terça-feira, março 10, 2009

Uma outra Crise II

Cada vez mais somos engolidos pelas falsas noticias. Toda a gente fala no desemprego que aumenta exponencialmente, de mês para mês. Esta é, realmente, a crise que nos afecta... ou melhor, é um resultado da verdadeira crise. Não queria mesmo escrever um post aqui sobre essa crise, e até vou tentar não falar dela. Ao invés, vou comentar uma outra crise, que em paralelo com a outra que falei à dias, nos apoquenta aos anos: as "falsas" crises.
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Como é que uma empresa pode dizer que está a ser afectada pela crise, quando apresenta resultados francamente positivos? Como é que algum chairman pode justificar acções como defensivas relativamente "à crise", como por exemplo despedindo funcionários, quando os seus lucros continuam a ser ordinários? Que filha de putice é esta que passamos o ano a ouvir as GALPs e as BPs e outras petrolíferas a queixarem-se da sua incapacidade para definir preços mais justos nos combustíveis e depois apresentam aí resultados aberrantemente superiores?
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Existe uma crise real por aí. Há empresas que não conseguem sobreviver. Não conseguem investir e mostrar-se ao mercado com capacidade para subsistir. Outras há que precisam menos de baixar os custos. Para essas a crise é real. Para outras, a crise é, somente, uma pedra no sapato.
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A EDP apresentou, num ano supostamente de crise, os melhores resultados de sempre. Mais de mil milhões de euros em lucros. Os mesmos que tiveram, coitados, de aumentar os preços de electricidade, porque não podiam dar-se a luxos de dar benezes aos contribuintes e às empresas. A mesma que recebeu uma decisão judicial de que não podia cobrar o aluguer das caixas de electricidade mas que contornou essa decisão abulindo realmente essa cobrança mas criando uma nova taxa de cobrança.
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A GALP, a tal que teve dificuldade em segurar o preço dos combustiveis porque o preço do petróleo estava a aumentar muito e que manteve as dificuldades em segurar o preço dos combustiveis porque o preço do petróleo estava a baixar muito, essa que, coitada, não conseguia adequar os preços dos combustiveis a valores mais certos e adequados à sociedade portuguesa, a coitadinha que nada podia fazer porque pagam impostos muito altos sobre os combustiveis, teve aumento de lucros na ordem dos 14%. Ou seja, em ano de crise, aumentaram ainda mais os lucros.
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E o BCP, outros coitadinhos... estes então, tal era a crise, chegaram a propor-se a usufruír das garantias do estado para poderem investir. Coitados, falta-lhes dinheiro, estão em crise. E realmente, tiveram uma quebra singela nos lucros. Apenas ganharam algo na ordem dos 200 milhões de euros. Singelo não é? Temos todos muita pena destes, e só esperamos que possam regressar rapidamente à mó de cima. Eu até estou disponível para iniciar uma campanha para todos juntos encetarmos um peditório para ajudar o BCP.
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É bom ver que a culpa é toda dos governos. São os sucessivos governos que nos roubam diariamente, que nos chupam o tutano ou que nos entalam com despesas. A culpa que o governo tem é só uma: permitir que seja a ganancia de empresas privadas a definir o fraco poder de compra dos portugueses. Realmente, não acho que os ordenados efectivamente sejam baixos... altos são os preços a que nos cobrem tudo e qualquer coisa. Electricidade cara, gas caro, gasoleo e gasolina cara, sempre acima do que seria adequado. E isso não é o governo que determina, são as empresas. O único erro dos governos foi (shame on you PS de Guterres) privatizar e desbratar tudo o que era grande empresa publica. GALP, EDP são brilhantes exemplos disso, sem esquecer, a minha preferida, a Brisa.
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A crise existe realmente, mas não é de agora... há muito que este país vem dando sinais de autenticos sinais de ganancia por parte dos empresários/comerciantes. Fodam-se eles todos.