sábado, novembro 01, 2008

Chulos mais chulos não há…

Isto a propósito de uma ideia simples. Considero que as Auto Estradas devem ter portagens, desde que seja disponibilizado uma via secundária que sirva de alternativa. Excepção feita nas pontes de dimensão considerával, nomeadamente as pontes sobre o Tejo... Mas essa taxação deveria ser gerida e controlada pelo Estado, e nunca por uma empresa privada. Por uma simples razão, que passo a explicar…
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A Atlântico e a Brisa são dois exemplos de empresas que gerem as Auto Estradas em Portugal. Cobram as portagens, responsabilizam-se pela sua manutenção e pelas obras que nela venham a ser efectuadas. Poderão dizer, “ah, se existem duas empresas no mesmo mercado, então há concorrência”. Eu digo: não, não há. Haveria concorrência se, as mesmas empresas, detivessem duas autoestradas paralelas que ligassem dois destinos. Aí, o publico podia optar pela que apresentasse melhores serviços. Isso é, para mim, concorrência. O que acontece é que se eu quiser atravessar o rio Tejo de carro, pago, neste caso à Lusoponte... Se eu quiser usar a A2, para ir po trabalho, pago à Brisa. Ou seja, gere-se um monopólio nesses troços específicos que faz com que essas empressa chulem o que quiserem aos utentes, sem perigo de consequencias. Não há opção para os utentes nem alternativa. Todas as empresas que existam, chupam portagens, mais nada.
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Como é obvio, seria estúpido investir em duas ou três auto estradas diferentes para fazer o mesmo trajecto. Mas mais estúpido é o estado dignar-se a ter a gestão das auto-estradas entregues a privados. Tanto para mais quando, grande parte dessas auto-estradas foi o próprio estado que construiu com o dinheiro dos contribuíntes. Porque razão metem essas auto estradas a render para privados?
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Concordo com as portagens nas Auto Estradas, como disse, desde que exista também alternativas à utilização delas. No entanto defendo absolutamente que essas portagens devem ser pagas directamente ao estado e não à Brisa ou a outra qualquer empresa. Qual é a lógica que faz o estado ir desembolsar 1200 milhões de Euros numa terceira travessia sobre o Tejo, que depois será taxada pela Lusoponte, forçando os utilizadores a pagar as obras suportadas pelo estado e ainda a dar mais um bom bocado para que uma empresa privada tenha lucros abusivos?