Grande seca...
...Ou a definição de Democracia segundo a visão da Sra Manuela Ferreira Leite. Seja como for, depois de pérolas como “as obras públicas são boas para diminuír o desemprego de Cabo Verde ou da Ucrânia”, ou “não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite”, sai esta, em que a senhora presidente do PSD e candidata a Primeira Ministra, se é que isso existe, diz agora “que não acredita em Reformas em Democracia. Quando não se está em Democracia, a história é outra… aí eu digo como se faz, e faz-se. Até não sei se não fazia bem haver uns 6 meses sem democracia, para se fazerem as reformas, e depois voltar à democracia”.
Lá está… a democracia é uma seca. Só atrapalha esta coisa de governar.
A grande verdade é que todas as ideologias de governação, seja em democracia, seja em monarquia, em ditadura de direita ou de esquerda, ou mesmo em anarquia, todas tém um mesmo problema… é que seja qual for o sistema, são pessoas ou grupos de pessoas que mandam. E como o homem não é perfeito, acaba sempre por haver merda.
A democracia não é uma coisa nova. Já no tempo dos gregos se fazia uma coisa parecida, mais tarde os EUA pegaram na ideia e aplicaram-na no seu recém criado país. A ideia de ser um povo a ter uma voz e não viver consagrado à voz e às ideias de um rei ou imperador era boa. Com o avançar do século XX a coisa ganhou outros contornos. Alguns países quiseram experimentar essa coisa. Democracia, representantes eleitos por sufrágio, um ou outro parlamento ou assembleia nacional, etc. Depois, nos anos 20 e 30, em muitos lugares, percebeu-se que não funcionava. Havia uns que tinham maioria, criavam governo e governavam. Havia outros que eram oposição e a sua tarefa era opor-se a tudo e todos, de bom ou de mal. Em Portugal haviam governos que duravam semanas apenas, por exemplo. Era impossível ter-se consensos e, portanto, era impossível governar. Porque, muito claramente, o interesse de quase todos era apenas estar no poleiro maior. E se não pudessem estar, fariam de tudo para que quem estivesse não conseguisse governar.
E assim se chegou à ditadura. Uns gajos, andavam fartos de ver esta coisa parada, de verem incapacidades várias para que um governo conseguisse governar e desenvolver um país. Houve um golpe de estado, em 1926, e finalmente estabilizou-se a administração política. Alguns anos depois, chegou ao lugar de presidente do conselho um tal de Salazar, e toda a gente sabe o que aconteceu em seguida.
Eu não defendo a ditadura, muito menos Salazar. Não era vivo nessa altura, mas entendo que não tenha sido uma época muito agradável. O que sei, agora, é que a coisa tomou aquele rumo porque o país não soube viver, aproveitar e desenvolver uma democracia quando teve efectivamente oportunidade para tal. E sinceramente, a melhor coisa que aconteceu a Portugal, foram mesmo os anos intensos de ditadura, de silencio imposto, de censura… porque obrigou os portugueses a aprender e ambicionar o que era efectivamente a democracia. Lá está, a ideia defendida ontem pelo líder da bancada socialista: o contrário de democracia é a ditadura. E a comparação é obvia. Opta-se sempre pela a democracia ao invés da ditadura.
O que eu noto é que, em vários aspectos, há muita gente que não sabe estar em democracia, tanto de um lado como do outro. Vemos a totalidade dos partidos e dos seus representantes, interessados em defender ideias e posições contra o próprio país sob o pretexto de estarem a “defender os interesses do país, segundo a sua visão”. Tomam-se decisões e posições que vão efectivamente defender um partido ou um amigo ou, sobretudo, atacar e prejudicar aquilo que quem está no governo faz, seja certo ou errado.
Diz a senhora Manuela Ferreira Leite que faz falta uns 6 meses sem democracia. Eu concordo mais ou menos com a coisa. A verdade é, como as coisas estão, não vejo nada de bom quando, após as eleições legislativas do próximo ano, o PS vencer com maioria relativa e, à conta disso, ser incapaz de governar, quando na oposição vão estar partidos e pessoas com mais interesse em criticar e abominar as acções políticas, boas ou más, de quem vai estar no governo, do que em ajudar e contribuir para ajudar o país nos tempos difíceis que se advinham, o fundamento universal da Democracia. Vamos atingir um ponto em que à pala dos homens que a fazem mexer, esta coisa de democracia vai por a nu os seus vários defeitos (não os da democracia… mas os dos homens). Nesta coisa de democracia, a verdade nua e crua é que se precisam de maiorias absolutas. Agora, longe de mim permitir que uma pessoa como Ferreira Leite se possa tornar Primeira Ministra, com maioria absoluta, porque demonstra ter tudo menos argumentos democráticos... e não é de agora... basta lembrar os tempos em que ela e os seus parceiros governavam.

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