terça-feira, setembro 30, 2008

Terça feira do camandro!!

Hoje e amanhã são dias de greves… para os enfermeiros e para a malta dos correios. Quanto aos últimos, felizmente temos a Internet, pelo que só vão chatear porque as facturas de final do mês vão demorar mais dois ou três dias a chegar a casa, isto para os que ainda não as recebem por email. Por outro lado, a greve dos enfermeiros é mais chata. Vai haver muita gente desiludida com os banhos de esponja. Outros ainda que vão ter mais uma desculpa para verem adiadas as operações para as quais já (des)esperam à anos.
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Por outro lado, mau mau é a crise financeira. Ontem foi dia de greve na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América. Chumbaram a proposta, praticamente assegurada como “aprovada” pelo grande Bush. Muitos dizem que é mau. Eu digo que o mal já foi feito antes e não são $700’000’000’000 que vão resolver a situação. O que vão fazer é adiar um problema que, eventualmente, vai voltar a atacar mais tarde. O que esta crise demonstra é “que quem tudo quer tudo perde”. É exactamente isso que está a acontecer, com a crise do mercado imobiliário Norte-americano e que ameaça vir cair também para nós.
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Ora, de uma forma sucinta. À uns anos, toda a gente podia pedir empréstimos maravilhosos para comprar uma casa, mobilá-la, comprar carro, bicicleta, ir às putas, comprar outro carro, etc, etc, etc… Pedia-se muito mais do que aquilo que precisavam, fruto também de uma especulação preparada no mercado imobiliário. Uma casa que valia na realidade X, era negociada a um valor muito superior… o empréstimo pedido chegava muitas vezes a ser superior ao dobro do valor real da casa. Muitos começaram a ter, passados estes anos todos, dificuldade em pagar as rendas aos bancos. Por outro lado, o valor das casas começou a cair abruptamente para os valores reais e não para os especulativos. Quando isto aconteceu, as pessoas com dificuldades não tinham sequer património de valor equivalente. E aqui surge o problema.
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Muitas hipotecaram a casa que não tinha o valor com que fora negociado inicialmente. Os bancos ficaram apertados, porque tinham emprestado X e não conseguiam recuperar o valor pretendido e então toca de apertar as dívidas existentes. Rendas aumentam, e são já mais de 5 milhões de pessoas nos Estados Unidos que perderam a casa por incapacidade de contrapor as dívidas que já tinham aos bancos.
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Ora, com os bancos a perderem dinheiro, o número de investimentos baixou abruptamente, o dinheiro movimentou-se menos e, naturalmente, o mercado em bolsa entra em queda, quase crash. O dólar sofre desvalorização face a outras moedas mais fortes, como o Euro. O petróleo entra também numa situação de implosão, fruto, também aí de uma especulação que serviu para muitos ganharem dinheiro. Atingindo valores insuportáveis, voltou a descer e agora anda num rodopio constante de sobe e desce.
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E chegamos à Europa onde se começam a sentir os efeitos de uma crise combinada por efeitos abusivos de especulação, servida apenas para encher os bolsos de alguns. Assistimos à tentativa desenfreada dos estados entrarem com dinheiro para salvarem determinadas empresas. No fundo, NACIONALIZAÇÃO, ou para muitos “a coisa cujo nome que não deve ser pronunciado”.
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O que a Casa dos Representantes fez ontem, foi simplesmente travar aquela “coisa cujo nome não deve ser pronunciado”, tentada pelo Grande Bush. Concordo, porque apesar de dura, se calhar até faz bem uma crise destas. A resolução do problema não se remete à “coisa cujo nome não deve ser pronunciado” das empresas em crise. Estas terão o rumo delas. Falência para umas, crescimento para outras. O certo é que se pretende fazer crer que a falência de alguns bancos pode levar à ruptura dos mercados financeiros no mundo. Provavelmente sim, isso vai acontecer. Mas acontecerá agora ou daqui a 5 anos, se a “coisa cujo nome não deve ser pronunciado” for avante como pretendem que vá. O problema não se resume à falta de dinheiro… o problema resume-se às regras, ou falta delas, no mercado.
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Em 1929, o crash da bolsa foi das feridas mais dolorosas que o mundo teve de suportar. Tanto aí como cá, as razões deveram-se a um espírito demasiado especulativo. Na altura eram as acções que eram vendidas e compradas longe do seu real valor. Chegou a uma altura que elas todas quiseram voltar aos seus valores normais, e tudo caiu a pique. Os investimentos especulativos tornaram-se desesperantes e puff… agora, passa-se um pouco o mesmo. Depois de 1029, atravessou-se um pouco o deserto. Mas recuperou-se, com força e equilíbrio. Se calhar é isso que o mundo precisa, actualmente. Dar uns passinhos para traz e recuperar rapidamente, com novas estratégias, novos modos e, quiçá, com a lição apreendida, para daqui a cem anos não estarmos a lamentar novamente os erros cometidos.
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PS.: John McCain entrou também em greve… em greve de intelectualidade. Decidiu acusar o seu rival, Barac Obama, de responsabilidades na coisa por lhe faltar “espírito de liderança”. Alguém que lembre ao velho que o presidente ainda se chama George W. Bush.