das contratações e assédios a jogadores, entre tantas outras coisas. A nossa sociedade perde-se nestas coisas e esquece outras mais importantes. Claro que a grande maioria das pessoas não se deixa levar pela “clubite” mas é certo e sabido que a Comunicação Social prefere abrir um jornal com um escândalo no futebol… e que as pessoas darão mais atenção a essa notícia do que a outras no mesmo jornal. Repito, não é um comportamento generalizado, mas uma grande maioria age dessa maneira.
Cada vez mais o povo português perde capacidade de análise aos problemas que realmente interessam para a sua vivência. Cada vez mais ignoramos problemas tão graves, como por exemplo a colocação atribulada de professores, e damos mais tempo de antena a episódios tristes protagonizados pelas gentes do futebol. Os problemas só tocam numa pessoa, quando lhe dizem respeito e um governo só precisa de arranjar uma “base de apoio” numerosa, onde não se mexe com cortes. Fiquem com o exemplo dos EUA. O povo americano não foi dos principais prejudicados pela política de George Bush, pelo que não teve problemas em votar novamente nele. Em Portugal o comportamento será semelhante, caso as pessoas tenham memória curta e não tenham capacidade de absorver os problemas gerais que afectam vários sectores da sociedade.
Facilmente se corrompe o espírito e a mente do sujeito português. Basta ser capaz de dar ao português aquilo que ele quer, mesmo que se tirem três coisas e se de apenas uma. A memória curta do português faz com que todas as atrofias anteriores ao “bom bom” sejam esquecidas e num momento de decisões as coisas se façam “magias”. O que se passou nos EUA é um reflexo do que pode acontecer por cá, apesar de todos os defeitos, decisões e confrontações que este governo já teve. Tudo porque o espírito português, como o de outras civilizações, é fraco e facilmente corrompido. E temos no futebol a facilidade como corrompe o espírito de um povo. Se por exemplo, num dia qualquer, há uma situação qualquer, vamos imaginar, em que se anuncia que as listas de espera num determinado hospital vão se atrasar ainda mais, por falta de verba para pagar aos médicos; no mesmo dia há jogo do Benfica vs Porto ou um Sporting vs Benfica ou outro derby qualquer; a atenção das pessoas estará virada para um jogo de futebol, e apenas aqueles que de algum modo serão afectados ou já foram afectados pelo problema em si, vão perceber que o caso é grave. O “resto da charanga” vai achar grave apenas o facto de o árbitro do jogo não ter anulado o golo, porque estava fora de jogo, ou de não ter marcado penalti… e assim anda a Sociedade Portuguesa… numa de só interessa quando toca a nós. Se o árbitro rouba para o outro lado, é um ladrão e chamam-lhe tudo. Se o árbitro rouba para nós, rimo-nos e não criticamos nada do que ele tenha feito. Isto chama-se Hipocrisia e nisto anda a Sociedade Portuguesa
Uma sociedade demasiado presa a assuntos que não são do interesse de ninguém, ignorando assuntos e problemas que de momento podem não ser, mas que num futuro poderão ser… e muitos só aí é que se apercebem. Por exemplo, poucos dão valor ao real problema de se estar anos à espera de uma operação qualquer importante para o bem-estar da pessoa. Mas o certo é que quando tocar a alguém próximo de nós, as coisas serão vistas de maneira diferente. Mas aí se calhar já é tarde para tomar posição.Um manifesto um pouco diferente, mas ao mesmo tempo um bom retrato (mais um) do povo português… os anos passam, mas a imagem na minha mente do povo português não se altera muito. Talvez o melhor seja mudar de ares, e talvez seja um rumo que de à minha vida num futuro a longo prazo. Sinceramente, não deve acontecer… mas enfim… sou português, tenho de aguentar à bronca. E a minha tentativa para mudar as coisas, vai na forma de Manifesto. Sei que é uma tentativa vã, mas deixa-me mais descansado o facto de poder escrever sobre problemas e coisas que, de algum modo, nos rodeiam. Um abraço e até à próxima!!
Portugal está dividido em 3 grandes grupos, denominados de “três grandes”. Depois há um 4º grupo, que é o “grupo dos pequenos”, onde se englobam vários outros povos (sadinos, académicos, Vimaranenses, Belenenses, Escalabitanos, etc, etc.). Não é raro acontecer que muitos dos que pertencem aos “pequenos” detenham afinidades com algum dos “3 grandes”. Historicamente, estes povos surgiram no início do séc. XX, altura que as grandes instituições que regem actualmente o dia a dia desse país que é Portugal, decidiram organizar-se, através do contributo dos chamados “sócios”, como que parlamentares dos grupos em questão. Na altura estava em voga um desporto novo chamado futebol, e esses grupos serviram-se exactamente desse futebol para cativar adeptos e novos sócios (não esquecer que cada sócio de cada clube paga determinada cota). Estavam criados os Clubes de Futebol. Ao longo dos anos, uns apareceram e desapareceram… outros existem mas ninguém ouviu nem ouve falar deles… e outros dotaram-se de importância estratégica para o país.
Geograficamente, o país está dividido em Norte, Centro, Sul e Ilhas. Nesta altura, o Centro é associado muitas vezes ao Sul… e as Ilhas são um grupo à parte, que ninguém dá muita atenção, a não ser quando algum dos “3 grandes” vai lá jogar. O povo do Sul é abundantemente preenchido pelos povos Lampião e Lagarto, que vivem em Harmonia ao longo de uma linha de fronteira, chamada Segunda Circular. Os clubes que definem o comportamento desses povos são o SL Benfica e o Sporting CP. No passado, as “turras” entre os dois eram frequentes, mas actualmente, há festejos conjuntos quando se derrota o “arqui-rival” do Norte, nomeadamente em campeonatos ou taças. Houve mesmo, no último campeonato ganho pelo Mário Jardel e os seus 16 penaltis (ambos vinculados ao Sporting da época 2001/02), Lampiões, em pleno estádio de Alvalade (já arrasado) a festejarem com pompa e circunstancia, a vitória dos Lagartos, algo que há não muitos anos atrás seria impensável.
Tudo porque há um povo que toda a gente detesta: os tripeiros, e nenhum dos outros povos aceita o êxito desses tripeiros. O FC Porto é o clube do Norte, que associa o povo dos “Tripeiros”. É o clube que mais êxito tem tido, nos últimos anos, algo completamente abominável aos olhos dos Lagartos e Lampiões, que não suportam os Tripeiros. Uma vitória do FC Porto é uma derrota para Lagartos e Lampiões… no entanto, uma derrota dos tripeiros é motivo de regozijo para os povos do Centro, Sul e Ilhas. Não interessa quem os derrota, apenas e só interessa o facto que foram derrotados, o que provoca festejos magnificentes por parte dos povos “não tripeiros”.
Politicamente este país é um pouco parecido com o sistema político dos EUA. Quem toma as decisões gerais é a Federação Portuguesa de Futebol, liderada pelo Dinossauro Gilberto Madaíl. No entanto, existe como que um senado, que é também decisivo num contexto de decisões que se podem tomar. Esse senado é a chamada Liga de Clubes, liderada pelo não menos polémico e forte Major Valentim Loureiro. Actualmente, um escândalo político abalou, por momentos, a vida política do sector, com o Major a ser implicado num caso de corrupção, com o nome de código Apito Dourado. Apesar de digno e honrado, Portugal não se livra de escândalos políticos, como este é um exemplo.
Mas cada povo tem o seu líder, cujo respeito e importância suplanta em larga maioria os líderes políticos de Portugal. Os Lagartos tem o ancião Dias da Cunha… do outro lado da segunda circular, habita o líder dos Lampiões: o Gran Chefe Luís Filipe Vieira, sempre coadjuvado pelo seu fiel escudeiro e conselheiro Menino Tonecas, ou o mago José Veiga, outrora responsável pela entrada e saída de grandes jogadores para Portugal (o Deco veio para o Benfica – ainda bem – pelas mãos de José Veiga). Mas no Porto habita o grande senhor de Portugal. Respeitado por poucos, venerado por muitos, temido por todos… este homem é o grande senhor dos Tripeiros. O Papa Pinto da Costa. Ele é responsável por tudo quanto de mal acontece no Mundo português… desde derrotas do Benfica, a vitórias do Porto em campeonatos ou taças. Quando ele partir, a sua falta será sentida no povo tripeiro, mas será aplaudida pelos restantes povos de Portugal.
Em Portugal, apesar de o Poder estar colocado nos ombros das entidades acima referidas, está na prática disperso. Na prática, cada povo tem a sua política e a sua maneira de viver. São os Lampiões o povo mais numeroso de Portugal, e grande parte da atenção da comunicação social prende-se muito com as suas movimentações. De certa forma, são eles os principais responsáveis pelo rumo que Portugal tem no presente. No entanto, a nível de relações exteriores, o grande interveniente é o povo Tripeiro. Talvez devido à sua proximidade com Castela, seja mais fácil deter posições no resto da Europa. Mas não se deve apenas a esta casualidade geográfica. A ambição do povo tripeiro levou-o a conquistar a Europa, por dois anos seguidos, o que prendeu a atenção dos Povos além fronteiras aos êxitos assegurados pelo FC Porto, e a dar atenção a Portugal. Para além destas conquistas, o povo tripeiro, através do seu FC Porto, ao longo dos anos, tem chamado assim a responsabilidade de conseguir mais planos de batalhas para os outros povos. Daí que, este ano, tenham podido estar presentes na Taça UEFA 5 clubes (Benfica, Sporting, Sp Braga, Nacional e Marítimo). Não se sabe se esta é uma tentativa de aproximação do FC Porto aos restantes povos nacionais, ou se foi apenas um acto involuntário, fruto da ambição de conquista presente no povo Tripeiro. O outro grande, ou Sporting, não tem grande intervenção na vida política Portuguesa. Julga-se que o Ancião Dias da Cunha chamou até si a responsabilidade de animar todos os povos portugueses… por isso, quase todas as semanas assistimos a episódios hilariantes, em que o ancião é protagonista. De algum modo, dá a entender que ele é como que o “bobo da corte” em Portugal, mas dá graça ver as suas conversas.
Resumindo, temos um país e vários povos, cada qual com o seu próprio rumo. Ora, qualquer pessoa no seu perfeito juízo percebe que este retrato não corresponde à realidade, mas tem o seu quê de verdade. Vamos a ver as coisas, e num país com a história que Portugal tem, com as responsabilidades que cada um tem numa sociedade, continuamos a dar atenção doentia a “clubites agudas”. Damos mais importância às bocas da namorada ou amante ou puta do Pinto da Costa (ainda não percebi que raio de coisa é aquela, mas enfim… no estádio da luz deu para ver a grande colecção de cromos, onde ela se apresentava, que estava amontoada lá no cubículo reservado para o povo tripeiro que quis assistir ao combate entre FC Porto e SL Benfica) ao Big Boss Luís Filipe Vieira, das provocações deste ao Papa Pinto, discussões do menino Tonecas entre o Papa e o lacaio do LFV, das birras de clubes e treinadores com os árbitros, dos erros dos árbitros que levaram a que uma equipa que falha 7 e 8 oportunidades flagrantes de golo a perder ou a empatar o jogo, das novelas das contratações e assédios a jogadores, entre tantas outras coisas. A nossa sociedade perde-se nestas coisas e esquece outras mais importantes. Claro que a grande maioria das pessoas não se deixa levar pela “clubite” mas é certo e sabido que a Comunicação Social prefere abrir um jornal com um escândalo no futebol… e que as pessoas darão mais atenção a essa notícia do que a outras no mesmo jornal. Repito, não é um comportamento generalizado, mas uma grande maioria age dessa maneira.
Cada vez mais o povo português perde capacidade de análise aos problemas que realmente interessam para a sua vivência. Cada vez mais ignoramos problemas tão graves, como por exemplo a colocação atribulada de professores, e damos mais tempo de antena a episódios tristes protagonizados pelas gentes do futebol. Os problemas só tocam numa pessoa, quando lhe dizem respeito e um governo só precisa de arranjar uma “base de apoio” numerosa, onde não se mexe com cortes. Fiquem com o exemplo dos EUA. O povo americano não foi dos principais prejudicados pela política de George Bush, pelo que não teve problemas em votar novamente nele. Em Portugal o comportamento será semelhante, caso as pessoas tenham memória curta e não tenham capacidade de absorver os problemas gerais que afectam vários sectores da sociedade.
Facilmente se corrompe o espírito e a mente do sujeito português. Basta ser capaz de dar ao português aquilo que ele quer, mesmo que se tirem três coisas e se de apenas uma. A memória curta do português faz com que todas as atrofias anteriores ao “bom bom” sejam esquecidas e num momento de decisões as coisas se façam “magias”. O que se passou nos EUA é um reflexo do que pode acontecer por cá, apesar de todos os defeitos, decisões e confrontações que este governo já teve. Tudo porque o espírito português, como o de outras civilizações, é fraco e facilmente corrompido. E temos no futebol a facilidade como corrompe o espírito de um povo. Se por exemplo, num dia qualquer, há uma situação qualquer, vamos imaginar, em que se anuncia que as listas de espera num determinado hospital vão se atrasar ainda mais, por falta de verba para pagar aos médicos; no mesmo dia há jogo do Benfica vs Porto ou um Sporting vs Benfica ou outro derby qualquer; a atenção das pessoas estará virada para um jogo de futebol, e apenas aqueles que de algum modo serão afectados ou já foram afectados pelo problema em si, vão perceber que o caso é grave. O “resto da charanga” vai achar grave apenas o facto de o árbitro do jogo não ter anulado o golo, porque estava fora de jogo, ou de não ter marcado penalti… e assim anda a Sociedade Portuguesa… numa de só interessa quando toca a nós. Se o árbitro rouba para o outro lado, é um ladrão e chamam-lhe tudo. Se o árbitro rouba para nós, rimo-nos e não criticamos nada do que ele tenha feito. Isto chama-se Hipocrisia e nisto anda a Sociedade Portuguesa
Uma sociedade demasiado presa a assuntos que não são do interesse de ninguém, ignorando assuntos e problemas que de momento podem não ser, mas que num futuro poderão ser… e muitos só aí é que se apercebem. Por exemplo, poucos dão valor ao real problema de se estar anos à espera de uma operação qualquer importante para o bem-estar da pessoa. Mas o certo é que quando tocar a alguém próximo de nós, as coisas serão vistas de maneira diferente. Mas aí se calhar já é tarde para tomar posição.Um manifesto um pouco diferente, mas ao mesmo tempo um bom retrato (mais um) do povo português… os anos passam, mas a imagem na minha mente do povo português não se altera muito. Talvez o melhor seja mudar de ares, e talvez seja um rumo que de à minha vida num futuro a longo prazo. Sinceramente, não deve acontecer… mas enfim… sou português, tenho de aguentar à bronca. E a minha tentativa para mudar as coisas, vai na forma de Manifesto. Sei que é uma tentativa vã, mas deixa-me mais descansado o facto de poder escrever sobre problemas e coisas que, de algum modo, nos rodeiam. Um abraço e até à próxima!!
