Negociatas "perfeitamente normais"
Antes de mais, vou ser directo: Sou absolutamente "anti" Cavaco Silva. Foi um péssimo primeiro ministro, está a ser um mau presidente e sempre me convenci de que foi um oportunista e aprovou as oportunidades e o oportunismo dos "yes men" seus amigos oportunistas. Quanto a este último assunto, é certo que este oportunismo está intrínseco em todos os governos.Foi mau primeiro ministro porque permitiu que, após a entrada na então CEE, parte dos fundos europeus fossem utilizados para luxos e bolsos de e com conivencia de compadres seus, entre outras coisas...
Foi um mau presidente porque calou-se quando não se devia ter calado e falou quando menos devia. Não me esqueço de 3 episódios: 1) interrompeu as suas férias para tomar uma posição contra um tal assunto com os Açores, que contradizia a opinião vingente e tomada certa na Assembleia da República, num dos raros momentos de unanimidade; 2) tomou uma posição nas legislativas, procurando um caso de escutas em que se demonstrou ser uma embrulhada autentica e uma falsa realidade, ou seja, uma autentica mentira; 3) Não interrompeu as suas férias para prestar a sua homenagem ao único prémio nobel da literatura, personagem que o seu governo censurou, no início dos anos 90.
Quanto à questão dos oportunismos e das oportunidades, como disse, é intrínseco que surja com malta que está nos governos. E parece-me lógico que tal aconteça. Um sujeito que deixa de ser ministro, precisa de trabalhar para sobreviver. O que não me parece tão correcto é que, por exemplo, o gajo que permitiu um aumento brusco de portagens na Ponte 25 de Abril, provocando os desacatos que provocou, ganhe um "lugar cativo" no conselho de administração da LUSOPONTE, anos depois disto. Mais parece um prémio por "bom comportamento" do que outra coisa. Para mostrar uma parte da minha isenção, falo tambem do Jorge Coelho... Ministro das Obras Públicas e, mais tarde, CEO do grupo Mota Engil. Outro prémio por "bom comportamento".
Obviamente que se algum destes se candidatar ao que quer que seja, não contaria com o meu voto. Um pouco disto se passa com o Cavaco. Para além do demérito transformado em mérito por parte de uma colecção de gente, mas que em mim está intrinsecamente guardado, sempre para memória futura/presente (ao contrário de muita gente que tem memória curta), há tambem as velhas questões do BPN.
E o BPN não é uma falta questão... Comecemos do fim para o princípio. Ora, Oliveira e Costa, um antigo braço direito de Cavaco Silva, foi constituído arguido e delineado como um dos principais responsáveis pela gestão danosa do banco. Ora, no início do milénio, Oliveira e Costa vendeu, por um valor abaixo do valor real das acções, umas acções ao messias Cavaco Silva. Mais tarde, essas mesmas acções foram compradas pela SLN, averbando um lucro de 140% ao Cavaco Silva. Um chamado "negócio da china".
Curiosamente, os próprios já assumiram que os valores conseguidos neste negócio seguiram para o orçamento de campanha para as presidencias de 2006.
Resumindo... Foi feita uma "doação" à revelia do correcto, por parte de sujeitos que, possivelmente, queriam tomar parte (no lugar de outros, claro está), dos tachos, das oportunidades e dos oportunismos inerentes a qualquer função de estado. E é claríssimo que houve uma tentativa de beneficiar o antigo mestre, num negócio pouco claro, para futuro aproveitamento, fosse ele qual fosse.
Concluo para chamar a atenção do que é correcto. Esta não é uma situação única. Acontece ciclicamente com agentes PSD ou PS, em legislativas, em presidenciais ou em autárquicas. E a política só sobrevive com estes lobys, lobys esses que já ultrapassam a própria política (vide o que se passa ao nível do desporto). E cada vez mais a nossa sociedade vive deste tipo de relações, destas oportunidades e oportunismos de pessoas que se encostam, que apoiam, que permitem, com um objectivo de ter, curto, medio ou longo prazo, uma qualquer contrapartida pouco clara.
Se alguem quer ser presidente da república ou primeiro ministro tem de ter a decencia de não estar envolvido nestas relações pouco claras. Ou pelo menos, ter a decencia de as manter ocultas do domínio público. E disso, o Cavaco já não se livra...
Etiquetas: Política, presidenciais

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