O Bem e o Mal
Há alguns que dizem que culpa da crise é dos que não querem trabalhar, dos que não querem produzir, dos que acham que tem mais direitos do que tem deveres, sob o argumento de que se exige dignidade à pessoa. Como tal, deve-se reduzir os direitos e aumentar as obrigações individuais. Devem parar-se com as apoios sociais e conjugar esforços para que, por meio do trabalho e do mérito, se assegure a sobrevivência de uma sociedade. Esta é a opinião de uns...
Outros dizem que a crise é culpa dos que emprestaram a quem não podia pagar, dos que pediram emprestado para gastar sem salvaguardar o futuro, dos que quiseram dar passos maiores do que aqueles que podiam dar, não olhando a consequências, dos que querem lucrar, lucrar, lucrar e para lucrarem ainda mais aumentam o valor do serviço ou produto que produzem e, ao mesmo tempo, procuram baixar o valor da produção, dos que acham que tem mais direitos do que tem deveres, sob o argumento de que são eles que criam emprego. Como tal, deve-se orientar as coisas para que estes sujeitos e entidades paguem mais impostos e contribuam, partilhando esses lucros amplamente aumentados, e assegurar assim a estabilidade financeira do estado Esta é a opinião de outros...
E ainda há os que dizem que a culpa é do estado, dos impostos e das regalias dos funcionários públicos, dos investimentos que procuram a criação de infraestruturas que depois são exploradas por privados, dos que procuram a "mama" num cargo político ou numa posição directiva ou de relevância numa qualquer empresa com participação do estado, e dos que acham que tem mais direitos do que tem deveres sob o argumento que "estiveram ao serviço do país" e como tal deve ser salvaguardada uma justa recompensa. Como tal, deve-se acabar com as reformas milionários por serviços no estado, deve-se terminar com os "jobs for the boys", tem de haver mais transparencia no investimento público e que as parecerias entre o estado e os privados não sejam tão notoriamente penosas para o estado e "minas de ouro" para os privados. E esta é a opinião do resto...
Depois há a comunicação social que faz vista a todas estas opiniões, defendendo o bem e o mal ao prazer das suas agendas e dos seus patrocínios...
E penso que esta é a melhor fotografia que se podia tirar à situação actual, com uma máquina 3 mega pixels (sem grande detalhe)...
Ai que grande surpresa!!
O Sócrates pediu a demissão e o governo caíu... um mes e meio após as eleições presidenciais... duas semanas depois de Cavaco Silva tomar posse como Predidente da República. Estarão as duas coisas interligadas? Acabam por estar porque já se esperava que, caso a direita ganhasse as eleições presidenciais, como acabou por ganhar, iria fazer um assalto ao governo, aproveitando o facto de o governo se apresentar desgastado e claramente em baixo.
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Toda a gente o sabia. Sabia-o o Sócrates. Sabia-o o Passos Coelho. Sabia-o o Cavaco Silva... toda a gente o sabia.
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Até o Louçã o sabia, e trocou as voltas ao PSD, ao apresentar a primeira moção de censura da época, no dia seguinte à tomada de posse do presidente eleito.
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Sócrates percebeu que agora podia saír e, de alguma forma, sacudir alguma água do capote. Foi "empurrado" para fora do governo e com isso o inevitável vai acontecer... o FMI e os demais fundos vão entrar em Portugal. O argumento do Sócrates agora será o de atribuír à não aprovação do PEC IV as responsabilidades da entrada da ajuda externa a Portugal. E terá razão quanto a isso, não haja dúvidas. A coisa certa a fazer pelos partidos, a começar pelo PSD, seria aprovar o PEC IV e, de seguida, procurar derrubar o governo, com o apoio do CDS-PP.
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Não o fizeram assim, o PEC IV não foi aprovado e lá fora vão-nos caír em cima. Os juros da dívida vão aumentar e, escrevam isto, vão chegar aos 10%.
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E agora sim, hipóteses: O PSD ganha as eleições, aparece com o discurso de que o país está muito mal, que as contas do governo estavam mal feitas e que é preciso tomar medidas muito drásticas. Eles próprios já disseram que aumentariam, por exemplo, o IVA para os 25%. E outras medidas seriam tomadas, medidas penosas para a sociedade e justificadas pelo "estado terrível a que deixaram o país.
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Se for o PS a ganhar as eleições, serão tomadas, tambem, medidas de austeridade... justificadas pelo período de instabilidade que a oposição fez valer ao país. Provavelmente o IVA aumentará para os 25% e outras medidas de austeridade, tão ou mais drásticas que as já tomadas no Orçamento de Estado para 2011.
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Se, e eu gostaria que assim fosse, o PS e o PSD acordarem um bloco central para governar, estarão de acordo em tomar as mesmas medidas que tomariam em separado, sob o argumento de que seriam as medidas acertadas para tal.
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Resumindo, Portugal está numa fase negra. E venha quem vier, vai haver menos dinheiro para distribuír, menos dinheiro para remunerar e muito mais impostos para pagar. Podem pintar a coisa de rosa, de laranja, de amarelo às pintinhas azuis, mas o Verão vai ser regado de más notícias para todos nós.
Comunicação do SL Benfica!!
Já por diversas vezes ouvimos responsáveis do Benfica a criticar e a lamentar a falta de uma palavra por parte de responsáveis do FC Porto relativamente às consecutivas situações que tém acontecido nos jogos entre Benfica e Porto, mais concretamente no Estádio do Dragão e no Algarve.
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Criticam e lamentam, esquecendo-se e ignorando que, tambem da parte deles, faltou essa iniciativa.
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No entanto, hoje, ao que parece, houve uma situações em que um vice presidente doente do Benfica foi vítima de um episódio em que foi agredido à saída de um restaurante na cidade do Porto, cidade e região essa que, diariamente, é bombardeada por alguns responsáveis do Benfica, com insulto, injúria e eloquente desrespeito.
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Apesar de tudo, o treinador do FC Porto, que se cruzou com a pessoa no tal restaurante, quando na conferencia de imprensa foi confrontado com essa situações, rapidamente repudiou essas agressões e lamentou-as, frisando que "antes de ser um fervoroso e orgulhoso adepto Benfiquista, o sujeito é um cidadão e, como tal, merece o respeito e a liberdade de poder expor como entende a sua opinião, lamentando PROFUNDAMENTE o sucedido.
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Um funcionário do SL Benfica, responsável pelo departamento de comunicação, entendeu então, apesar do treinador do FC Porto ter feito aquilo que acusam os responsáveis do FC Porto de nunca fazer, e quando lhe fizeram a constatação acerca desses comentários do treinador do FC Porto sobre a situação, ele respondeu como que deixando nas entrelinhas que teria sido o próprio a contactar uns capangas para agredir o vice do benfica.
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Uma atitude que reflecte bem o que se passa naquele clube, em que convem sempre atacar, insultar, teorizar e conspirar com propaganda contra os exitos que o FC Porto tem conseguido conquistar, insurgindo-se contra o que que é negativa e ignorando o que é positivo. Querem moldar uma falsa realidade, em que uns são bons outros são maus. Uns são Portugal e outros são Porto. Uns são globais outros são regionais. Uns tém bons valores outros não tém valores.
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E quando chega a altura de agir para dar razão às palavras, demonstram que não são tão grandes, que não são tão globais assim e que, acima de tudo, possuem maus valores.
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Nada me move contra o Benfica... mas sinceramente chateia-me quando me tentam atirar areia para os olhos tentando impedir-me que eu e os outros portugueses, inclusivé Benfiquistas, vejam o mundo com um selo de verdade e realidade, necessária para que uma sociedade prossiga vivendo bem e de saúde... e insurjo-me contra isso, seja no futebol, seja, SOBRETUDO, na política.
O Mundo ao Contrário
Não... não é a música dos Xutos e Pontapés. É mais um estado de alma que todos sentimos mais do que real. O Mundo em que vivemos está de pernas para o ar. O que é, nem sempre é, e o que não é, muitas vezes é-o.
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Confusos? Pois, tambem eu...
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É tão vítima o gajo que leva uma descarga eléctrica, na sua cela (onde está preso por ter feito coisa bonita), onde se recusava a deixar a cela, a limpar e a não permitia que alguem entrasse lá dentro. Um homem que passava de prisão em prisão, como um inadaptado, que era agressivo e vivia isolado da restante população prisional, em todas as prisões por onde passou. Foi um grupo enorme de guardas prisionais aportar-se à cela do homem, dar-lhe um correctivo por causa do seu comportamento. Disparam o Teaser e dão-lhe uma descarga eléctrica dolorosa. Imobilizam o homem tiram-no lá de dentro, fazem o que tém a fazer e voltam a pô-lo lá...
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No dia seguinte a essa notícia ter eco nos jornais, um grupo de 5 assaltantes entrou numa moradia em Azeitão, disparou o Teaser ao proprietário e roubaram-lhe a casa e o BMW. Como é que raio conseguem fazer do prisioneiro que levou o merecido correctivo tão vítima como este pobre homem, que é assaltado e "torturado" na sua própria casa? Mas está tudo doido??
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Um sujeito encontra uma barreira policial, que o manda parar. O sujeito não pára e foge, sendo atingido a tiro pela polícia e morto quando tentava fugir. O polícia é um criminoso, acusado e retratado publicamente por uma opinião central que procura sempre vitimizar os que "sofrem" com a autoridade. Ao mesmo tempo, um ourives é assasinado por 3 assaltantes que lhe partem a loja e roubam o ouro. Como é que raio se pode vitimizar o que se pôs a jeito para levar um tiro e alguem que apenas quer trabalhar para comer e ter a sua vida descansada?
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O mundo está ao contrário. O que está certo passa a errado, o que está errado passa a certo. A ansia de potenciar casos de abuso de autoridade está a fazer com que a autoridade pública perca formas de se impor na sociedade, provocando casos reais de abuso da autoridade. Pode haver muita coisa errada, mas o que considero pior é já não distinguirmos quando a autoridade abusa e quando a autoridade é abusda. Isto cria um estigma de que a autoridade está lá mesmo para ser abusada...
Não há nada
Hoje não há tempo nem há espaço,
Não há dor nem há cansaço
Não há luz, não há som.
Nem mau cheiro nem cheiro bom
Hoje não há classe, nem dignidade
Não há mentira nem há verdade
Não faz frio, não está calor,
Não há amargo nem doce no sabor
Hoje o mundo é torto, torcido sem sentido,
Ingrato, saliente, distante e perdido
Hoje o nada é tudo, o tudo é pouco
O pouco é estranho e o estranho jaz louco
A ditadura democrática
O que todos nós, no ímpeto sabiamos ser mais provável, aconteceu: Cavaco foi eleito à primeira volta. Eu confesso que estava à espera que as alternativas fossem capazes de roubar essa eleição à primeira volta do Cavaco, mas estava enganado... ou melhor, no fundo tambem sabia que essa hipótese era algo remota, mas acreditava ser possível.
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E nada mais há a dizer... vamos continuar com o sujeito que durante mais tempo permaneceu em lugar de poder, no nosso país. Foi 10 anos primeiro ministro e prepara-se para ser 10 anos presidente da república. Nada mais a para dizer.
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Cavaco foi sempre um oportunista, aliando sorte e saber. Aproveitou uma moção de censura, em 1987 para fazer caír o seu governo minoritário e para ser reeleito com maioria absoluta, permitindo-lhe governar com uma liberdade então única na jovem democracia portuguesa.
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Foi ele que criou o IRS e o IRC. Foi ele que começou a privatizar as várias empresas públicas. Gostaria que se verificasse, que empresas compraram que empresas, e que pessoas faziam de "testa de ferro" dessas tambem empresas. Liberalizou-se a Comunicação Social (nasceu a SIC, imaginem lá, de um tal Francisco Pinto Balsemão). Reformas nas leis laborais e agrárias. Entrou muito dinheiro da então CEE e começou tambem a entrar mais dinheiro, fruto de cada vez mais impostos e cada vez mais taxas e contribuições dos contribuintes, o que permitiu empreender dar início a grandes projectos de obras públicas. Centro Cultural de Belem, com uma derrapagem de quase o dobro do custo inicial, é um claro exemplo. Ponte Vasco da Gama, com outra "derrapagem" enorme (embora aí, responsabilidades partilhadas com governo PS), Linhas férreas nas áreas metropolitanas de lisboa e porto e melhoramento das ligações longo curso, Auto estradas com fartura, entre outras coisas. Coisas boas, coisas más, coisas boas para os amigos.
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Do ponto de vista das coisas boas, houve muitas que ainda bem que se fizeram. A ponte vasco da Gama e a requalificação na zona oriental de lisboa, foi muito bom. A requalificações das grandes vias de comunicação. Uma televisão privada. Entre outras coisas, foram boas medidas, boas opções. O que é certo é que, apesar da certeza de se terem tratado de boas opções, é clara a forma como se aproveitaram tais acertos para encher o bolso a amigos, "vendendo-lhes" parte dos trabalhos e acabando por pagar mais caro, permitindo-se assim as chamadas "derrapagens" nada subtis, extraviando verbas que tanta falta nos fazem agora. Muitas vezes, quando se podia pagar 20, chegava-se a pagar 60... e começou aí (não acabou) a doença que aflige, actualmente, o nosso país. O esbanjamento das contas públicas.
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E o problema reside exactamente nesse problema que é o facto de que o seu governo ter "estreado" os nomes de políticos que lucaram bastante com a própria política. Alguns só pelo facto de terem sido nomeados para uma qualquer função de chefia numa associação, fundação ou mesmo empresa do estado, ganhavam o direito de reforma. E são muitos, nesta altura, sobretudo antigos e correntes membros/amigos do PSD, que se aproveitaram desse facto e agora podem descansar com 2 ou 3 pensões de reforma milionárias. Facto é que sujeitos como o Pedro Santana Lopes, tachista de profissão, só começaram a surgir depois da maioria absoluta PSD/Cavaco Silva, e agora não são poucos os que, aos 50 anos, já gozam na plenitude de uma reforma dourada... outros nem depois de reformados, aos 65, podem parar de trabalhar...
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Os hábitos criaram-se nessa altura e como uma verdadeira doença, disseminaram-se pela sociedade portuguesa. E veio o governo PS, e a coisa manteve-se... voltou um governo PSD, e manteve-se... e agora colhemos os efeitos a longo prazo que, a natureza humana, egoísta como é, se recusa a mudar. Pudera, quem pode mudar esse estado de coisas, é quem está ou vai estar beneficiado por elas. Então, os outros que cortem os seus ordenados, os outros que paguem impostos, os outros que se fodam... Vivemos numa ditadura democrática. Ditadura porque, apesar de contraditório numa democracia, as águas e os ventos de mudança estão parados, sem sítio para correr. Vivemos parados no tempo durante uns necessários 40 anos. E estamos tambem parados no tempo há já 20 anos, e continuaremos enquanto um povo não voltar a perceber que, como antes do 25 de abril, continua a ser um peão nas mãos de meia dúzia de sujeitos.
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Esta não é certamente a democracia badalada, mas talvez seja aquela que nós, portugueses, merecemos ter... como mais uma vez demonstramos, elegendo para o seu último mandato e cargo político, Hanibal Cavaco Silva, o símbolo desta democracia que gangrenou no momento em que se lhe assegurou a primeira maioria absoluta no parlamento.
O que vai mal na política em Portugal?
E eu diria até, no mundo todo... a política é uma ficção, um enredo, um filme com argumento e os políticos são claros actores, que defendem não ideias nem ideais, mas sim bolsas, bolsos, tachos e tachismos. Falta realismo, falta moralismo e falta, sobretudo, liberalismo.
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Estamos em plena Campanha Eleitoral. Nenhum dos candidatos se mostra audaz o suficiente para se comportar sem seguir, à risca, um qualquer cadernos de "bons costumes" e de "bons dizeres". Só o cúmulo de verificarmos as mesmas frases, ditas e repetidas sempre com o mesmo enfase, de manhã, à tarde, ainda à tarde, para uma RTP, uma SIC ou uma TVI, uma TSF, uma Antena 1, etc, etc... São autenticas cassetes.
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Há pouco estava a ouvir o discurso do Manuel Alegre, feito ontem num comício... hoje, a ser entrevistado em directo para a RTP, repete tim tim por tim tim as mesmas palavras, as mesmas frases que ontem lhe valeram aplausos no mesmo comício. Isto reforça que os políticos grandes, não tém cabeça própria, seguem um guião. Foi um exemplo claro do que não se quer na política.
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O que está mal na política em Portugal, são as cassetes, que tiram credibilidade aos políticos. É o oportunismo onde quando cai uma pedra em cima de alguem, logo surge outro a dizer que a culpa é de alguem (que não ele). Portugal está como está, porque os políticos não se preocupam com o país onde vivem. Preocupam-se com cotas, com lobys e com interesses partidários, interesses esses que camuflam sim senhor os interesses de algumas (demasiado poucas) pessoas, mas com capacidade para influenciar outros. Seja com Acções de uma empresa criada para usurpar dinheiro de cidadãos, com casas no Algarve, com negócios no Qatar, na Venezuela ou em Angola, negócios da China, mesmo em Portugal (SCUTS e auto-estradas desnecessárias, Cais de Contentores em Alcantara, etc).
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São as mensagens vãs de campanha eleitoral, de ameaços ilusórios que diz ser possível as coisas piorarem se não for eleito um candidato à primeira volta. São as acusações gratuitas e infundadas que se fazem livremente sem consequencias. São as refutações infundadas às acusações com argumento, que se fazem de forma livre de pudor e de ética.
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Resumindo, o que está mal na política em Portugal é a fórmula barata e gratuita de transformar verdade em mentira, mentira em verdade, o bom em mau, o mau em bom, o certo no errado e o errado no certo. Não há políticos sérios em Portugal, porque em Portugal, quem é sério, não pode ser político...