terça-feira, janeiro 04, 2005

Malograda Natureza

Facto: A vida surgiu, em certo momento, neste planeta, fruto de uma rara junção de acontecimentos e condições que não parecem ter-se repetido noutros planetas conhecidos. Ora, o acaso deu chance a que a vida surgisse neste planeta... isto é um facto! Como também parece ser facto que um acaso devastador possa acabar rapidamente com tudo o que está criado.

Já várias vezes falei sobre a morte e na relação que tenho com ela. Aflige-me pensar e ver outros a morrerem, mas não temo muito a minha própria morte, embora espere que o meu tempo possa ser muito, mesmo muito, comprido. Mas sei que um dia ela vai chegar a mim, como há-de chegar aqueles que me são próximos. É mais uma realidade... dura e drástica, mas uma realidade que ninguem pode evitar. Estamos todos à mercê dela, seja numa súbita paragem cardíaca, seja num longo e penoso período de doença, seja resultado de uma bomba ou mesmo de um qualquer acontecimento natural.

Quero chegar à tragédia que aconteceu no dia 26 de Dezembro. O mais penoso exemplo de que a Natureza é caprichosa e quando quer matar, mata sem dó nem piedade. Às vezes, ao olharmos para uma bela paisagem, para fotografias de um lindo e belo lugar, vem-nos à cabeça sentimentos de tranquilidade, de pura satisfação. Jamais, a olhar para tão belos lugares, imaginamos sequer a ideia de que ela própria, que tenha construído esses lugares com tanto tempo e dedicação, decida de um momento para o outro acabar com tudo, de forma ríspida e imediata... Mas ela é assim, e quando tem de acontecer um desastre, este acontece

Todos nós sabemos que um dia tudo isto terá um fim, mas todos nós sabemos e acreditamos que esse dia só virá bem mais tarde, dentro de muitos e muitos anos... da mesma forma que a morte chegará um dia a nós, o fim do mundo como nós o conhecemos também chegará (de preferencia só lá para daqui a uns 5000 milhões de anos (mais milhão menos milhão), na melhor das hipóteses...

Vale a pena uma pessoa preocupar-se com isto? De forma alguma. Todos nós sabemos que havemos de morrer um dia. Quando ninguem sabe, ninguem quer saber (eu também não). E preocupar-se com a morte? Só no sentido de querer que ela seja o mais tardar possível, para nós e para os que nos são próximos. Agora, aceitar que ela não está no nosso controlo e que pode acontecer fruto de uma pedra que caia do céu ou de toneladas de água em fúria que nos atinjam em cheio no meio de uma praia... aceitar que um dia vamos morrer e no que depender de nós, não o permitir; no que depender da Natureza, aceitar que estamos à mercê dela e quando for, é!

Em Conclusão, vivam com cabeça, para durarem o mais tempo possível, mas aceitem, com naturalidade, que um dia a vida acaba mesmo... agora, sabendo e aceitando isto, não se esqueçam de viver a vossa vida da melhor maneira que puderem.

PS.: um bocado macabro este texto, mas não se deixem intimidar e não pensem neste assunto como um dogma ou um tabú... é uma realidade.