sábado, agosto 06, 2005

Chuva Negra

Começava uma manhã de verão, naquela cidade massacrada (como tantas outras) pelos anos de sofrimento que já havia atravessado, fruto de uma guerra imperialista que estupidamente os seus governantes, dotados de uma doentia vontade de ser maior à conta dos vizinhos infelizes, levaram a efeito. Ninguem adivinhava um final assim. Muitos foram os que o lamentaram, e continuam a lamentar... mas lamentavelmente, muitos foram os que o aplaudiram...
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Para falar de um fim, torna-se imprescindível contar como começou. Durante meados dos anos 30 (do século XX), o Império Japonês, dava início a uma política Imperialista de conquista e exploração dos territórios vizinhos. Nessa altura, os EUA, que eram uma potencia Militar, Industrial e comercial já fomentava alicerces naquela região (as Filipinas eram território dos EUA), seriam, não os únicos (China e Gra Bretanha mantinham interesses também), mas os principais opositores e aqueles com maior força para contrariar as iniciativas de expansão do Japão. Ora, com o objectivo de "rasteirar" a capacidade de reacção da Força Militar Naval dos EUA, os Japoneses fizeram um ataque surpresa à Base Naval de Pearl Harbour, no Hawai. Resultado foram cerca de 5000 baixas, entre mortos e feridos. A Marinha dos EUA no pacífico ficou coxa, mas não paralizada. O ataque não foi totalmente bem sucedido, mas permitiu algum "avanço" dos Japoneses na zona do pacífico Sul.
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Este ataque foi um ultrage e nos EUA clamou-se por vingança. A Segunda Grande Guerra, na altura disputada na Europa e Norte de África, dotava-se assim do epíteto de Guerra Mundial. Os EUA envolveram-se na Europa e tinham em mãos uma guerra também ela difícil no Pacífico.
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Em 1945, esta guerra chegava ao fim. Na Europa, em Maio, os alemães rendiam-se e os Americanos e Ingleses (que na altura tinham o maior Império do Mundo), podiam focar as suas atenções em derrotar o Japão, que estava já em situação de desgaste e queda. Nesta altura, a sua maior arma era a persistencia e dignidade. Render-se e perder a guerra estava fora de questão para os japoneses, mesmo que os meios disponíveis fossem amplamente inferiores aos dos opositores e a sua capacidade de desenvolvimento e produção estivesse a zero. No entanto, a persistencia fazia-os usar até as suas proprias vidas como arma. Os famosos Kamikaze, que davam a sua vida para embater os seus aviões em navios americanos.
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Iwo Kima e okinawa terão sido as duas primeiras parcelas de território natural do Japão, com cidadãos japoneses, a serem invadidas. Lá, os aliados tiveram um exemplo claro daquilo que os esperava no Japão. Mulheres e crianças, velhos doentes, todos eram "armas" contra os soldados americanos. Alguns armados apenas com bambu afiados, outros artilhados com explosivos, faziam-se rebentar. Outros preferiam simplesmente morrer a ter de se submeter à vergonha da derrota. No Japão, a população preparava-se já para a guerra que haveria de chegar ao seu país. Hirohito, o imperador do Japão, estava já num dilema: acabar de vez com o sofrimento do seu povo e aceitar humildemente a derrota ou continuar com os sacrifícios de milhares e prolongar ainda mais a dor e a tristeza da perda.
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No dia 16 de Julho, em Los Alamos, festejava-se o sucesso de uma experiencia efectuada: a maior arma alguma vez construída estava pronta a ser usada. Nessa altura, estavam em Postdam os líderes das potencias aliadas, que discutiam o que fazer com o Japão e o que fazer com a Europa, já a recuperar da guerra fatídica que teve de aguentar desde 1939. Truman, o presidente dos EUA, sabia que tinha em mãos a arma que acabaria de vez com a guerra... fosse de uma forma ou outra. Fosse com a rendição total dos japoneses, ou com a destruíção maciça das suas cidades e das suas gentes. E não precisava de entrar com nenhum soldado naquele país. Com isto, só tinha a ganhar, já que poderia terminar uma guerra sem o sacrifíco de mais vidas americanas.
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Foi enviado um ultimato ao Imperador, para que o Japão se rendesse incondicionalmente, sob a ameaça da destruíção total... O japão recusou...
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E então, no dia 6 de Agosto, um único avião voou sobre os mares e território japones. E sobre a antiga cidade de Hiroshima, soltou, em páraquedas, uma única bomba. Lá em baixo, as pessoas não sabiam o que era aquilo. Poucas se aperceberam sequer de que se passava alguma coisa. De repente, a 500 metros de altitude, um clarão de luz rompeu o céu e uma brutal explosão assolou a cidade. Imediatamente, cerca de 100 mil pessoas perdiam a vida... Outras mihares seriam afectadas pelos efeitos da explusão radioactiva. 80% dos edificios da cidade estavam destruídosAlguns momentos após a explosão da bomba, uma chuva negra, acída e radioactiva, começava a caír dos ceus. Estima-se que os efeitos da detonação tenha assolado cerca de 500 pessoas. Umas tiveram a sorte de morrer imediatamente. Outras, sofreram o lento desgaste de doenças provocadas pela radiação. Outras sofreram terríveis mutilações, também provocadas pela radioactividade. Só nesta cidade...
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Mas o governo japones continuava sem uma palavra acerca da rendição. Hirohito mantinha-se no meio de uma discussão dos seus conselheiros... uns que defendiam a rendição outros que mantinham a intrasigencia de lutar até à morte.
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Dia 9 de Agosto, seria novamente usada uma Bomba Atómica. Desta vez em Nagasaki. Efeitos identicos, mas uma cidade com menos gente. Mesmo assim, 300 mil pessoas sofreram directa ou indirectamente os efeitso da explosão atómica. Foi o que despoletou finalmente que Hirohito se levantasse do trono e tomasse ele a decisão de, honradamente, baixar as armas e render-se incondicionalmente.
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O Homem percebe e aceita, mas muitas vezes ignora, que corre o constante risco de ameça de Tsunamis, Terramotos, cometas, vulcões e que um dia, uma catastrofe natural poderá acabar com o mundo que nós temos... fez hoje 60 anos, que o Homem percebeu que a maior ameça que tem, vem dele próprio. A sua mente, que é capaz da mais pura e bela criatividade, tem sobretudo a capacidade de destruír. Aquilo que faz de nós diferentes do resto dos seres vivos neste planeta e que nos permitiu evoluír e sobreviver ao longo de 5 milhões de anos... o nosso principal meio de sobrevivencia, é também o motor que mais ameaça a nossa própria existencia...
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Fez hoje 60 anos que os habitantes de Hiroshima se tornaram os primeiros seres humanos a reconhecer esta trágica realidade.