O verdadeiro cry Baby
Antes de mais, o que é um cry baby? Bom, é um "bebé chorão"... há duas maneiras de definir os bebés chorões: 1) aqueles que fazem birra por que não terem o que querem e 2) os que fazem birra por não lhes darem atenção.
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Ontem, dia 31 de Julho, com toda a pompa e circunstancia foi noticiado que o nosso perspicaz presidente da republica, o senhoríssimo Haníbal Cavalo Silva, iria dirigir uma comunicação à nação "muito importante", pois só isso o faria deixar as férias no aconchego do Algarve para se deslocar a Lisboa.
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Viveram-se momentos de alguma especulação; o que iria ser comunicado? Será que, finalmente, o presidente da república iria tomar uma posição pública relativamente a um qualquer assunto realmente pertinente? iria falar da crise económica? iria demitir o governo? iria demitir-se a ele próprio? Nenhuma delas se comprovou...
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O nosso querido presidente veio à televisão falar dos açores e da inconstucionalidade do estatuto político administrativo da região autónoma dos Açores... não sei ao certo do que se trata, mas obviamente que compreendo pertinencia nesse assunto. O que não compreendo é porque raio é dado tamanha importancia a um assunto que ficaria bem resolvido nos parametros normais; o presidente anunciava o seu veto à coisa, a coisa voltava ao parlamento, a malta da política(açoreanos, governo, oposição, comentadores, etc) discutiria o assunto, as coisas passavam e tudo se resolveria.
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Ora, quis o presidente puxar assim as atenções de um verão parvo que temos por aí... a meu ver, procurando apenas uma "atenção" que poucos lhe dão. Porque raio é que sentiu o nosso estimado presidente necessidade de vir para a televisão anunciar o veto? Será que fez o mesmo noutras situações? Não!
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Por outro lado, vão haver eleições regionais dentro de pouco tempo... terá sido uma tomada de posição "partidária", na esperança de despoletar alguma resposta do PSD que lhe permitisse retirar um tipo qualquer de vantagem de visibilidade na campanha eleitoral que se avizinha na região?
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Eu acho sinceramente, o presidente procurou apenas chamar a atenção para si. Mostrando simplesmente arrogancia pura, no sentido claro de demonstrar uma simples "autoridade", que lhe foi efectivamente conferida nas últimas eleições presidenciais.
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Até ao momento tivemos um presidente sempre muito meticuloso nas palavras e nos assuntos que se lhe ouvia discutir. Aliás, o seu discurso tem sido sempre baseado no mesmo: salários altos dos altos quadros de várias empresas publicas, o desinteresse generalizado do pessoal na política e outras coisas, do meu ponto de vista, inócuas, pois ele próprio contribuíu para que as coisas estivessem neste ponto, por muita moral que apregoe.
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Esta declaração foi apenas e só uma chamada de atenção, num assunto que não tem assim tanta relevancia como que teria, por exemplo, um raspanete necessário ao senhor João Jardim pelos seus comentários pouco dignos para com a republica e para com o próprio presidente. Enfim, foi uma acção completamente despropositada. Ou talvez não, porque penso que irá sem sombra de dúvidas enviar faíscas que irão ser dolorosamente debatidas na campanha eleitoral, e sem dúvida que, serão aproveitadas para o PSD local ganhar algumas armas de discussão... ou seja, foi, para mim uma acção pouco relevante para os portugueses mas que revelou uma tomada de posição numas eleições regionais, às quais deveria o senhor presidente manter-se completamente isento.
Etiquetas: Política

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