sábado, julho 23, 2005

Mas será que anda tudo à noia ou que??

Estamos em 2005... eu nasci em 1982... entre 1982 e 1990 tenho poucas recordações acerca disso, mas lembro-me bem de que desde 1990 todos os verões há histórias de incendios. Até me recordo de ir para Santarém e o meu divertimento no velhinho Cinca (automóvel que o meu pai tinha na altura), quando não estava a contar os carros FIAT ou FORD ou RENAULT que passavam por nós, estava a ver se descobria algum sinal de incendio (um fumo preto). E lembro-me bem de estar a passar de carro por uma estrada que cruzava mesmo um incendio, ou melhor tinha cruzado, mas naquela fase do fogo, já não. De um lado ainda ardia, e lá estavam os carros dos bombeiros, mas do outro já não havia nada... e nós a passarmos na estrada (que já não estava cortada) e a vermos as chamas lá em cima da encosta.
Mas o que é real é que ano após ano, há histórias de fogos e incendios nas matas portuguesas... e ano após ano as pessoas se queixam da falta de meios. E depois queixam-se também que há seca, e que está calor, e isto e aquilo... Este ano, para agravar ainda mais isto tudo, estamos a viver uma seca que eu, com a minha curta idade, nunca me recordo de ter passado. Situação que poderia ser menos gravosa se, mais uma vez, tivessem avançado com alguns planos de criação de barragens e bacias, em zonas do Algarve, do Alentejo, planos estes que estão criados, mas que esperam por avalo político para poderem avançar no terreno... e agora, finalmente, sente-se a falta que fazem.
Mas descansem os mais "relaxados". Em 4 anos, criaram-se 10 novos estádios. O Porto já tem a "Casa da Música". Lisboa vai ter um Casino. Vamos ter um novo aeroporto. Vamos ter uma ligação TGV com Espanha. E portanto, vamos estar aparentemente "mais desenvolvidos".
Continuamos em crise e não há dinheiro para melhorar os meios de combate aos incendios, para criar formas de combater a seca, que se advinha cada vez mais regular ao longo dos próximos anos, para desenvolver as condições nos hospitais, nas escolas, etc, etc, etc... mas descansem que já temos novos estadios para ver a bola (nem que seja para ver o Figo a jogar contra os seus amigos), vamos ter um novo aeroporto e vamos ter uma ligação TGV até Espanha (numa altura em que se fala em fazer o avio em Espanha, mesmo bom ter um TGV para nos ajudar no caminho)...
Mas eu já estou a perceber tudo isto... quando não houver mais mato para arder e quando não existir mais campo para cultivar, quando a água dos rios deixar de correr, temos um novo aeroporto e um TGV, já para não falar das boas autoestradas que já existem, para podermos saír deste inferno, de uma forma mais rápida e confortável.
E ainda falam em crise... onde é que ela está?