terça-feira, agosto 19, 2008

Fim do meu culto Barreirense

Dia 23 de Agosto faz um ano que concluí a minha participação num culto que durante 15 anos da minha vida foi não só um paralelismo mas também, muitas vezes, o próprio caminho que optei seguir. Um culto que alimentava os meus sonhos e perspectivas e que motivou a que, durante todos esses anos anos, a minha dedidação fosse tal que me prejudiquei a mim próprio para dar mais a uma casa que adorei e ainda adoro… sem nunca, mesmo agora, o lamentar.
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Fará dia 23 um ano que entrei para dentro de uma sala e de lá saí afogado na mais profunda desilusão e arreliadora mágoa que podia sentir. Valores que julgava serem claros naquela casa dissiparam-se. Valores que aprendi ali a respeitar e a tomar como meus também, esvaneceram-se corrompidos por entre mentiras e falácias doseadas para mascarar a intenção real de me verem afastado e distante daquele mundo.
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Foram doze anos ligado ao clube, onde fui jogador, treinador, seccionista, estatístico, motorista, escrituário, árbitro, fiz cartazes, preparei torneios, fui “ama seca”, amigo e companheiro, filmei jogos, preparei e geri um site de minibasket, e, sobretudo, preocupei-me, empenhei-me, dediquei-me para que tudo o que fizesse, o fizesse com qualidade e competência, não por mim mas pelo clube e pelos miúdos que comigo trabalhavam. Dia 23 fará um ano em que me disseram que nada disso importava… E tudo porque fui eu próprio, porque me atrevi a batalhar pelo que acreditava lá dentro e de confrontar as pessoas em assuntos que considerava pertinentes. Falei e tomei posições, e saí do clube porque duas pessoas consideraram ser necessário castigar essa minha ousadia. Para essas pessoas, ficou clara a ideia de que não interessava ao clube ter pessoas como eu que se atreviam a ser, como eles próprios disseram, “teimosas” por defenderem convicções, mesmo que essas visassem a defesa de um bem maior do que o próprio umbigo.
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A desilusão foi enorme. Deles não houve sequer a coragem nem a decência real de me dizer frontalmente que não contavam comigo, revertendo-se para a ideia simples do quem está mal que se mude, tentando ao mesmo tempo que eu me sentisse mal o suficiente para me afastar… e foi exactamente isso que optei por fazer. Já não era querido ali e não me restava alternativa senão abandonar o barco e, de preferência, enquanto ele estivesse atracado, pois entendi a época que tinha passado e o que poderia vir numa nova: a de ter, dentro do clube, movimentação da parte dessas duas pessoas para sabotar e dificultar o trabalho que me aprontasse a executar. Foi, como disse, o que aconteceu numa época que havia terminado à pouco e, finalmente, entendia os porquês…
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Durante anos, vivi aquele culto (12 naquela casa e 3 numa mais abaixo), de autocarro, de bicicleta, a pé, de automóvel ou à boleia, o ir praticamente todos os dias ao Barreiro inicialmente para treinar e mais tarde para dar treino. As rotinas do subir aquelas escadinhas, cruzar as portas de ferro preto, ver aquelas caras conhecidas que, essas sim, explanavam uma real consideração pela minha dedicação. Estava determinado em não repetir aquelas rotinas, pelo menos enquanto sentisse a mágoa que sinto. E assim, dia 23 fará um ano desde a última vez que pisei o chão do velhinho ginásio sede do FC Barreirense.
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Aprendi duas coisas com tudo isto: a primeira, e mais importante, foi a abrir os olhos. Palavras simpáticas e palmadinhas nas costas escondem muitas vezes más intensões. Vai fazer um ano que duas pessoas que sempre disseram e sempre badalaram o respeito e a consideração que tinham por mim, confirmaram naquela reunião o desprezo que afinal nutriam. Sobretudo no após, quando nos dias, semanas e meses seguintes houve a tentativa clara de apagar a realidade e construir falsas verdades sobre a situação, mais condizentes para com eles… chegando ao ponto de atribuir palavras e actos a mim que mais não são do que ficção.
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Senti-me magoado e extremamente desiludido, é certo, mas reajo pura e simplesmente como sou e como me ensinaram a ser. Para mim agora mais não são do que duas personagens conhecidas, cujos índices de confiança são nulos. Como tal, nunca os deixei de cumprimentar nas vezes que com eles me cruzei… mas o trato rege-se por frieza e indiferença obvia, recusando tomar qualquer tipo de conversa de conveniência com essas pessoas.
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A segunda coisa que aprendi é que nós somos aquilo que a nossa vida percorre. Os doze anos que passei no FC Barreirense foram um tempo que já terminou mas que me fez ser o que sou hoje. Aquilo que fomos e que já ultrapassamos na vida é tudo o que nós somos no presente... Ao clube e às pessoas que por lá estão, que tão bem me receberam e que tão bem me trataram nesses 12 anos, tenho de deixar o meu obrigado… aos restantes que tudo fizeram para que eu não tivesse sucesso nem reconhecimento, também agradeço, mas respeito e consideração não guardo. Conseguiram, porque eu o permiti, que deixasse o culto… mas nunca deixarei de torcer por um clube que é parte de mim.